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id da página: 13312 Balsekar – Experienciando – Facetas do ensinamento de Nisargadatta

Balsekar Experienciando Nisargadatta

NisargadattaRamesh Balsekar – Experienciando o ensinamento

BALSEKAR, Ramesh S. Experiencing the teaching. Calif: Advaita Pr, 1988.

Estou plenamente ciente de que qualquer tipo de investigação sobre si mesmo deve partir da premissa básica de que eu não sou o que pareço ser fenomenicamente. Talvez o condicionamento seja demasiado poderoso, mas além de um claro entendimento intelectual do fato, acho extraordinariamente difícil experienciar o Ensino. Por vezes, sinto-me muito desanimado acerca disso.

Analisaremos a questão da aparência da realidade em breve. Mas primeiro há um aspecto mais simples e mais importante a ser discutido. Quando esta dificuldade era apresentada, Nisargadatta Maharaj costumava fazer uma pergunta direta: "Quem está a fazer esta pergunta?" A mente dividida apresenta a dificuldade e busca uma solução no mesmo contexto deturpado. É um quadro de referência distorcido. Maharaj explicaria que podes perceber teu corpo (pelo menos uma parte dele) sem o auxílio de um espelho e podes também observar o pensamento a apresentar problemas. É uma verdade evidente que o percipiente não pode ser o percebido. Visto que o corpo-mente é um aparelho psicossomático estendido no espaço-tempo, o percipiente deve estar noutra dimensão que inclui o volume que está no espaço-tempo. Esta dimensão – que é o verdadeiro tu (e todos os seres sencientes) – deve obviamente ser o próprio espaço-tempo, que inclui o volume. Em suma, o pensamento, o problema, é algo totalmente aparte daquilo-que-és. Tudo o que "tu" podes fazer é testemunhar o surgimento do problema, ou mais precisamente, o problema só pode ser testemunhado – como qualquer cena na estrada – sem qualquer envolvimento de "ti".

Ainda não compreendo por que pensas que eu não sou o que pareço ser fenomenicamente.

A resposta apresentar-se-á se puderes dizer-me, com a tua maneira ingênua de ser (na qual as pessoas geralmente consideram o assunto), quem pensas que és.

Com a minha mente simples, digo que sou o que está aqui sentado a conversar contigo.

Queres dizer, um objeto – um objeto tridimensional – com um nome que alguém lhe deu?

Há algo de errado com isso?

Não de todo. Não há questão de algo estar certo ou errado. Mas teria pensado que um objeto é apenas o que aparece como uma imagem na consciência de alguém; que todos os objetos, como imagens nas mentes dos "outros", são meras inferências. Além do mais, a ciência chegou à conclusão de que a solidez do corpo é ela mesma ilusória porque o corpo é de fato nada mais do que uma série de funções de onda rítmicas, um vazio, uma energia pulsante.

Devo confessar que me sinto bastante perturbado.

Ficas perturbado por te ser dito que o que consideraste como um "eu" separado não é nada mais do que um padrão de onda insignificante. Sem dúvida é um padrão de onda individualizado, mas, no entanto, nada mais sólido do que um padrão de onda com um nome! Isso é porque nunca te consideraste como nada além do objeto "sólido" com um nome.

Mesmo que a ciência me diga que sou apenas um padrão de onda, não é fácil desidentificar-me daquilo que sempre me considerei ser. De qualquer forma, o que sou então?

Não te ocorre que o que és é o que todos os outros são – Senciência? E, portanto, em vez de seres um pequeno "eu" na forma de um objeto, és de fato tudo!

Queres dizer, em vez de ser um humilde funcionário ou mesmo um milionário (com as suas próprias preocupações), eu possuo tudo?

Bem, isso é assim de uma maneira muito geral, mas não num sentido material. Não possuis tudo. És tudo.

Isto vai exigir uma considerável descondicionação – e levará algum tempo.

Não, não precisa. Aperceber O-QUE-É não precisa de tempo. Apercepção é intemporalidade. É o entendimento intelectual na dialética que precisa de tempo. Se estivesses prestes a beber algum líquido, e fosses subitamente alertado de que era veneno, precisarias de tempo para te aperceberes do fato?

Poderíamos continuar a nossa conversa sobre eu ser senciência em vez de um objeto?

Sim, mas nunca disse que o "eu" que mencionaste não é um objeto, mas senciência. O que disse foi que tu, como "SOU", e todas as coisas vivas que podem sentir "Eu" – isso é senciência. Qualquer tipo de objeto não é nada em si mesmo; é apenas algo percebido. Só "Eu" sou. Só "Eu" poderia SER – todo o resto é percebido, e assim não pode HAVER nada além de "Eu".

E quanto a sujeito/objeto?

Sujeito/objeto é apenas outro objeto. Não é nada além do objeto fenomênico. "Eu" estou para além de sujeito/objeto.

Então estás a dizer que "Eu" sou pura numenalidade, e não uma coisa de qualquer tipo.

"Eu" não sou uma identidade que compreende algo. "Eu" sou essa própria compreensão.