Skip to main content
id da página: 10475 Virtudes Morais

Virtudes Morais

VIRTUDES MORAIS

Ascetismo e Misticismo

Tanquerey: COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA

Chamam-se morais estas virtudes, por dois motivos: a) para se distinguirem das virtudes puramente intelectuais, que nos aperfeiçoam a inteligência sem relação alguma com a vida moral, como a ciência, a arte, etc.; b) para se diferençarem das virtudes teologais, que também regulam, é certo, os nossos costumes, mas, como já dissemos, têm a Deus diretamente por objeto, ao passo que as virtudes morais, visam diretamente um bem sobrenatural criado, por exemplo, o domínio das nossas paixões. Importa, contudo, não esquecer que as virtudes morais sobrenaturais são também verdadeiramente uma participação da vida de Deus e nos preparam à visão beatífica. Demais, essas virtudes, à medida que se aperfeiçoam, e sobretudo quando são completadas pelos dons do Espírito Santo, acabam por se aproximarem de tal modo das; virtudes teologais que são por elas como totalmente impregnadas, nem são mais que manifestações diversas da caridade que as informa.

As virtudes morais, consideradas nas suas diversas ramificações, são numerosíssimas; mas todas se reduzem às quatro virtudes cardiais, assim chamadas (da palavra cardines, gonzos), por serem, digamos assim, os quatro gonzos em que giram todas as demais.

Estas quatro virtudes correspondem efectivamente a todas as necessidades da alma e aperfeiçoam todas as suas faculdades morais.

A) Correspondem a todas as necessidades da alma.

a) Cumpre-nos, antes de tudo, escolher os meios necessários ou úteis à consecução do nosso fim sobrenatural: é o papel da prudência.

b) É-nos também necessário respeitar os direitos de outrem: é o que faz a justiça.

c) Para defendermos a nossa pessoa e os nossos bens contra os perigos que nos ameaçam, sem medo nem violência, necessitamos da fortaleza.

d) Para usarmos dos bens deste mundo e dos prazeres, sem ultrapassarmos a medida, precisamos da temperança.

Assim pois, a justiça regula as nossas relações com o próximo, a fortaleza e a temperança as relações connosco, a prudência dirige as outras três virtudes.

B) Aperfeiçoam todas as nossas faculdades morais: a inteligência é regulada pela prudência, a vontade pela justiça, o apetite irascível pela fortaleza, o apetite concupiscível pela temperança. Notemos contudo que, como o apetite irascível e concupiscível não são susceptíveis de moralidade, senão mediante a vontade, a fortaleza e a temperança residem tanto nesta faculdade superior como nas inferiores, que recebem a sua direcção da vontade.

C) Acrescentemos, enfim, que cada uma destas virtudes pode ser considerada como um gênero que contém partes integrantes subjectivas e potenciais.

a) As partes integrantes são complementos úteis ou necessários à prática da virtude, a tal ponto que não seria perfeita sem esses elementos; assim, a paciência e a constância são partes integrantes da fortaleza.

b) As partes subjectivas são, por assim dizer, as diferentes espécies subordinadas à virtude principal; assim, a sobriedade e a castidade são partes subjectivas da temperança.

C) As partes potenciais (ou anexas) têm com a virtude principal uma certa semelhança, sem atingirem contudo plenamente todas as condições da virtude. Assim, a virtude da religião é uma anexa da justiça, porque visa a tributar a Deus o culto que lhe é devido, mas não o pode fazer com a perfeição desejada nem com estrita igualdade; a obediência presta aos superiores a submissão que lhes é devida, mas ainda aqui não há direito absolutamente rigoroso, nem relação de igual a igual.