VALLIN, Georges. Être et individualité. Paris: Presses Universitaires de France, 1959
A teoria leibniziana da substância poderia parecer à primeira vista nos trazer uma ontologia mais "viável" da substância individual. Enquanto Aristóteles e São Tomás são levados a fundamentar a realidade do indivíduo na realidade da espécie, a única forma capaz de individuar qualitativamente um ser, revelando-se aqui a forma "específica", Leibniz nos traz uma ontologia que visa explicitamente a fundamentar a realidade substancial do indivíduo singular como tal. Em Aristóteles e São Tomás, a substância individual não era senão a essência específica individualizada, isto é, a atualização cosmológica ou a existencialização da essência específica. A única individuação positiva se relacionava neles à forma. E havia equivalência entre a determinação ontológica e a inteligibilidade. Só havia ciência do "geral". Assim, nós não encontrávamos nela individuação positiva ou qualitativa senão pela forma "específica".
Ora, a filosofia leibniziana da essência parece nos trazer uma ótica nova, na gênese da qual se pôde mostrar o papel do cálculo infinitesimal e segundo a qual não há mais incompatibilidade entre a indefinição dos acidentes singulares e a determinação lógica indispensável à ciência. Há uma essência do indivíduo como tal, do indivíduo singular que se distingue a partir de agora qualitativamente e não mais *solo numero* de um indivíduo da mesma espécie. E sabe-se que esta ontologia nova da essência repousa, mais do que sobre o cálculo infinitesimal, sobre o princípio de razão que, nos levando a afirmar a possibilidade de reduzir as proposições verdadeiras a proposições idênticas, nos conduz por isso mesmo a identificar o *nihil fit sine ratione* e o famoso *praedicatum inest subjecto*. O sujeito último ou fundamento dos predicados não saberia ser aqui uma noção específica ou genérica, que permanece muito indeterminada para fundamentar a totalidade dos predicados que caracterizam um ser concreto. O "sujeito último" é rigorosamente individual. A substância individual se fundamenta a partir de agora em uma forma ou uma essência igualmente individual, que envolve ou integra a infinidade de seus acidentes temporais. A noção de Alexandre encerra todas as particularidades deste príncipe, incluindo sua vitória sobre Dario e Porus. Apenas a substância individual se revela um ser real e completo, pois somente ela pode dar razão de todas as determinações singulares que não são mais entregues, como na ótica peripatética, à jurisdição do acaso.
Cada indivíduo possui sua noção, distinta de todas as outras essências individuais, e pode-se, portanto, falar aqui de uma individuação positiva pela essência singular que substitui a individuação positiva pela forma específica da qual nós havíamos sinalizado o lugar nas duas doutrinas precedentes. Se a tentativa leibniziana nos parece, em definitivo, levar ao mesmo fracasso que estas últimas, é em razão do dogmatismo cosmologista que ela compartilha com elas.
O progresso que ela realizou em relação ao "essencialismo" peripatético nos parece permanecer ineficaz em razão dos fundamentos antimetafísicos de sua "lógica" ou de sua ontologia da essência que repousa sobre o dogmatismo criacionista. Com efeito, em Leibniz, como em São Tomás, a essência contida no entendimento divino não é senão um puro "possível", ou melhor, "uma potencialidade que tem sede de existir" ou que "tende por si mesma à existência". A essência é concebida em estilo cosmológico e não metafísico, isto é, como uma virtualidade orientada para a ordem da existência "separada". A esta virtualidade, como à essência tomista, falta a perfeição da atualidade: sua interioridade permanece fragmentária e correlativa, lá também, da interioridade fragmentária de um Deus que não é senão pessoal e cuja função é fazer passar para o ato a pretensão desta essência deficiente.
De fato, apesar da exigência de interiorização qualitativa que a teoria da substância individual exprime, esta integração radical do indefinido, ou a imanência ou a pertença de todos os predicados à "substância individual" se revela efetivamente impossível em razão do caráter lógico, ou seja, abstrato, e não metafísico, ou integral, da essência sobre a qual esta "substância" se fundamenta. A Transcendência abstrata de Deus concebido segundo o dogmatismo criacionista é correlativa da interioridade abstrata da essência, e, por conseguinte, da imanência abstrata, isto é, puramente geral e teórica e não efetiva da pura singularidade existencial que caracteriza o plano da individuação separativa. A essência de César, tal como ela é posta no Entendimento do Deus leibniziano, não saberia, em definitivo, ser posta como distinta da essência de Alexandre. A ausência de uma Transcendência integral conduz à ausência de uma imanência radical. A interiorização da essência não é suficientemente radical para que a essência do indivíduo singular seja distinta da essência específica. A individuação pela forma singular se resume de fato à individuação pela forma específica. Este Deus não podia, portanto, "prever" que César atravessaria o Rubicão.
Em Leibniz, como em Aristóteles e São Tomás, a revolta antimetafísica não permitiu desvendar as implicações mais importantes da individuação qualitativa. Seu dogmatismo ontoteológico que não pôde justificar de fato senão a individuação de exterioridade ou o princípio "de individuação pela matéria" os condenou a permanecer em penitência às portas do mistério da individualidade.