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id da página: 11035 Vallin (GVEI:39-42) – Da subjetividade temporalista em geral

Vallin GVEI-39-42


VALLIN, Georges. Être et individualité. Paris: Presses Universitaires de France, 1959

B) Problemas postos pelas estruturas temporais (cont.)

2) Da subjetividade temporalista em geral
É claro que uma interpretação polivalente da subjetividade deve acompanhar a análise das diversas modalidades de temporalização que caracterizam cada uma das "estruturas temporais". A cada uma destas modalidades corresponde um aspecto diferente da subjetividade. No seu sentido mais geral, a subjetividade temporalista equivale — pelo menos no quadro da experiência temporalista que nós buscamos descrever — à consciência imanente intencionalmente dirigida para uma realidade que não tem necessariamente o estatuto da objetividade. A consciência que nós chamaremos aqui "subjetividade temporalista" aparece ao mesmo tempo como intencionalmente dirigida para o real que ela desvela e como um processo de temporalização que caracteriza a sua própria realidade subjetiva. A relação que caracteriza a subjetividade temporalista em geral, portanto, extravasa a relação sujeito-objeto que nós só reencontraremos a título de caso particular no decorrer de nossa análise das estruturas temporais. Além disso, a subjetividade é intencionalmente focada, em cada uma destas esferas, em um aspecto do mundo a cada vez diferente, que não é somente visado como significação, mas como realidade efetiva e densidade existencial.

Antes de abordar a análise da estrutura temporal objetivante, nós precisaremos o emprego que contamos fazer da noção de transcendência, comumente empregada pelos fenomenólogos contemporâneos. A "transcendência" da subjetividade temporalista em relação ao mundo que ela visa e no qual ela se enraíza (de forma diferente segundo cada uma das estruturas temporais) designará em primeiro lugar — no quadro muito geral da "Transdescendência" implicada em uma ótica não metafísica — a superação de toda realidade empírica que caracteriza a subjetividade temporalista em geral. Embora, de fato, a subjetividade trazida à luz no nível das diversas estruturas temporais não seja intemporal à maneira do "eu penso" kantiano, mas sempre engajada de alguma forma no tempo, nós falaremos, no entanto, da subjetividade transcendental para designar a consciência em sua relação com o mundo real e existente no nível das diversas estruturas temporais. Esta "transcendência" implica bem a noção de um grau ou de uma dignidade ontológica superiores àqueles do real que se encontra assim "superado" ou "transcendido", mas esta "superação" não implica de forma alguma que a subjetividade contenha "eminentemente" este real, que não seria — em termos platônicos — senão uma participação degradada. Esta transcendência designa pura e simplesmente a clivagem ontológica e a polarização sem as quais a própria noção de mundo ou de realidade seria desprovida de toda significação, a subjetividade sendo aquilo sem o que não se saberia pensar ou postular algo como um mundo ou uma realidade em geral.

Além disso, no quadro "temporalista" tal como nós o delimitamos, esta primeira forma de transcendência está intimamente ligada a uma segunda forma, que nós devemos precisar. A subjetividade temporalista que se distingue pela recusa explícita de toda participação na Transcendência compreendida no rigor de sua significação tradicional, não somente não é bloqueada em si mesma, na autarquia de um esplêndido isolamento, mas ela se supera necessariamente em direção a um real que é outro que ela e de que ela precisa para adquirir consistência e realidade. Se a "subjetividade" se supera aqui ou se transcende, é para "baixo" e as diversas estruturas temporais aparecerão a este respeito como tantas modalidades da Transdescendência em geral.

Se a subjetividade temporalista deve transcender o mundo real para reconhecer-lhe, se não para dar-lhe necessariamente um sentido, esta transcendência é, portanto, correlativa de uma superação inversa da subjetividade em direção ao real: a subjetividade deve se transcender em direção à realidade do mundo existente. Não se pode concebê-la senão como se superando em direção a este real e esta superação é constitutiva de sua essência. Enquanto subjetividade imanente que cortou todas as relações de participação efetiva com o Princípio metafísico ou transcendente, a consciência não saberia ter realidade independentemente desta relação de transdescendência que somente lhe permite escapar ao vazio e à abstração da interioridade pura.

A subjetividade que transcende a realidade empírica do mundo existente transcende da mesma maneira o eu empírico, mas não se saberia concebê-la independentemente deste último. A subjetividade não é, portanto, pensável como separada de seu corpo, graças ao qual ela tem posse sobre o mundo que ela "transcende" e em direção ao qual ela se transcende. A subjetividade temporalista pode, portanto, ser dita transcendental neste sentido de que ela não se reduz ao eu empírico. Mas se esta subjetividade transcendental que, em cada uma das estruturas temporais, constitui de uma forma particular a modalidade de sucessão dos estados de consciência que afetam o eu empírico, aparece como o fundamento deste último, ela se fundamenta por sua vez no eu empírico neste sentido de que a temporalização e a compreensão temporalizante da realidade do mundo que são a essência da subjetividade temporalista chamam como um complemento necessário um conteúdo empírico sem o qual sua atividade fundamental seria desprovida de conteúdo e de significação.

São, aliás, as etapas e os graus desta "Transdescendência" que traduzem a proximidade cada vez mais acentuada do polo substancial da manifestação cujo papel é aqui fundamental, paralelamente ao afastamento do polo essencial cujo primado caracteriza a perspectiva metafísica.