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id da página: 971 Exegese Valentiniana do Prólogo Joanino e as Respostas Patrísticas Elaine Pagels

Pagels Exegesis Velentinus Prologo Iohannis


PAGELS, Elaine H. The Johannine Gospel in gnostic exegesis: Heracleon’s commentary on John. Nashville, Tenn.: Abingdon Press, 1973

  • Exegese Valentiniana do Prólogo Joanino e as Respostas Patrísticas

    • Pressupostos e Metodologia da Exegese Valentiniana

      • Interpretação do Prólogo de João dentro de uma estrutura pleromática pré-definida.
      • Seleção seletiva de versículos considerados como referências ao pleroma.
      • Utilização de instrução teológica iniciática para decifrar significados ocultos no texto.
      • Reconhecimento de múltiplos níveis de significado em uma única passagem bíblica.
    • Exegese de Ptolomeu sobre João 1:1-4 e 1:14

      • Identificação em João 1:4 da emergência de Zoe e seu sízigo Anthropos, representando a segunda tétrade pleromática.
      • Interpretação de João 1:14 como uma referência encoberta à tétrade primária pleromática: Pai, Charis, Monogenes e Aletheia.
      • Compreensão do versículo como referência ao Salvador no kenoma, portando os poderes de todos os aeons.
      • Interpretação do mesmo versículo como referência ao "logos feito carne", a manifestação visível do Salvador no cosmos.
      • Estabelecimento de uma hierarquia divina na qual o "logos feito carne" é distinto e inferior ao Monogenes pleromático.
      • Ênfase, no Excerto de Teódoto 7.3, na distinção entre o Monogenes pleromático e a manifestação cósmica, que é apenas "como o Monogenes".
    • Ataque de Clemente de Alexandria à Exegese Valentiniana

      • Rejeição da metodologia hermenêutica valentiniana em favor de um ataque direto à sua estrutura metafísica.
      • Afirmação da unidade e identidade do logos divino em todas as suas manifestações.
      • Desenvolvimento da teoria do "logos-theos idêntico" para afirmar a absoluta identidade do logos.
      • Defesa de que o termo "arche" em João 1:1 refere-se ao próprio Pai, e não a um estágio intermediário.
      • Ampliação do "todas as coisas" em João 1:3 para incluir toda a realidade espiritual, inteligível e sensível, contra a divisão valentiniana de reinos de ser.
      • Explicação da distinção entre o Logos e o Pai em termos de constituição de um "próprio ser" distinto, mas compartilhando a mesma ousia (substância).
      • Uso paradoxal de João 1:14, aplicando-o ao logos pré-existente, e de João 1:1-3, aplicando-o ao Salvador encarnado, para ridicularizar a hierarquia valentiniana.
      • Aplicação de Filipenses 2:6 à geração eterna do Filho, entendida como um "esvaziamento" receptivo em relação ao Pai.
    • Ataque de Irineu de Lyon à Exegese Valentiniana

      • Crítica metodológica baseada no sentido claro e aberto das escrituras.
      • Insistência em que a exegese deve partir das partes claras e inequívocas dos evangelhos.
      • Exigência de atenção à ordem das palavras e ao contexto textual, sem inversão ou segmentação.
      • Argumento de que a suposta referência à ogdoade em João é inconsistente com a ordem de emanação valentiniana.
      • Afirmação do princípio cardeal de que João prega um só Deus e um só Filho unigênito, a quem todo o prólogo se refere.
      • Identificação do "logos na arque" com o "logos que se fez carne" em João 1:14.
      • Definição de "carne" em João 1:14 como o elemento primordial formado da terra, excluindo o corpo psíquico do Salvador valentiniano.
      • Acusação de que os Valentinianos transferem os epítetos de Cristo para a sua própria hipótese teológica, excluindo o referente histórico, Jesus Cristo.
      • Validação da autoridade do quarto evangelho através da identificação histórica de seu autor como João, o discípulo do Senhor.
      • Afirmação de que o evangelho foi escrito para refutar erros gnósticos, como os de Cerinto e dos Nicolaítas.
      • Perspectiva teológica centrada na história da salvação como meio primário de revelação.
      • Correlato hermenêutico da tipologia histórica, onde as profecias são cumpridas nos eventos de Cristo.
      • Reconhecimento de que a questão central é teológica, concernente ao valor revelatório dos eventos históricos, e não apenas metodológica.
    • Exegese de Heracleon sobre o Prólogo Joanino

      • Possível omissão deliberada da exegese de João 1:1-2, focando no contexto cósmico a partir de João 1:3.
      • Interpretação de "todas as coisas" em João 1:3 como referente exclusivo ao cosmos e ao seu conteúdo, excluindo explicitamente o pleroma.
      • Identificação do logos criador em João 1:3 com o Salvador que emerge do aeion pleromático.
      • Interpretação de "nele era a vida" em João 1:4 como a vida divina que emerge nos seres humanos pneumáticos.
      • Distinção entre os pneumáticos, que recebem o poder de se tornarem filhos de Deus, e os psíquicos, que apenas creem em seu nome, com base em João 1:12.
      • Possível interpretação pluralista do termo "unigênito" em João 1:14 para incluir os pneumáticos que se tornam essencialmente idênticos ao Salvador.
    • Ataque de Orígenes à Exegese de Heracleon

      • Crítica à exclusão do pleroma do escopo de "todas as coisas" em João 1:3.
      • Acusação de que Heracleon propõe uma teoria determinista da salvação baseada em "naturezas espirituais" fixas desde o nascimento.
      • Interpretação da exegese de Heracleon sobre João 1:4 como uma identificação forçada entre o Logos e os pneumáticos.
      • Redução da soteriologia valentiniana a um determinismo substantivo para fins polêmicos.
      • Centralidade da controvérsia antropológica e soteriológica sobre as "naturezas" no debate com o Valentinianismo na época de Orígenes.