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Werner Foerster

Gnosticismo — Werner Foerster

Professor emérito de Novo testamento, Evangelisch-Theologisch Fakultät, Münster, Westphalia. Organizador da coletânea em dois volumes, GNOSIS, traduzida para o inglês por R. McL. Wilson.

Síntese de seu pensamento sobre o Gnosticismo.

  • Introdução ao conceito de Gnose

    • Definição e abrangência do termo "Gnose"
      • Distinção entre o termo alemão "die Gnosis" e o inglês "Gnosticismo", sendo o primeiro mais abrangente.
      • Inclusão de materiais herméticos e mandeicos no conceito de Gnose.
    • A natureza do conhecimento gnóstico
      • Caracterização da Gnose como um conhecimento adquirido em um único ato, em contraste com os métodos racionais da filosofia.
      • Citação de Simão, o Gnóstico: "É verdade que naquelas ciências que são geralmente praticadas, quem não aprendeu não possui conhecimento, mas nas questões da Gnose, o homem aprendeu assim que ouviu".
      • Citação de um documento gnóstico pagão: "E imediatamente, de uma só vez, tudo se tornou claro para mim".
      • A suficiência de uma única passagem, corretamente compreendida, para a aquisição da Gnose.
      • A rejeição da prioridade da filosofia pelo gnósticos.
    • Gnose como conhecimento religioso e sua distinção da mística
      • A Gnose como busca de conhecimento religioso, renunciando a fundamentações racionais.
      • Distinção entre a visão mística, que antevê condições pós-morte, e a Gnose, que busca uma compreensão adequada de si mesmo, do mundo e de Deus.
      • A Gnose como cognição, não como experiência que elimina a percepção cognitiva.
      • O uso do termo "aprender" nos escritos gnósticos.
    • O "chamado" como elemento central da Gnose
      • A recepção do chamado pelo "Eu" do homem, que se sente interpelado.
      • A sensação de encontro com algo que já está dentro do homem, embora sepultado, como uma recordação.
      • A analogia da nota musical que ecoa no coração.
      • A base para a aceitação da Gnose ocorrer em um ato único.
    • A singularidade do pensamento gnóstico e a imagem unificadora
      • A inadequação das interpretações que veem a Gnose como uma mistura de Oriente e Ocidente.
      • A proposta de compreender a totalidade da Gnose por meio de uma única imagem: "ouro na lama".
  • A imagem do "ouro na lama" e a hostilidade ao corpo e ao mundo

    • A distinção fundamental entre o "Eu" e o mundo
      • A imagem do "ouro na lama" como expressão da distinção entre o "Eu" do homem e a esfera mundana que o cerca.
    • A hostilidade ao corpo
      • O corpo como "lama" que aprisiona o "Eu" com seus desejos sensuais.
      • A exortação para libertar-se das paixões.
      • A referência ao corpo como "cadáver visível" e "sepulcro" no Tratado VII do Corpus Hermeticum.
      • O contraste com a visão de Platão sobre o corpo.
      • As consequências éticas da hostilidade ao corpo: ascetismo, libertinagem e a doutrina de que todas as ações más devem ser praticadas para a salvação.
      • A existência de grupos gnósticos com éticas respeitáveis, indicando que a hostilidade ao corpo não é o cerne da Gnose.
    • A hostilidade ao mundo e ao cosmos
      • A extensão da hostilidade do corpo para todo o mundo.
      • A falta de apreço pela beleza da terra e a crença de que "o mundo inteiro jaz na maldade".
      • O domínio do poder do Destino, personificado no mundo das estrelas e planetas.
      • A atuação de demônios e a figura do diabo.
      • A visão do cosmos inteiro como "lama".
      • A condenação do cosmos à extinção, mesmo quando usado como indicação do mundo divino.
    • Características da maldade do mundo
      • O caráter transitório de tudo no mundo.
      • O objetivo gnóstico de "não mais vir a ser".
      • O terror da reencarnação e da morte.
      • A busca pelo imutável.
      • A separação dos sexos como pertencente a este mundo a ser transcendido.
  • A natureza divina do "Eu" e a oposição entre Deus e o mundo

    • O "Eu" como elemento divino
      • A imagem do "ouro" indicando que o "Eu" ou "si mesmo" do homem pertence à esfera de Deus.
      • A imutabilidade da qualidade divina no homem, que permanece "boa" mesmo no mundo.
      • A necessidade de o elemento divino ser "formado" para manifestar-se puro, tornando-se "um e o mesmo que o Poder não criado e ilimitado".
      • A certeza da entrada do elemento divino na esfera divina.
    • A doutrina da salvação pela natureza
      • A crença de que o homem gnóstico é "salvo por natureza" e os não-gnósticos são "por natureza perdidos".
      • A crítica de um Padre da Igreja: "Se alguém um gnóstico conhece Deus por natureza... então ele chama a fé de uma existência, não uma liberdade, uma natureza e substância".
    • A transcendência e a incompreensibilidade de Deus
      • Deus como o Fundamento Último do Ser, além da percepção sensorial e da compreensão racional.
      • A descrição de Deus como "causa primal", "profundidade", ou por meio de termos negativos: "Pai desconhecido", "Deus desconhecido".
      • O uso de expressões como "inefável", "indizível" ou "não-existente".
      • A negação até do predicado "inefável" para evitar definições.
      • O uso do prefixo "pré-" (ex.: "Pré-Pai", "Pré-Princípio") para indicar o que antecede tudo o que é visível e concebível.
    • A oposição e a origem do mundo
      • A oposição entre Deus e o mundo.
      • A origem do mundo a partir do antagonismo de dois princípios ou de uma "Queda" de um ser divino.
      • O dualismo severo, mesmo em sistemas como o de Basilides, que fala de um reino "supracósmico".
      • O estado de desordem do mundo, por vezes visto como necessário para a educação do elemento divino.
  • A queda, o chamado e a redenção

    • A questão da origem do "Eu" divino no mundo mau
      • A pergunta central: como o "Eu" divino do homem veio parar neste mundo mau?
      • As diferentes respostas, baseadas no dualismo primal ou na queda de um ser divino.
    • A condição de encarceramento e estupor do "Eu"
      • A incapacidade do "Eu" de, por si só, retornar ao mundo divino.
      • O "Eu" como "entorpecido", "esquecido" de sua pátria, "embriagado" ou "capturado" pelo mal.
      • Citação: "Procura escapar do Caos amargo e não sabe como logrará vencer".
    • A necessidade e a natureza do "chamado" redentor
      • A ajuda deve vir do mundo "totalmente outro", do "Pleroma" (Plenitude), em contraste com o "Kenoma" (Vazio) deste mundo.
      • O "chamado" que rompe o esquecimento, põe fim ao entorpecimento e termina o cativeiro.
      • Citação dos Atos de Tomé: "Levanta-te, sacode o teu sono... Lembra-te de que és filho de um rei".
      • A reação de recordação: "Mas à sua voz levantei-me... do sono... e li. Inteiramente como estava escrito em meu coração estavam escritas as palavras de minha carta. Pensei nisto, que eu era filho de um rei...".
      • A redenção como uma "recordação" despertada pelo chamado, realizada em um único ato.
    • A redenção final e a escatologia
      • O chamado não traz a redenção final, pois o gnóstico permanece preso ao corpo.
      • O "si mesmo" ou "semente" atua como fermento, unindo alma e corpo.
      • A libertação definitiva ocorre com a morte e o fim do mundo, quando a matéria é destruída e o gnóstico ingressa no mundo da luz.
      • A antecipação dessa condição em uma experiência mística é exceção, não a regra.
      • A Gnose como conhecimento, não como experiência de êxtase.
  • A comunidade gnóstica e o fim do mundo

    • A formação de comunidades em torno do revelador
      • Os gnósticos não existem como indivíduos isolados, mas se unem em comunidades.
      • A comunidade se forma em torno de um fundador que recebeu o "chamado" e o transmite.
      • O exemplo de Valentim, que viu uma criança que se identificou como o Logos.
      • O desenvolvimento da revelação fundamental em um mito ou "sistema".
      • A existência de diferentes "escolas" gnósticas com mitos variados.
      • A afirmação de cada grupo de possuir o único conhecimento redentor completo.
      • Citação: "Os de cima..., de onde nós somos,... compreendem Jesus, o Salvador, não parcialmente, mas totalmente, e são os únicos perfeitos de cima; os demais o conhecem apenas em parte".
    • A identidade e o destino coletivo dos gnósticos
      • Os gnósticos se veem como "pessoas divididas" no mundo, destinadas à unidade no reino da luz.
      • São "faíscas de luz" que retornam coletivamente ao Pleroma.
      • O fim do mundo depende dos gnósticos, quando todos retornarem.
    • O estado final após o fim do mundo
      • A remoção de todas as tensões: o fluxo do tempo, a individualidade, a separação dos sexos.
      • A unificação dos gêneros no casamento com os anjos masculinos.
      • A ausência de uma doutrina comum sobre a reabsorção final no princípio único.
      • No Valentinianismo, os "éons" tornam-se semelhantes, mas não se fundem na unidade primal.
      • Fórmulas que sugerem identidade, como no caso dos Marcosianos batizados para a "unidade", ou na Megale Apophasis, onde o "sétimo poder" se torna "um e o mesmo com o poder não criado e infinito".
      • A manutenção da distinção, com a "causa primal" ou poder supremo permanecendo por si só.
  • Síntese dos pontos principais da Gnose

    • Os cinco princípios fundamentais da doutrina gnóstica
      • O antagonismo irreconciliável entre este mundo e o Deus incompreensível, a "causa primal".
      • O "si mesmo", o "Eu" do gnóstico, é inalteravelmente divino.
      • Este "Eu", no entanto, caiu neste mundo, foi aprisionado e anestesiado por ele, e não pode libertar-se sozinho.
      • Apenas um "chamado" divino do mundo da luz solta os laços do cativeiro.
      • O retorno do elemento divino à sua pátria só ocorre no fim do mundo.

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