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id da página: 11457 Thomas Taylor – Fragmentos de Proclus – Prova da eternidade do mundo

Thomas Taylor Proclus Eternidade Mundo

Thomas Taylor – Fragments of the Lost Writings of Proclus (1825)

Argumentos em prova da eternidade do mundo

  • Argumento Primeiro: A Natureza Eterna do Artífice e a Co-subsistência do Universo

    • Sobre a energia eterna e essencial do artífice do mundo, que é um ser que atua por sua própria essência.
    • Acerca da co-subsistência do universo com o seu artífice, à semelhança da luz que é co-subsistente com o sol.
    • Em que se estabelece que, assim como a luz não é anterior nem posterior ao sol, o universo não é anterior nem posterior ao seu artífice.
    • Tal como a sombra que procede de um corpo situado na luz é sempre co-subsistente com ele.
  • Argumento Segundo: A Eternidade do Paradigma e a Necessidade de sua Imagem

    • Sobre a eternidade do paradigma do mundo e a sua existência como paradigma de modo essencial e não acidental.
    • Em que, por possuir o poder de ser paradigma essencialmente, ele será eternamente o paradigma do mundo.
    • Acerca da correlação necessária entre paradigma e imagem, em que um não pode existir sem o outro.
    • Onde se conclui que, se o paradigma do mundo é eternamente o seu paradigma, o mundo é sempre a imagem de um paradigma eternamente existente.
  • Argumento Terceiro: A Energia Eterna do Fabricador e a Eternidade do Fabricado

    • Sobre a premissa de que um fabricador ou é sempre um fabricador em energia ou, em certa época, está apenas em capacidade.
    • Em que, se existe um fabricador em energia que é sempre fabricador, aquilo que é fabricado por ele existirá sempre.
    • Conforme Aristóteles, quando a causa existe em energia, o efeito também estará de modo semelhante em energia.
    • E, segundo Platão no Filebo, o produtor é o produtor de algo que é produzido.
    • Acerca da necessidade de que um fabricador em capacidade se torne um fabricador em energia através de outro que já esteja em energia.
    • Onde se postula que, para evitar um regresso ao infinito, é preciso conceder uma causa que sempre exista em energia.
    • E, portanto, os efeitos dessa causa devem igualmente subsistir sempre em energia, e o mundo é sempre fabricado, se o seu Demiurgo é sempre o Demiurgo.
    • Com base nos axiomas de que a condição de um dos relativos é a mesma do outro e de que tudo que está em capacidade muda para a energia através de algo que está em energia.
  • Argumento Quarto: A Causa Imóvel e a Perpetuidade do Universo

    • Sobre o princípio de que tudo que é gerado por uma causa essencialmente imóvel é imóvel.
    • Em que uma causa imóvel, sendo imutável, produz pelo seu próprio ser, sem transição da eficiência para a não eficiência.
    • Acerca da consequência de que, se há uma causa imóvel do universo, ela deve ser sempre causa, e não apenas em certo tempo.
    • Onde se infere que o universo deve ser perpétuo, como produto de uma causa imóvel.
    • E em que se considera ímpio afirmar que a causa do universo é movediça ou que foi imperfeita, implicando indigência de tempo.
  • Argumento Quinto: A Co-subsistência do Tempo e do Universo

    • Sobre a co-subsistência do tempo com o céu, ou universo, em que um não pode existir sem o outro.
    • Em que se argumenta que o universo não era quando o tempo não era, nem será quando o tempo cessar de existir.
    • Pois o termo 'alguma vez' é temporal, e se o universo existiu ou existirá 'alguma vez', o tempo deve existir.
    • Concluindo-se que o tempo é perpétuo e, sendo o universo co-subsistente com o tempo, o universo também é perpétuo.
    • E que o tempo é a medida do movimento do céu, assim como a eternidade é a medida da vida do próprio animal inteligível.
    • Segundo Platão, o universo foi gerado, é e será através de todo o tempo.
  • Argumento Sexto: A Indissolubilidade do Mundo pelo Demiurgo

    • Sobre a capacidade exclusiva do Demiurgo para dissolver o mundo, conforme Platão no Timeu.
    • Em que se afirma ser próprio apenas de uma natureza má dissolver o que está belamente harmonizado.
    • Acerca da impossibilidade de o Demiurgo, sendo verdadeiramente bom, ser mau e, portanto, dissolver o mundo.
    • Onde se infere que o universo é indissolúvel, incorruptível e, portanto, não foi gerado no tempo.
    • Pois, conforme Sócrates, a corrupção pertence a tudo que é gerado, e o que é incorruptível é não-gerado.
  • Argumento Sétimo: A Alma do Mundo Incorruptível e a Eternidade do Universo

    • Sobre a alma do universo ser ingênita e incorruptível, por ser essencialmente automotora.
    • Em que, sendo a alma automotora, é o princípio e fonte do movimento.
    • Acerca da necessidade de que, se a alma do universo é perpétua, o universo seja sempre movido por ela.
    • Onde se conclui que o universo é ingênito e incorruptível.
    • E que toda alma racional ascende primeiramente a um corpo perpétuo como seu veículo e sempre move esse corpo.
  • Argumento Oitavo: A Ausência de Elementos Externos e a Incorruptibilidade do Universo

    • Sobre o princípio de que tudo que se corrompe é pela incursão de algo estranho à sua natureza.
    • Em que, não havendo nada externo ou estranho ao universo, pois ele compreende todas as coisas, ele não pode ser corrompido.
    • Acerca da impossibilidade de o universo ser gerado a partir de algo estranho, pois isso implicaria a existência de algo externo a ele.
    • Onde se discute a oposição entre o ordenado e o desordenado, como hábito e privação.
    • E se argumenta que, se há mudança da privação para o hábito, deve haver também mudança do hábito para a privação.
    • Concluindo-se que, sendo o universo incorruptível, ele também não foi gerado no tempo e, portanto, é perpétuo.
  • Argumento Nono: A Ausência do Mal Próprio e a Incorruptibilidade do Universo

    • Sobre o princípio de que tudo que se corrompe é corrompido pelo seu próprio mal.
    • Em que, sendo o universo um Deus bem-aventurado, segundo Platão, ele é isento de mal e, portanto, de corrupção.
    • Acerca da consequência de que, se não há nada que possa corromper o universo, também não há nada a partir do qual ele possa ser gerado.
    • Onde se infere que o universo é ingênito, pois é necessário que tudo que é gerado o seja a partir de algo.
  • Argumento Décimo: A Natureza dos Elementos e a Imutabilidade do Universo

    • Sobre o comportamento dos elementos do mundo, que, em seu lugar próprio, ou permanecem ou se movem circularmente.
    • Em que, se os elementos estão em seus lugares naturais ou se movem circularmente sem início nem fim, o universo é imutável.
    • Acerca da hipótese de que, se as naturezas estivessem em lugares estranhos, requereriam uma transposição por uma causa externa.
    • O que implicaria dois princípios: um do preternatural e outro do natural, sendo o preternatural anterior ao natural.
    • Concluindo-se que, se não havia lugares próprios, os lugares que havia não eram estranhos, e as naturezas então existiam conforme a natureza.
    • E, portanto, o mundo sempre existiu, com diferentes coisas subsistindo de modo natural ou preternatural em diferentes tempos.
    • Tal como Empédocles supôs sabiamente que o mundo é feito alternadamente, exceto que se admite que isso ocorra apenas duas vezes.
  • Argumento Décimo Primeiro: A Matéria como Receptáculo e a Eternidade da Geração

    • Sobre a matéria subsistir por causa do universo, como o receptáculo da geração.
    • Em que, se a matéria existe por uma causa e por causa da geração, estes, matéria e geração, subsistem necessariamente em conjunção.
    • Acerca da correlação entre aquilo que existe por causa de algo e aquilo por causa do qual algo existe.
    • Onde, se a matéria é perpétua e existe por causa de outra coisa, a geração também é perpétua.
    • E que a matéria, sendo simplesmente matéria, possui todas as formas simultaneamente, não sendo indigente de nada para a sua existência.
    • Concluindo-se que as formas subsistem nela perpetuamente, e também o mundo, pois a matéria é a matéria do mundo ordenado.
  • Argumento Décimo Segundo: A Suficiência Perpétua do Artífice e a Aptidão da Matéria

    • Sobre a necessidade, para a geração, de uma matéria e de uma causa eficiente.
    • Em que, se o mundo não existisse sempre, isso se deveria à inaptidão da matéria ou à insuficiência da causa eficiente.
    • Acerca da imutabilidade do artífice do mundo, que sempre possui poder produtivo suficiente.
    • E da invariabilidade da matéria, que sempre subsiste da mesma maneira.
    • Onde se infere que, não havendo insuficiência do artífice nem inaptidão da matéria, o mundo existe para sempre.
  • Argumento Décimo Terceiro: O Movimento Circular do Céu e sua Natureza Incorruptível

    • Sobre a concessão, por parte de Platão, de que o movimento circular é adaptado ao mundo.
    • Em que, tendo o céu esse movimento por natureza, ele está isento dos movimentos retilíneos dos elementos sublunares.
    • Acerca da consequência de que o corpo celeste não é fogo, terra ou qualquer um dos elementos intermediários, nem é leve ou pesado.
    • Onde, sendo os movimentos contrários próprios de corpos contrários, e a geração e corrupção estando entre os contrários, o corpo celeste é ingênito e incorruptível.
    • E que o mundo, consistindo do céu e dos todos dos quatro elementos, que são ingênitos e incorruptíveis em seu todo, é isento de geração e corrupção.
    • Pois o todo é mais excelente que as partes, e as partes subsistem por causa do todo.
  • Argumento Décimo Quarto: O Artífice Divino como Criador da Matéria e a Ordem Eterna

    • Sobre todo artista ser o fazedor de sua matéria própria, seja dando subsistência a ela, seja adaptando-a.
    • Em que o Artífice divino, mais do que os artistas parciais, faz a sua matéria própria.
    • Acerca da questão de saber se o Demiurgo do universo é a causa dos vestígios das formas que movem a matéria de modo confuso.
    • Onde se considera absurdo que ele tenha feito a matéria facilmente adaptável para depois receber vestígios que a tornam difícil de adaptar.
    • Concluindo-se que a matéria, sendo ingênita e incorruptível, sempre possuíu os vestígios das formas e, juntamente com eles, a ordem.
    • E que, portanto, a ordem é ingênita e incorruptível, e o mundo, que dela deriva, também o é.
  • Argumento Décimo Quinto: A Semelhança do Mundo com seu Paradigma Eterno

    • Sobre o paradigma do mundo ser celebrado por Platão como unigênito, eterno e todo-perfeito.
    • Em que a perpetuidade é comum a todas as formas, como imagem do eterno.
    • Acerca do significado de 'sempre', se significa existência infinita para o passado e o futuro, ou apenas um começo no passado e fim infinito no futuro.
    • Onde se argumenta que, para ser semelhante ao paradigma eterno, que é infinito em ambos os aspectos, o mundo deve possuir perpetuidade tanto para o passado quanto para o futuro.
    • Concluindo-se que o mundo, não tendo geração temporal, é incorruptível, e, sendo ingênito, nunca será corrompido, possuindo infinidade segundo ambos os aspectos.
  • Argumento Décimo Sexto: As Vontades Eternas do Demiurgo e a Perpetuidade da Ordem

    • Sobre as duas vontades no Demiurgo: que o movido de modo confuso e desordenado não exista, e que o universo seja ligado.
    • Em que é falso que qualquer dessas vontades exista apenas em certo tempo, pois isso introduziria o antes e o depois no Demiurgo.
    • Acerca da vontade do Demiurgo produzir pelo seu próprio ser aquilo que ele deseja.
    • Onde, através de uma vontade, ele sempre abole o inordenado, e, através da outra, sempre preserva o ordenado.
    • E, segundo Platão no Filebo, o que se torna belo e o seu artífice subsistem juntos.
    • Concluindo-se que o inordenado é sempre abolido e o ordenado é sempre preservado, não sendo um anterior ao outro.
    • E, portanto, a ordem é sem começo e sem fim, ingênita e incorruptível, e o mundo, que é a ordem e o ordenado, também o é.
    • Discutindo-se ainda se há uma ou duas vontades, e que a vontade de rejeitar o inordenado, por ser mais divina, tornaria o universo mais ingênito do que incorruptível.
  • Argumento Décimo Sétimo: Axiomas sobre o Gerável e o Incorruptível

    • Sobre os axiomas, também platônicos, de que tudo que é gerável é corruptível, e tudo que é ingênito é incorruptível.
    • Conforme Sócrates na República, personificando as Musas, "uma vez que tudo que é gerado é corruptível".
    • E no Fedro, que a alma, sendo ingênita, é necessariamente incorruptível.
    • Onde se demonstra que, se o universo é incorruptível, conforme o Demiurgo é fonte de naturezas imortais e indestrutíveis, então ele também é ingênito.
    • Argumentando-se contra a possibilidade de o inordenado ser ingênito e corruptível e o ordenado ser gerável e incorruptível, o que tornaria o inordenado mais excelente.
    • Concluindo-se que o inordenado não é anterior ao ordenado e, portanto, o ordenado é ingênito e igualmente incorruptível.
  • Argumento Décimo Oitavo: A Subsistência Invariável do Demiurgo e a Eternidade do Mundo

    • Sobre a subsistência sempre da mesma maneira e de modo semelhante ser própria das coisas mais divinas, conforme Platão no Político.
    • Em que o Demiurgo, sendo um dos seres mais divinos, deve subsistir eternamente da mesma maneira.
    • Acerca da impossibilidade de ele, subsistindo invariavelmente, variar em sua eficiência, sendo ora causa eficiente, ora não.
    • Onde se infere que ele deve ser sempre uma causa eficiente em energia e, portanto, sempre fabricar o mundo.
    • E, assim, o mundo não teve começo temporal de sua fabricação nem terá fim.
    • Discutindo-se as passagens do Timeu e do Político sobre a ausência e presença de Deus no mundo.
    • Em que se interpreta que tais mudanças, atribuídas ao Demiurgo, não podem subsistir exceto em nossa concepção mental, dada a invariabilidade divina.
    • Concluindo-se que o mundo sempre foi ordenado e a Divindade sempre esteve presente com ele.
    • E que, para ser piedoso para com o artífice do universo, é necessário sê-lo também para com o mundo, preservando a invariabilidade da subsistência em ambos.