Carregando...
 
Skip to main content
id da página: 7774 Tch’an e Budismo - Nirvana

Tchan Budismo Nirvana

Chan – Tch’an e Budismo


Chantal Duhuy, "O Dharma do Buda" em Le Tch’an (Zen); racines et floraisons. Paris: Ed. de Deux Océans, 1985

“Esvazie este barco, ó monge,
esvaziado, ele flutuará leve.
Tendo destruído a paixão e o ódio,
então, tu alcançarás o nirvana.”
(Dhammapada [DmP], 369.)


No final de sua busca, o discípulo do Buda encontra o nirvana, a extinção, uma extinção que tem naturalmente um aspecto positivo, da mesma forma que a vacuidade que a conduz e definida pelo Buda, durante a noite do Despertar, como “a perfeita segurança, não-nascida, imperecível ...”. Às vezes, a formulação é puramente negativa, como aqui:

“Existe, ó monges, um domínio onde não há nem terra nem água nem fogo nem vento ... nem domínio do nada nem domínio sem percepção nem ausência de percepção, nem este mundo nem o outro ... ele é desprovido de fundamento, de progressão e de suporte: é o fim da dor.”


Às vezes, seu fundo positivo se revela.

Este “não-nascido, não-produzido, não-feito, não-composto” é a saída pacífica para o que é nascido, etc. e “é o domínio imaculado, a cessação das aflições, o apaziguamento das tendências fabricadoras, a felicidade.”


Ou ainda:

“Àqueles que se encontram no meio do mar quando o terror nasce da massa das águas, àqueles que são atingidos pela velhice e pela morte, eu anuncio a ilha, ó Kappa.

“Sem nada, sem apreensão, tal é a ilha onde não há mais retorno aqui embaixo. Eu a chamo Extinção, este esgotamento completo da velhice e da morte.

“Aqueles que, tendo compreendido isso, o mantêm presente em sua mente, estão completamente extintos neste mundo visível. Eles não estão mais no poder da Morte, eles não são mais os escravos da Morte.”


O domínio da paz infinita onde vive o Desperto “submerso no imortal” também se chama “a outra margem” do oceano da existência:

“Liberte-se do passado, liberte-se do futuro, do presente liberte-se, chegue à outra margem da existência. Com o pensamento inteiramente liberto, tu não mais sofrerás nascimento nem velhice.” (DmP., 348.)


Assim, o discípulo do Buda, ao se libertar do devir, descobre o nirvana. Mas encontra-se também no Dhammapada uma formulação que prefigura certos desenvolvimentos ulteriores do Grande Veículo, em particular o desaparecimento dos “sinais distintivos” (nimitta) ou a dialética de Nagarjuna segundo a qual não se pode atribuir ao nirvana nem o ser, nem o não-ser, nem ao mesmo tempo ser e não-ser, nem a negação deles.

“Aquele para quem não existem mais
nem esta margem nem a margem oposta nem as duas juntas,
que é sem medo e desapegado do mundo, esse, eu o chamo de ‘brâmane’.” (DmP., 385.)


Doravante, a barca está vazia:

“Aquele que, aqui embaixo, venceu o bem e o mal, bem como o apego a ambos, sem penas, sem poeira, puro, esse, eu o chamo de ‘brâmane’.” (DmP., 412.)

“Aquele que não possui mais nada, nem antes, nem depois, nem no meio, e que, não tendo nada, é desapegado de tudo, esse, eu o chamo de ‘brâmane’.” (DmP., 421.)


Sem o definir também, o Milindapanha, com a ajuda de imagens que ilustram suas qualidades, tenta uma abordagem do nirvana:

“— Venerável Nagasena, os dez atributos do espaço que o senhor disse serem inerentes ao nirvana, quais são eles? — Ó rei, da mesma forma que o espaço não nasce, não envelhece, não morre, não desaparece nem renasce, não pode ser vencido, nem roubado por ladrões, que ele é sem apegos, que ele é o domínio do pássaro, sem obstáculo, infinito, da mesma forma, ó rei, o nirvana não nasce, não envelhece, não morre, não desaparece nem renasce, não pode ser vencido, nem roubado por ladrões, ele é sem apegos, ele é o domínio dos místicos, sem obstáculo, infinito. Eis, ó rei, os dez atributos do espaço inerentes ao nirvana.”