M. KELKEL. — Gostaria de retomar a questão da tipologia do simbolismo. Perguntei-me se não haveria casos em que o símbolo se confundisse com o síntema, isto é, em que o símbolo pudesse ser ao mesmo tempo um símbolo natural e um símbolo tradicional. Tomo um exemplo: o falo na Polinésia. É, ao mesmo tempo, um símbolo tribal que exprime a fertilidade e também algo de natural. Pergunto-me se aí não estariam reunidas as duas noções — símbolo e síntema.
R. ALLEAU. — A ideia de um falo “natural”, e em geral a própria categoria do “natural”, tal como a entendemos, é absolutamente estranha ao espírito de uma comunidade arcaica. Não há, portanto, distinção que se estabeleça nesse nível. Ainda não existe parcelamento do conhecimento. É preciso insistir nisso. Não se vê o falo em si mesmo em uma obra de arte ou em um rito arcaico; ele está sempre associado a todo o resto, isto é, à plenitude dos sentidos e dos signos de uma cultura, como dizia certa vez Philippe Lavastine: “Se, em uma sociedade tradicional, tiras um objeto, tudo vem com esse objeto.” Não se pode extrair um símbolo isolado de todo o resto; todo o tecido da sociedade tradicional vem com aquilo que se retira. E isso não diz respeito apenas ao falo, mas ao menor dos objetos — uma colher, por exemplo. Se se compreendesse inteiramente um único objeto, compreender-se-ia toda a organização de uma sociedade tradicional.
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]