BRETON, Stanislas. Philosophie et mystique. Existence et surexistence. Grenoble: Jérôme Millon, 1996
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A dependência da doutrina da preexistência em relação a um problema de pontuação
- A surpresa diante da subordinação de uma doutrina metafísica a um acidente material
- A crítica à concepção da filosofia como desenvolvimento puro e imaterial
- A defesa do condicionamento histórico da lógica e da matemática
- A origem prática da geometria na medida de campos e na demarcação de propriedades
- A impossibilidade de subtrair a essência e a necessidade aos acidentes da história
- O caráter hipotético e condicional de toda necessidade
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A gênese da doutrina da preexistência a partir de um acidente textual
- A aplicação das considerações históricas ao caso específico da preexistência
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As condições materiais dos manuscritos antigos e os problemas de interpretação
- A ausência de vogais nos manuscritos hebraicos e o trabalho dos Massoretas
- A menção de Spinoza no Tractatus Theologico-Politicus às incertezas decorrentes
- A ausência habitual de sinais de pontuação nos manuscritos, inclusive os neotestamentários
- Os flutuamentos interpretativos permitidos ao leitor e ao exegeta
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A análise do Prólogo de João e as diferentes possibilidades de pontuação
- A materialização das possibilidades de decupagem textual por meio de índices de pontuação
- A versão ecumênica contemporânea como a disposição mais comumente admitida
- A reflexão sobre o evento cultural representado pela invenção dos sinais de pontuação
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A segunda interpretação do versículo a partir de um redelimitação do texto da Vulgata
- A proposta de leitura "Sine ipso nihil factum est. Quod factum est..."
- As duas formulações possíveis para a sequência "Quod factum est in ipso, vita erat"
- A primeira variante enfatizando algo feito no próprio Deus
- O argumento de J. M. Lagrange contra a superioridade de uma das pontuações
- A avaliação de Lagrange de que nenhuma das duas maneiras oferece um sentido satisfatório
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A valorização das leituras improváveis pelos pensadores especulativos
- O acordo sobre a insatisfação exegética, mas o interesse pela possibilidade de pensamento
- O valor conferido ao texto pela leitura menos provável e mais improvável
- A necessidade de aprofundar as três leituras para destacar a escolhida
- A opção pela leitura exegeticamente menos indicada por Agostinho, Tomás de Aquino, Mestre Eckhart e João da Cruz
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A análise da primeira versão do versículo, a mais imediata e clara
- A antecipação do primeiro artigo do Credo sobre a criação
- A precisão acrescentada pela preposição "por" indicando o Verbo como mediador
- A menção à sutileza comentada por Tomás de Aquino sobre "et sine ipso factum est nihil"
- A interpretação de que "o nada" foi feito sem o Verbo
- As possíveis interpretações desse "nada" como o mal ou o impossível absoluto
- A caracterização da lição corrente como a exegese mais óbvia e sem problemas
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A análise da Lição I: "o que foi feito nele, era vida"
- A relação com o nascimento eterno do Verbo e não com a criação
- A distinção ortodoxa entre "gerado" e "criado" ou "feito" (vide plasis)
- A discussão sobre "princípio" e "causa" para a origem do Filho
- A possibilidade de ortodoxia ao destacar um dinamismo interno de processão na divindade
- A compatibilidade desta versão com a Lição II
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A análise da Lição II: "o que foi feito, era vida nele"
- O enfoque nas criaturas no sentido estrito e na criação "ad extra"
- O problema central compreendido como a vida de todas as coisas em Deus e em sua eternidade
- A identificação desta como a versão que ocupará as reflexões subsequentes
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As razões culturais para o surgimento da pontuação
- A primeira razão baseada na percepção da "coisa" textual como uma forma sobre um fundo
- A aplicação de princípios da Gestaltpsychologie à leitura
- A necessidade de decupagem de figuras no texto por meio de sinais gramaticais
- A função dos pontos e vírgulas na constituição da forma textual apreensível
- A constituição da "coisa" textual por uma operação de leitura-percepção
- O duplo mérito do leitor antigo: delimitar a coisa textual e depois surdeterminá-la semanticamente
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A segunda razão para a pontuação: a necessidade de delimitação em controvérsias
- A exigência de se estabelecer fronteiras precisas no continuum textual para discussões profícuas
- A constatação de que a pontuação não é suficiente para apaziguar contestação
- A validade de diferentes unidades semânticas obtidas pelo deslocamento dos sinais
- A capacidade da pontuação de suscitar interpretações diversas e conflitos eventuais
- A compatibilidade ideal das três lições do Prólogo de João, exemplificada por Tomás de Aquino
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O desdobramento das leituras nas dimensões teológica, metafísica e espiritual
- A possibilidade de cada leitura se articular nas três dimensões
- O exemplo da diferença de acento na leitura de João da Cruz, privilegiando a aplicação espiritual
- A importância de respeitar as nuances que mostram a abertura de toda interpretação a um "outro bem-amado"