Christophe Andruzac: RENÉ GUÉNON, LA CONTEMPLATION MÉTAPHYSIQUE ET L'EXPÉRIENCE MYSTIQUE
Se a escolástica decadente via bem na essência uma determinação específica, ela assimilava a substância de um ser a sua função de sujeito (atitude a receber modos de ser secundários chamados acidentes): a grande descoberta de Aristóteles da ousia (princípio próprio de ser-segundo-a-forma) estava perdido. Importa em nossa época redescobrir a ousia e o ato (princípio próprio de ser-segundo-o-fim) — e não princípio do movimento, como inclina ao pensar o sentido corrente do termo), pois sua descoberta esclarece de uma maneira intensa todo o saber filosófico, e é por eles que a inteligência especulativa se eleva para a descoberta da existência de um Ser Primeiro. Além do mais a aquisição da familiaridade da apreensão dos princípios primeiros (o habitus metafísico) dispõe ao habitus contemplativo do Nous: é a via de Aristóteles para o «tigein» pelo Nous da luz inefável do Ser Primeiro. Na linha da determinação formal (que funda a inteligibilidade), a essência está em potência em relação ao esse. A essência (valeria melhor falar da quididade) é a determinação do ser; ela não é princípio, ao passo que a ousia é princípio. Sendo primeira do ponto de vista da determinação (logo da inteligibilidade), a essência precisa bem algo que a substância (a ousia) não explicita — posto que a pressupondo (a ousia é princípio segundo-a-forma). Qualquer que seja a convenção adotada (a escolástica ou essa de Guénon — preferimos tanto quanto possível voltar àquela de Aristóteles, pois ela tem valor de fonte), não se pode dizer que haja exatamente de essência à substância relação de potência a ato.