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id da página: 4462 Eckhart Sermão 3 – Resumo Ancelet-Hustache Mestre Eckhart

Ancelet Eckhart Sermo 3

Excertos dos resumos de cada sermão, da tradução francesa de Jeanne Ancelet-Hustache

Sermon 3 — Nunc scio vere, quia misit dominus angelum suum (Actes des apôtres 12, 11).

RESUMO DE ANCELET-HUSTACHE

Ainda se trata do conhecimento e da vontade que unem a alma a Deus.

Assim como nota Josef Quint, Eckhart emprega habitualmente um dos termos verstantnisse (bekantnisse), vernünfticheit (vernunft), de sentido próximo, quando quer opô-los à vontade. No início do sermão 3, ao contrário, atribui um papel diferente à bekantnisse (conhecimento) e à vernünfticheit (intelecto). O conhecimento faz a ruptura, corre adiante, faz o intelecto entrar no ser puro, ou seja, no Deus sem véu, a Deidade. O conhecimento (bekantnisse) é uma princesa, dirá um pouco adiante o pregador, parecendo bem identificá-lo ao intelecto, visto que atribui aqui ao único conhecimento (bekantnisse) os papéis que havia previamente compartilhado entre o conhecimento (fazer a ruptura) e o intelecto (encontrar Deus sem véu). E como se experimentasse um pesar por ter dado à vontade um lugar muito pequeno, Eckhart acrescenta: “...ele (o conhecimento) diz então à sua companheira a vontade aquilo de que tomou posse, embora já tivesse tido a vontade anteriormente, pois o que se quer, busca-se...”

Apesar de alguma flutuação nos termos, o pensamento de Eckhart permanece legível: é o conhecimento que se apodera da unidade de Deus, não a vontade.

Os mestres ensinam que o anjo é o mais próximo de Deus (anjo significa aquele que porta uma mensagem), por isso é enviado à alma a fim de reconduzi-la à “primeira imagem”, a imagem original, Deus, onde todas as coisas são apenas uma.

Algumas linhas adiante, Eckhart insiste nesta união: a alma está estabelecida na pureza primeira, na impressão da pura essência, onde saboreia Deus antes que Ele revista verdade ou cognoscibilidade..., ou seja, sem Seus atributos: Sabedoria, Justiça, Bondade e outros, mas lá onde Ele é “diu gotheit”, a Deidade.

Um parágrafo do sermão estabelece uma espécie de controvérsia entre “os mestres” que pensam que os conhecimentos adquiridos aqui na terra permanecerão na eternidade, e são Paulo que o nega; mas, pensa Eckhart, mesmo que este conhecimento permaneça, ele será como algo insensato (toerinne), comparado à pura verdade que será dada lá no alto, pois tudo o que se vê aqui submetido à mudança será lá imutável e próximo, presente e fora do tempo.

Uma frase de Nunc scio vere... atraiu a fúria dos censores de Colônia (Segundo ato de acusação). Traduziram assim uma frase que se encontra duas vezes no sermão em questão: Omne quod est, hoc est deus (tudo o que é é Deus), o que soa nitidamente panteísta, ao passo que o original — swaz in gote ist, daz ist got — (tudo o que está em Deus é Deus) propõe apenas um lugar-comum da escolástica. E, diz Josef Quint, a tradição manuscrita é unânime quanto às duas citações. Tem-se aqui uma prova a mais da forma como os ataques contra Mestre Eckhart foram conduzidos.