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id da página: 7753 Stanislas Breton – Filosofia e Mística – Mestre Eckhart Stanislas Breton

Stanislas Breton Verbo Eckhart


BRETON, Stanislas. Philosophie et mystique. Existence et surexistence. Grenoble: Jérôme Millon, 1996

  • Identificação e caracterização de Mestre Eckhart a partir de sua exegese do Êxodo 3:14

    • Análise do trecho do comentário de Eckhart a Ego Sum qui Sum no In Exodum: "A repetição que diz duas vezes: sum qui sum indica a pureza da afirmação, em excluir de Deus todo negativo".
    • Interpretação dos conceitos eckhartianos de "conversão reflexiva em si e sobre si", "mansão e repouso" e "efervescência ou parturição de si".
    • Exegese da expressão "luz na luz se a todo se a todo penetrando" como expressão da translucidez perfeita do ser divino.
    • Avaliação do estilo linguístico "efervescente" de Eckhart como reflexo de sua personalidade doutrinal.
    • Investigação da influência neoplatônica a partir do Liber XXIV Philosophorum e do ternário mone, proodos, epistrophe.
    • Aplicação do Teorema 35 dos Elementos de Teologia de Proclo: "Todo efeito, ao mesmo tempo, permanece em sua causa, procede dela e se converte a ela".
    • Explicação da impossibilidade de isolar os elementos do ternário procliano e da solidariedade necessária entre "permanência", "processão" e "conversão".
    • Extensão da validade do ternário para definir a condição henológica de todo o ser, incluindo o espiritual, o vivo e os corpos inorgânicos.
    • Papel fundamental da "mansão" ou "permanência" como um agir que não faz nada, análogo ao elemento neutro em um grupo matemático.
    • Contextualização cristã do conceito a partir do verbo "menein" ("permanecer") no capítulo 15 do Evangelho de São João.
    • Definição de Mestre Eckhart pela "ebulição interna do ser" e hesitação entre a caracterização de seu pensamento como tomismo ou neoplatonismo.
    • Conceituação do pensamento eckhartiano como uma ontologia atravessada por uma palpitação de henologia.
    • Reconhecimento da labilidade e interferência entre os três registros de linguagem identificados na obra de Eckhart: ontologia, metabase e anabase.
    • Imperativo do "oportet transire" ("é preciso passar e trespassar") como princípio organizador da mobilidade doutrinal de Eckhart.
  • Trânsito do registro do Ser para o registro do Verbo nos escritos de Eckhart

    • Análise da primazia do ser nos Prologues in Opus Tripartitum e a reciprocidade dos enunciados "Deus é o ser" e "o ser é Deus".
    • Exegese do In Principio no primeiro capítulo do Gênesis como Incipit e como Princípio no In Genesim.
    • Aplicação da causalidade aristotélica quadrupla para afirmar que "todas as coisas estão em Deus como estão no ser".
    • Conceito de Eckhart de que "o ser é o lugar dos entes como Deus é o lugar de todas as coisas".
    • Interpretação eckhartiana da frase "tudo o que foi feito era vida em Deus" como expressão de uma nostalgia do estado de preexistência.
    • Conceituação da criação, na leitura de Eckhart, como uma "saída infeliz" do Princípio e do Verbo eterno, assemelhando-se a uma queda.
    • Sugestão de que a própria criação poderia ser entendida, de forma blasfema, como uma "falha original".
    • Proposta de um "ressarcimento" dessa queda através do retorno da existência à preexistência, exemplificado pela ordem "Estote ibi" ("Sede aqui") a Moisés.
    • Interpretação do imperativo "esto essendo" ("sê sendo") como derivado do ser e fundante da necessidade da passagem.
    • Justificação da designação "advérbio do Verbo" para a criatura com base no estatuto ontológico do Verbo eterno.
    • Declaração explícita da mudança de registro no In Johannem: "O evangelista não diz: no princípio era o ser (erat esse)".
    • Afirmação de que "a verdade pertence ao intelecto, pois inclui uma relação; e toda relação tem seu ser na alma".
    • Fundamentação do universo como um tecido de relações na alma, particularmente na Alma do universo que é o Verbo.
    • Transição de um regime de causalidade filosófica para o de um Deus loquens que interpela o mundo.
    • Radicalidade do trânsito "do ser ao Verbo" e de "Aristóteles a São João".
    • Transformação do próprio verbo "ser" no "verbo-palavra pelo qual Deus diz todas as coisas e lhes dirige a palavra".
    • Conceito de que o ser, tornado "verbo", fala em todo ente, gerando uma "locução e colocução" universal.
    • Descrição da irradiação do Princípio e da reflexão do espelho como uma "locução visível" e "resposta" que constitui uma sinfonia cósmica.
  • Primazia do Verbo e do Intelecto e suas consequências para a doutrina da preexistência

    • Afirmação da inversão da primazia: "Não é porque É que Deus 'intelige', mas é porque é ato de intelecto que ele é".
    • Caracterização do intelecto por sua pureza "virginal", universalidade fundadora e "imaterialidade", contrastando com o apetite e a afetividade.
    • Imagem do intelecto como "virgem-mãe" em sua concepção "imaculada" e sua "frieza serena".
    • Consequente elevação da condição "adverbial" da criatura, que participa da eminência e primazia do Verbo divino.
    • Conceituação da preexistência como "sobreexistência" no Verbo, sendo nossa condição adverbial nosso ser profundo e esquecido.
    • Definição do "homem nobre" como o homem original que deve ser reencontrado para redimir a criação marcada pela queda.
    • Assimilação do ser inteligível da preexistência a um argumento ontológico: "o que merece ser deve ser, portanto se dá para ser efetivamente".
    • Interpretação da frase de São Tomás sobre a criatura-ideia que "se produz na existência" como literalmente verdadeira em Eckhart.
    • Citação do Sermão Beati pauperes spiritu: "Quando eu estava na minha causa primeira... eu me pertencia a mim mesmo... era causa de mim mesmo".
    • Declaração audaciosa: "Se eu não fosse, Deus também não seria" e "Que Deus seja Deus, disso eu sou uma causa".
    • Oração: "É por isso que eu rogo a Deus que me liberte de Deus", justificada porque "meu ser essencial está acima de Deus".
    • Proposta de interpretação que vai além da "benigna interpretação" ortodoxa, enfatizando a homogeneidade entre o advérbio e o Verbo.
    • Defesa da "causalidade imanente" contra a "causalidade transitiva" para entender a dignidade do "homem nobre".
  • Explicitação da lógica eckhartiana da preexistência em suas dimensões metafísica, teológica e mística

    • Proposição 1: "Há algo na alma, incriado e incriável, e isso é o intelecto".
    • Explicação do intelecto como transcendente ao tempo, ao sensível e à queda, sendo a "vida eterna do que se tornou".
    • Proposição 2: O intelecto, como o Verbo, "se produz por um ato de geração", levando a uma indistinção problemática entre as duas gerações.
    • Aplicação do princípio dos indiscernáveis: se todos os predicados de x se verificam em y, então x = y, sugerindo a identidade entre a geração do Verbo e a do advérbio.
    • Proposição 3: A "condição adverbial" refere-se apenas ao modo de a alma se referir ao seu arquétipo, reproduzindo a geração eterna sem a substituir.
    • Contraste com a mística esponsal de São Bernardo e São João da Cruz, destacando o primado eckhartiano do intelecto e do desapego sobre o amor.
    • Proposição 4: A geração eterna concerne a cada singular, excluindo a tese averroísta da unidade do intelecto e afirmando a verdade do singular como adequação do ser e de sua ideia.
    • Proposição 5: O Verbo é compreendido como "o mundo inteligível dos arquétipos ideais", o "universal concreto" que reúne todos os singulares.
    • Conclusão lógica: a Trindade, em sua significação profunda, é menos um artigo de fé e mais a realidade dinâmica de nossa própria profundidade espiritual.
    • Formulação radical: "a Trindade somos nós mesmos que, no melhor de nosso ser, somos responsáveis, ao mesmo tempo, por nosso ser e pelo mundo sensível".
  • Radicalização final: o trânsito além do Ser, do Verbo e da própria Trindade para o abismo da Divindade (Gottheit)

    • Análise do Sermão Quasi Stella Matutina: a questão "O que é Deus?" precede "O que é este templo?" (a alma).
    • Afirmação de que Deus está necessariamente "acima do ser" e de todas as determinações ontológicas e categoriais.
    • Interpretação do "acima" como negação pura: "Não é nada disso", rejeitando a ideia de Deus como "um ser puro".
    • Declaração no sermão sobre a "pequena centelha": "Às vezes eu disse que é uma potência... uma guarda... uma luz... mas agora digo: não é isto nem aquilo... é livre de todos os nomes, desprovido de todas as formas".
    • Reconhecimento de um ponto de virada em relação à primazia do ser e do intelecto, atingindo o ápice do imperativo oportet transire.
    • Deslocamento do acento para o Uno da henologia, onde o superlativo de eminência se inverte em "nada por excesso".
    • Operação geral de "desprendimento" aplicada tanto à alma quanto a Deus, levando ao desaparecimento das distinções essenciais.
    • Identificação do "fundo" da alma e do "fundo" de Deus no "sem-fundo" da Divindade (Gottheit).
    • Exigência religiosa e filosófica por trás dessa radicalização: Deus como função crítica de iconoclasmo.
    • Aprofundamento do conceito de "princípio" na questão disputada Utrum in Deo sit idem esse et intelligere?: "O princípio não é o principiado... Deus... não é nem ser nem ente".
    • A alma também é "nada de ser" para poder conhecer o todo, compartilhando com a Divindade a mesma indeterminação.
    • Tendência a identificar, no abismo, o "fundo" da alma e o "fundo" de Deus.
    • Retorno do ser como "pureza do ser" (puritas essendi), entendido como um degrau necessário para o trânsito, uma abstração que significa a eminência divina.
    • A preexistência também está sujeita ao imperativo do trânsito e do desapego, reaparecendo no linguagem como um momento necessário.
    • A pergunta sobre o que resta no vazio da Divindade é respondida com o conceito de Gelassenheit (serenidade/abandono).
    • Doutrina do "sem porquê": "Deus e o justo têm a mesma maneira de agir: sem porquê".
    • Comparação com a rosa de Angelus Silesius que floresce "sem porquê".
    • O ponto final da doutrina da preexistência é o grande silêncio da Divindade, onde "Deus e a alma tornam a verdescer" com o esplendor de um novo começo.