Chantal Duhuy, "O Dharma do Buda" em Le Tch’an (Zen); racines et floraisons. Paris: Ed. de Deux Océans, 1985
“Esvazie este barco, ó monge,
esvaziado, ele flutuará leve.
Tendo destruído a paixão e o ódio,
então, tu alcançarás o nirvana.”
(Dhammapada [DmP], 369.)
No final de sua busca, o discípulo do Buda encontra o nirvana, a extinção, uma extinção que tem naturalmente um aspecto positivo, da mesma forma que a vacuidade que a conduz e definida pelo Buda, durante a noite do Despertar, como “a perfeita segurança, não-nascida, imperecível ...”. Às vezes, a formulação é puramente negativa, como aqui:
Às vezes, seu fundo positivo se revela.
Ou ainda:
“Àqueles que se encontram no meio do mar quando o terror nasce da massa das águas, àqueles que são atingidos pela velhice e pela morte, eu anuncio a ilha, ó Kappa.
“Sem nada, sem apreensão, tal é a ilha onde não há mais retorno aqui embaixo. Eu a chamo Extinção, este esgotamento completo da velhice e da morte.
“Aqueles que, tendo compreendido isso, o mantêm presente em sua mente, estão completamente extintos neste mundo visível. Eles não estão mais no poder da Morte, eles não são mais os escravos da Morte.”
O domínio da paz infinita onde vive o Desperto “submerso no imortal” também se chama “a outra margem” do oceano da existência:
Assim, o discípulo do Buda, ao se libertar do devir, descobre o nirvana. Mas encontra-se também no Dhammapada uma formulação que prefigura certos desenvolvimentos ulteriores do Grande Veículo, em particular o desaparecimento dos “sinais distintivos” (nimitta) ou a dialética de Nagarjuna segundo a qual não se pode atribuir ao nirvana nem o ser, nem o não-ser, nem ao mesmo tempo ser e não-ser, nem a negação deles.
“Aquele para quem não existem mais
nem esta margem nem a margem oposta nem as duas juntas,
que é sem medo e desapegado do mundo, esse, eu o chamo de ‘brâmane’.” (DmP., 385.)
Doravante, a barca está vazia:
Sem o definir também, o Milindapanha, com a ajuda de imagens que ilustram suas qualidades, tenta uma abordagem do nirvana: