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id da página: 1110 Coomaraswamy – Figuras da Linguagem – Ornamento Ananda Coomaraswamy »  Coomaraswamy Arte

Ornamento

Ornamento

  • A natureza parabólica do estilo escriturístico, segundo Clemente de Alexandria, e a utilização de figuras de linguagem pela profecia não por elegância de dicção.
  • A perda progressiva de conteúdo nas formas sensíveis dos artefatos, observada por W. Andrae, e o esvaziamento do equilíbrio polar entre o físico e o metafísico.
  • A indissociabilidade entre utilidade e significado, conceitos unificados na palavra sânscrita artha, inconcebível para o homem primitivo ou em qualquer cultura tradicional.
  • A função da obra de arte na filosofia tradicional como um lembrete, cuja beleza convoca para uma tese a ser compreendida, e não meramente desfrutada.
  • A integridade da ornamentação e decoração como fatores essenciais da beleza e da eficácia da obra de arte, e não como partes insignificantes.
  • A aberração moderna da preocupação com os aspectos decorativos e estéticos da arte, que pouco tem a ver com os propósitos originais do ornamento.
  • A crítica de Maes à separação do objeto da sua significação social e do seu papel étnico na arte negra, reduzindo-a ao seu lado estético.
  • A posição de Karsten de que os ornamentos dos povos selvagens devem ser estudados em conexão com as suas crenças mágicas e religiosas.
  • A aplicação destas considerações não apenas à arte negra, selvagem e popular, mas a todas as artes tradicionais, como as da Idade Média e da Índia.
  • A história semântica de palavras que expressam noção de ornamentação e o seu desvio de um sentido de completude para um valor estético adventício.
    • O significado original de "decorar" como dotar um objeto ou pessoa dos seus "acidentes necessários" para uma operação adequada.
    • A secundarização da conotação prática face aos sentidos estéticos nas palavras.
    • A degeneração do significado de termos como "artifício" e "artificial", outrora ligados à feitura pela arte.
  • A análise da palavra sânscrita alamkara e a sua evolução semântica.
    • A composição de alamkara a partir de alam (suficiente) e kr (fazer), significando originalmente "tornar adequado".
    • O uso de alam-kr em contextos védicos referente à ordenação devida do sacrifício, e não ao seu adorno.
    • O significado primordial de "adorno" como o fornecimento do essencial para a validade e eficácia do que é adornado.
    • A concepção da alamkara-sastra como a ciência da ornamentação poética, correspondente à arte retórica da comunicação eficaz.
    • A distinção entre poesia e prosa pelo "sabor" (rasa), e não pelos ornamentos.
    • A indissolubilidade entre som e significado, e a conexão radical entre forma e significado em todas as artes.
  • A análise das palavras sânscritas bhúsana e bhús.
    • O seu valor védico ligado ao aumento da eficácia, e não à mera ornamentação.
    • A raiz bhu (tornar-se) com nuance causativa, implicando aumento, fortalecimento e glorificação.
    • A sobrevivência desta conexão em conceitos como "glorificar" e "magnificar".
    • O valor metafísico ou mágico original das joias, como talismãs para conceder poder.
    • A concepção contemporânea de decorações, como insígnias, como equipamento que confere poder, e não como honra vazia.
  • A análise da palavra sânscrita abharana.
    • O seu significado literal de "assunção" ou "atributo".
    • A função iconográfica dos atributos de uma divindade em denotar o seu modo de operação.
    • O exemplo do bracelete de concha usado para longa vida, entendido como algo "trazido" das águas.
    • O termo aharya, significando inicialmente nutrição e, posteriormente, o vestuário e joias de um ator como fator de expressão dramática.
  • A questão de Gonda sobre se os ornamentos retóricos foram sempre meros embelezamentos.
    • A presença de figuras de estilo nos textos védicos e no cânone budista Pali, que não simpatizam com a ornamentação pela ornamentação.
    • A função inerente do estilo parabólico das escrituras, necessário para expressar o seu fardo através de analogias.
    • A existência de uma linguagem sagrada ou ritual (Sondersprache), distinta da linguagem coloquial.
    • A evolução de alamkrta, de "tornado adequado" para "embelezado".
  • A análise da palavra sânscrita subha.
    • O seu significado posterior de "amável" e o seu significado original ligado ao "bom" e ao "bem".
    • A expressão subhah silpin no Ramayana, referindo-se a um "bom artesão", e não a um artesão pessoalmente belo.
    • O uso de sumbhami no Rig Veda no sentido de "equipar" ou "aparelhar", e não de "adornar".
    • A primazia da aptidão sobre a beleza no equipamento, como no caso da parelha de um cavalo de corrida.
    • O prazer na coisa bem feita para o seu propósito, em contraste com o prazer na mera aparência, que caracteriza o ornamento excessivo para exibição.
  • A concepção tradicional da utilidade de um artefato, que nunca foi uma mera adaptação funcional.
    • O reconhecimento do "equilíbrio polar do físico e do metafísico" de Andrae em toda a obra de arte tradicional.
    • A satisfação simultânea de requisitos práticos e espirituais (alam-karana).
    • O exemplo da parelha provida com símbolos solares, representando o cavalo de corrida como uma semelhança do Sol e a corrida como uma imitação dos atos dos deuses no princípio.
  • O exemplo do Satapatha Brahmana sobre o uso de um ornamento pela sua significação, e não como adereço.
    • O cavalo branco que recebe uma ornamentação de ouro para se tornar um símbolo (rupam) do Sol.
    • A sobrevivência de símbolos solares como "superstições" ou "formas de arte" quando os contextos da vida são secularizados e o significado é esquecido.
    • A crítica de Marco Pallis à superstição como um símbolo que continua em uso após o esquecimento do seu significado original.
    • A definição da cultura contemporânea como predominantemente "supersticiosa" e "não inteligente" do ponto de vista destas definições.
  • A análise da palavra grega kosmos.
    • O seu significado primário de "ordem" (rta em sânscrito), referindo-se à ordem devida das coisas ou à ordem mundial.
    • O seu significado secundário de "ornamento".
    • O verbo kosmeo, significando "ordenar ou arrumar" e, secundariamente, "equipar, adornar".
    • A relação entre kallunein (embelezar) e atividades como escovar e varrer.
    • A conexão entre uma "ordem" original e um "ornamento" posterior, evidente em termos como kosmetike (a arte do vestuário e do ornamento) e kosmetikon (cosmético).
  • A intenção original dos ornamentos corporais, como unguentos, tatuagens e joias, não como mera vaidade, mas como uma questão de decoro e equipamento necessário.
    • A perspectiva da mulher hindu, que se sente despida e desordenada sem as suas joias, considerando-as um equipamento necessário para funcionar como mulher.
    • A conexão entre o adornamento próprio das mulheres e a prosperidade dos seus parentes masculinos, segundo Manu.
    • O abandono dos ornamentos pela viúva, tornando-se "inauspiciosa".
    • O uso de cosméticos no antigo Egito e Índia como uma questão de propriedade, e não de vaidade.
    • O ato de pentear os cabelos como uma questão primordial de decoro.
  • A análise das palavras latinas e inglesas "decoração" e "ornamento".
    • O verbo ornare, primariamente "aparelhar, mobiliar, prover com o necessário" e, secundariamente, "embelezar".
    • Ornamentum, primariamente "aparelho, equipamento, arreios" e, secundariamente, "embelezamento, joia, quinquilharia".
    • A definição de "ornamento" por Webster como "qualquer adjunto ou acessório (primariamente para uso...)".
    • O uso do termo "ornamentos" no direito eclesiástico no sentido mais amplo da palavra ornamentum.
    • A relação entre "decoração" (decor) e "decoroso" ou "decente", significando adequação ao caráter, tempo, lugar e ocasião.
    • A afirmação de Edmond Pottier de que o ornamento foi, antes de tudo, um instrumento prático que trazia vantagens reais ao possuidor.
  • A lei da arte em matéria de decoração, segundo Santo Agostinho e a filosofia escolástica.
    • A condenação da ornamentação que excede os limites da responsabilidade para com o conteúdo da obra, considerada sofisma e extravagância.
    • O pecado artístico e moral do excesso, tal como expresso por São Crisóstomo em relação às artes dos sapateiros e dos alfaiates.
    • A licitude do adornamento dentro dos limites do que é próprio e não superfluo ou fantástico, conforme a Summa Theologica.
    • A regra de que "nada pode ser útil a menos que seja honesto", excluindo toda a arte pretensiosa.
    • A concordância notável entre as leis da arte e as leis da moral.
  • A proposição universal de que os termos que implicam ornamentação possuíam originalmente o sentido de equipamento próprio e completude.
    • A analogia entre a ornamentação de pessoas e coisas e os atributos (a-bharana) da Divindade.
    • A concepção do não ornamentado como "nu", e de Deus "despido de todo ornamento" como incondicionado (nirguna) e inconcebível.
    • A relação do ornamento com o seu sujeito como a natureza individual com a essência, sendo o ornamento adjetival.
    • A essencialidade do ornamento apropriado para a utilidade e a beleza, seja no sujeito ou externamente adaptado a ele.
    • A restrição da eficiência e da beleza pelo ornamentação inadequada ou excessiva.
  • A crítica à visão moderna da arte como um valor essencialmente estético.
    • A confusão moderna entre a beleza objetiva da ordem e o prazer subjectivo.
    • A afirmação da filosofia escolástica de que "a beleza tem a ver com a cognição".
    • A rejeição da explicação da arte tradicional por instintos decorativos ou propósitos estéticos como uma falácia patética.
    • A acusação de que se divorciou a "satisfação" do artefato do artefato mesmo, prostituindo a sua tese a uma aisthesis, o que constitui o pecado da luxúria.
    • O apelo aos historiadores da arte e da ornamentação para abordarem o seu material de forma mais objetiva.
    • A sugestão ao "designer" de que deve proceder antes de um sentido de comunicar do que de uma intenção de agradar.