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id da página: 8719 IBN ARABI – ENGASTES DE SABEDORIA – NO VERBO DE DAVI Ibn Arabi

Ibn Arabi Fusus Davi


VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS

A SABEDORIA DO SER NO VERBO DE DAVI

O profeta Davi, como todos os profetas que figuram nesta obra, foi o contexto humano especial e particular para algum aspecto particular da Sabedoria divina. Em seu caso, foi a nomeação pessoal para o ofício de vice-gerente, cuja função é, em um sentido geral, compartilhada potencialmente por toda a humanidade. O homem, para o Islã em geral e para o Sufismo em particular, é, como já foi mencionado na Introdução, ao mesmo tempo o escravo e o representante nomeado de Deus, aquela criação microcósmica única que reflete em sua composição tanto a natureza criada do Cosmo quanto a criatividade de Deus, sendo de ambos, mas não sendo completamente nenhum dos dois.

O homem, como khalifah [vice-gerente], não deve falhar em sua mordomia divina de se lembrar [dhikr] sempre Em Cujo Nome ele age e comanda, estando sempre em perigo do pecado de autodeificação ou da associação de si mesmo [shirk] com Deus, como uma identidade separada. Como é claro a partir deste capítulo, o ofício de vice-gerente é de dois tipos, um preocupado com assuntos espirituais e divinos, o outro dirigido à ordenação do Cosmo, um interior e universal, o outro exterior e restrito a uma herança religiosa particular. O primeiro tipo se relaciona com aquela Sabedoria interior, mencionada no Corão, que impele o homem a reafirmar seu compromisso com a unicidade da Identidade divina e a apagar a sua própria na Unidade divina do Ser. O segundo está relacionado à revelação da Escritura que exorta o homem a governar e a ordenar as muitas e complexas preocupações deste mundo, que é o tipo com o qual Davi foi pessoalmente investido, de acordo com o Corão [XXXVIII:26], não indiretamente por alguma autoridade humana, como é geralmente o caso, mas diretamente por Deus mesmo.

A Vice-gerência exterior é concedida apenas a certos profetas e apóstolos ou a seus sucessores, seja por nomeação, eleição ou providência, à parte da vice-gerência geral implícita em todo poder e atividade humanos. O ofício interior é concedido, muitas vezes de uma forma mais direta, a certos santos que são nomeados para serem transmissores especiais de poder e de autoridade espirituais. Não há dúvida de que, para Ibn Arabi, a Vice-gerência interior era o ofício maior e, em vista de seu próprio senso especial de missão espiritual, ele provavelmente considerava que ele mesmo desfrutava desse privilégio. Ele é rápido em apontar, no entanto, que tal pessoa sempre, exteriormente, se conformaria e prestaria lealdade à Tradição do profeta ou apóstolo sob cuja dispensação ele estivesse vivendo.

Davi, no entanto, é o único indivíduo nomeado por nome para este ofício, e assim ele consagra em sua vida e pessoa aquela Sabedoria particular de governança que é ela mesma um modo da revelação do Espírito no homem.

O capítulo termina com ainda uma outra discussão a respeito da tensão entre o Desejo divino, conforme expresso na Lei Sagrada, e a Vontade existencial, conforme manifestada pelo que realmente acontece no Cosmo.