''Excertos por termos (espanhol)
O esoterismo é definido como uma doutrina que ultrapassa as capacidades ordinárias dos homens, reservada por sua natureza e pela profundidade de sua verdade. Não se confunde com desvios ou sincretismos, mas corresponde à sophia perennis, essência universal que se manifesta em diferentes tradições religiosas e filosóficas. A sua função não é afirmar uma superioridade intelectual, mas evocar a totalidade da verdade e os direitos da inteligência em sua relação viva com o divino.
Mesmo parecendo paradoxal divulgar o que é reservado, em tempos de confusão espiritual a comunicabilidade se torna necessária. Somente as doutrinas esotéricas são capazes de satisfazer a exigência de causalidade que as filosofias e ciências modernas suscitam. O fato de não serem aceitas decorre tanto de limitações de imaginação quanto de atitudes espirituais restritas, mas ainda assim representam a única via que restitui a verdade integral, superando fragmentações e limites confessionais.
As formas religiosas históricas apresentam recortes, ocasionados por circunstâncias humanas, que fazem perder a visão da verdade total. O esoterismo explica esses recortes e reconduz à plenitude. Nenhuma religião ou ideologia tem por finalidade salvar o mundo inteiro, mas apenas oferecer aos homens os meios de salvar-se, sempre em liberdade. A história espiritual mostra-se como luta constante entre o dom divino e a recusa humana, o que explica exageros e resistências que marcam o caminho.
As tradições da Índia, com as Upanishads, e do Islã, como última revelação, representam polos extremos de um mesmo ciclo espiritual, reencontrando-se simbolicamente em solo indiano. De um lado, a mais antiga formulação metafísica explícita; de outro, o encerramento do ciclo das grandes revelações. Essa convergência é interpretada como sinal de um significado profundo.
No plano do conhecimento, distinguem-se Revelação e Intelecção. A primeira oferece os símbolos e dados indispensáveis, enquanto a segunda revela a essência dessas verdades além das formas recebidas, desde que nada no homem se oponha a isso. Revelação e Intelecção refletem-se mutuamente: a Revelação como Intelecção no macrocosmo, a Intelecção como Revelação no microcosmo. Ambas exigem fé, não apenas como aceitação exterior, mas como integração profunda da evidência no ser inteiro, envolvendo vontade e sentimento, que se tornam legítimos quando servem à verdade.
A Intelecção pode valer-se do raciocínio, mas não se reduz a ele. O pensamento, assim como o símbolo, pode tornar-se ocasião de despertar a ciência imanente do Intelecto. A função dos símbolos e da dialética é romper o véu de esquecimento que encobre o saber interior, permitindo que a evidência universal e essencial se manifeste no coração humano, sustentando sua própria existência no que é absoluto.