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Sentimentalidade Sentimentalismo

SENTIMENTO — SENTIMENTALIDADE E SENTIMENTALISMO



Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA

É importante não confundir as noções de sentimento, de sentimentalidade e de sentimentalismo, como fazemos com muita frequência por causa de um preconceito racionalista ou intelectualista. Aliás, este segundo caso é mais surpreendente do que o primeiro, pois se a razão se opõe ao sentimento, de um determinado ponto de vista, o Intelecto continua neutro a esse respeito. Propositadamente dizemos "intelectualista" e não "in telectual", pois a intelectualidade não pode tolerar o preconceito.

Todos admitem que um sentimento que se opõe à verdade não é digno de estima; temos aí a definição do sentimentalismo. Quando censuramos com justiça uma atitude de ser sentimental, isto só pode significar uma coisa, ou seja, que a atitude em questão contradiz uma atitude racional e usurpa o seu lugar. E lembremos que uma atitude só pode ser positivamente racional em função de um conhecimento intelectual, ou simplesmente de uma informação suficiente sobre uma situação real. Ela não pode ser tal pelo simples fato de se utilizar da lógica, visto que se pode raciocinar na falta de dados necessários.

Assim como a intelectualidade é, por um lado, o caráter do que é intelectual e, por outro, a tendência para o Intelecto, assim também a sentimentalidade significa, simultaneamente, o caráter do que é sentimental e a tendência para o sentimento. Quanto ao sentimentalismo, ele sistematiza um excesso de sentimentalidade em detrimento da percepção normal das coisas: os fanatismos confessionais e políticos são desta ordem. Se lembramos aqui essas distinções evidentes em si, é unicamente em virtude das frequentes confusões que temos de constatar neste âmbito — certamente não somos os únicos a constatá-las — e que correm o risco de falsear as noções de intelectualidade e de espiritualidade.