CAPUTO, John D. Heidegger and Aquinas: an essay on overcoming metaphysics. New York: Fordham University Press, 1982
Introdução
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O confronto filosófico entre Martin Heidegger e Tomás de Aquino sobre o Ser e a metafísica
- A natureza de um confronto filosófico genuíno centrado na matéria a ser pensada e não em comparações históricas
- O interesse exclusivo na questão de como o Ser pode ser pensado, e não no estabelecimento de conexões entre filósofos
- A posição de Tomás de Aquino e de Martin Heidegger como filósofos do Ser por excelência, cada um com uma pretensão de insight único
- O ponto crítico do confronto: a inclusão recíproca de Tomás de Aquino e Martin Heidegger na história do esquecimento do Ser
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A interpretação de Étienne Gilson sobre a história da metafísica e a singularidade de Tomás de Aquino
- A tese de Gilson sobre a história da metafísica como uma série de reduções do Ser a algo conceitual
- A redução do Ser à unidade no platonismo, à substância no aristotelismo e à essência na tradição de Avicena a Hegel
- A exceção tomista: Tomás de Aquino como o pensador que permanece no elemento do Ser como ato existencial, o esse
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A concepção heideggeriana do esquecimento do Ser e do pensamento do Ser
- A acusação de Martin Heidegger de que a metafísica reduz o Ser a algo entitativo, como eidos, ousia, Gegenstand ou actualitas
- A prática do pensamento do Ser, o Seinsdenken, como a meditação do Ser como physis, o mero emergir na presença
- O questionamento da possibilidade de incluir a metafísica do esse na história do esquecimento do Ser
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A opinião sobre a pertença da metafísica existencial tomista ao esquecimento do Ser no sentido heideggeriano
- A distinção entre o "essencialismo" criticado por Gilson e o "esquecimento do Ser" denunciado por Martin Heidegger
- A afirmação de que a compreensão do Ser em termos de essência e existência pertence ao esquecimento, independentemente do princípio que tenha primazia
- A crítica à resposta habitual dos tomistas por subestimar a radicalidade da crítica heideggeriana
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O desenvolvimento do pensamento de Martin Heidegger sobre a metafísica como onto-teo-logia
- A conclusão de Martin Heidegger de que a palavra "Ser" pertence aos metafísicos e não serve mais para a matéria do pensamento
- A preocupação do pensamento com aquilo que concede o Ser como tema da metafísica, e não com o Ser dos metafísicos
- A abertura da diferença ontológica entre Ser e ente por meio do que Martin Heidegger chama de Unter-Schied ou Ereignis
- A história da metafísica como história das diversas dispensações do Ser, enquanto o "Há" que dá o Ser permanece impensado
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A caracterização da metafísica como o pensamento do diferente, mas não da diferença como tal
- O movimento de toda metafísica dentro da diferença entre Ser e ente, pensando o Ser como fundamento ou causa dos entes
- A aplicação a Tomás de Aquino: o pensamento da diferença entre esse subsistens e ens participatum
- A incapacidade da metafísica para tematizar o diferenciar na diferença, o claro-aberto que ilumina a diferença ontológica
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A leitura heideggeriana da ingenuidade histórica do pensamento de Tomás de Aquino
- A afirmação de que Tomás de Aquino pensou o Ser "ingenuamente" nos termos que lhe foram concedidos pela tradição
- O gênio de Tomás de Aquino em levar a tradição aristotélica a uma conclusão consumadora, mas não em questionar a sua proveniência
- A falta da redução histórica ou da acuidade para pensar o envio do Ser na linguagem latino-romana
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A inadequação das defesas tomistas que insistem na metafísica existencial do esse
- A afirmação de que argumentos de autores como Lotz, Rioux e Siewerth confirmam a crítica heideggeriana ao permanecerem no âmbito da diferença ontológica
- A centralidade do esquecimento da experiência grega primordial de aletheia no pensamento de Tomás de Aquino
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A transformação romana e cristã dos conceitos gregos no pensamento de Tomás de Aquino
- A caracterização de Tomás de Aquino como filósofo da actualitas e não da aletheia
- A interpretação romana de energeia como actualitas, concebendo o Ser em termos de ação, fazer e produção
- A captura da metafísica da "atualidade" por um esquema metafísico causal, articulando a doutrina da criação na linguagem da produção
- O alinhamento da metafísica tomista com a concepção tecnológica do Ser e sua relação com a concepção nietzschiana de Ser como vontade
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A concordância com a crítica heideggeriana à metafísica tomista como aletiologia
- Ao longo deste estudo, uso a palavra "aletiologia" para me referir à doutrina de Heidegger sobre os entes como αλήθεια. Considero a aletiologia como a sucessora de sua "fenomenologia" anterior, uma palavra que vincula seu pensamento posterior a Husserl e à tradição da subjetividade transcendental, que ele considera essencialmente "metafísica". O Oxford English Dictionary define "alethiology" como a ciência da verdade, e aponta que a palavra é usada nesse sentido em Logic, de William Hamilton, iv 69. F. W. von Herrmann também fala da "concepção aletiológica da verdade" do último Heidegger, em oposição à concepção "transcendental" da verdade em Entes e tempo (Die Selbstinterpretation Martin Heideggers [Meisenheim: Hain, 1964], pp. 45-46). Sigo a ortografia do OED.
- A caracterização de Tomás de Aquino como pensador causal, um "etiologista" e não um "aletiólogo"
- A afirmação de que Tomás de Aquino é um bom exemplo do que Martin Heidegger entende por história da metafísica
- A ineficácia das tentativas de defender Tomás de Aquino por não compreenderem o caráter radicalmente aletiológico do ponto de vista heideggeriano
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A busca de uma dimensão mais profunda em Tomás de Aquino para além da metafísica
- A suspeita de que há outra dimensão em Tomás de Aquino, dada a sua profunda piedade religiosa e senso do sagrado
- A análise do quadro de Justo de Gante no Louvre como testemunho do mundo de Tomás de Aquino
- A descrição da pintura que revela um mundo de compostura, pietas, meditação e Gelassenheit, e não de disputa escolástica
- O silêncio de Tomás de Aquino, revelado pela pintura, como aquilo que dá significado às suas palavras
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A proposta de uma interpretação hermenêutica profunda do pensamento de Tomás de Aquino
- A crítica aos comentadores por se aterem às palavras de Tomás de Aquino e negligenciarem o seu silêncio
- A necessidade de uma interpretação pensativa que procure a dimensão de profundidade em Tomás de Aquino, à maneira de Martin Heidegger
- A sugestão de que uma leitura à luz da arte medieval teria levado Martin Heidegger a conclusões diferentes sobre Tomás de Aquino
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A estratégia para enfrentar a crítica heideggeriana mediante uma desconstrução da metafísica tomista
- A proposta de mostrar que a metafísica em Tomás de Aquino tende a se autodestruir e a passar para uma experiência mais profunda do Ser
- O método da recuperação ou desconstrução como desmontagem do aparato superficial do pensamento para encontrar seu centro animador
- A necessidade do "passo para trás" para fora da metafísica, superando-a, passo que os comentadores tomistas não pensaram em dar
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O princípio hermenêutico para a desconstrução fornecido pela experiência mística final de Tomás de Aquino
- O relato da experiência mística de 6 de dezembro de 1273 e a declaração a Reginaldo: "Tudo que escrevi parece palha comparado ao que vi e me foi revelado"
- A interpretação da afirmação como princípio de que o escrito deve ceder lugar à aletheia, ao que foi revelado e visto
- A necessidade de desconstruir os textos à luz da experiência do esse subsistens, experiência para a qual eles dão lugar
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A existência de uma experiência mística animadora por baixo do arcabouço da metafísica escolástica de Tomás de Aquino
- A afirmação de que a metafísica de Tomás de Aquino é uma expressão conceitual alienada de sua vida mística
- A caracterização dos sistemas medievais como conceitualizações de uma visão de vida essencialmente mística, e não como estruturas onto-teo-lógicas
- A ironia de Martin Heidegger ter reconhecido em 1916 a unidade entre escolástica e misticismo, mas depois ter abandonado a chave para interpretar o pensamento medieval
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O projeto de uma recuperação detalhada da metafísica de Tomás de Aquino centrada na passagem da ratio para o intellectus
- A intenção de mostrar que Tomás de Aquino via a ratio como um instrumento defeituoso, cujas limitações devem ser reconhecidas
- A tendência da ratio a se romper e passar para o intellectus como faculdade de união mística, seguindo a análise de Pierre Rousselot
- A distinção entre a verdade proposicional como adaequatio e a verdade mais profunda como assimilatio e unio
- A dissolução do objetivismo e do representacionalismo na visão face a face, onde a metafísica é superada
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A justificação da leitura desconstrutiva como fiel às intenções mais profundas de Tomás de Aquino
- A afirmação de que Tomás de Aquino não era um tomista e de que o intérprete pode compreendê-lo melhor do que ele a si mesmo
- A caracterização da leitura não como violência, mas como liberação de uma tendência profunda no trabalho de Tomás de Aquino
- A chave para Tomás de Aquino encontrada no non possum, que contém a possibilidade mais profunda de seu pensamento
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A definição da tarefa do pensamento como uma aletiologia do Ser ou uma metafísica aletiológica
- A visão de que o método metafísico tradicional objetivo e causal só revela uma criatura de nossa própria fabricação
- A crença em que o Ser nos é "concedido" numa experiência que deve ser fielmente expressa, ensinada explicitamente por Martin Heidegger e implicitamente por Tomás de Aquino
- A sabedoria comum em Martin Heidegger e Tomás de Aquino sobre a insatisfação do intelecto com a racionalização e seu desejo de união e visão direta
- O papel de Mestre Eckhart como seguidor fiel de Tomás de Aquino na busca por deixar Deus ser Deus
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A conclusão sobre a unidade profunda de misticismo e pensamento em Tomás de Aquino uma vez desconstruída a metafísica
- A afirmação de que a unidade mística do intellectus e do esse é mundos distantes do pensamento do Ser de Martin Heidegger
- A alethiologia tomística possível, que vê a luz na qual vemos a luz, não sendo o claro-aberto heideggeriano, mas superando a metafísica
- A chave para Tomás de Aquino no non possum como a possibilidade mais profunda de seu pensamento, na qual a metafísica é superada
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O roteiro para o desenvolvimento do argumento ao longo do estudo
- A investigação dos inícios escolásticos e católicos de Martin Heidegger
- A análise da crítica de Martin Heidegger à escolástica em 1928 e 1943
- A defesa tomista através do exame da tese de Gilson e da metafísica da participação
- A exposição da crítica radical da metafísica nos textos da maturidade de Martin Heidegger
- O tratamento da leitura heideggeriana do Anwesen nos gregos antigos e a comparação com o esse tomista
- A revisão das tentativas fúteis de defender Tomás de Aquino
- A execução da leitura desconstrutiva da metafísica de Tomás de Aquino