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id da página: 7326 Marcia Schuback – O Lugar

Schuback Medievo Lugar


SCHUBACK, Marcia Sa Cavalcante. Para Ler Os Medievais: Ensaio De Hermeneutica Imaginativa. Petrópolis: Editora Vozes, 2000


  • O lugar onipresente de deus enquanto fundamento da experiência medieval de espaço

    • A questão de deus como a grande questão medieval, entendida como um querer bem à condição de tudo o que é.
    • A onipresença de deus como todo o lugar e condição de tudo para o medieval.
    • A contemporaneidade espiritual entre textos do Cristianismo Primitivo e da alta Escolástica, baseada no mesmo ritmo da religiosidade cristã.
    • A justificativa do uso de Mestre Eckhart para discutir o sentido religioso do espaço medieval, afastando-se do jugo historicista.
    • O lugar de deus como lugar de todos os lugares, que acolhe outros lugares sem anulá-los, mantendo a diferença dentro de uma mesma unidade.
    • A imagem dos círculos concêntricos como representação de um lugar dinâmico e impreciso, que se aprofunda e continua.
    • A caracterização do lugar de deus como um lugar sem "onde", sem começo ou fim, contrapondo-se à representação moderna de espaço como sistema de referência abstrato.
    • A resposta comum sobre o lugar de deus ser "na igreja" enquanto edificação e sua contraposição ao sentido original de Ekklesia como comum-unidade e povo em deus.
    • A interpretação de Mestre Eckhart da passagem do Eclesiástico sobre Simão, filho de Onias, restaurando a Casa, como fundamento para compreender o templo-lugar de deus.
    • A enumeração das três respostas à pergunta "quem é deus?" por Mestre Eckhart, baseadas nos advérbios "diante de", "além" e "aí".
    • A escolha da segunda resposta, que define deus a partir de um "ser além do ser", por Mestre Eckhart.
    • A explicação de que deus é além do ser porque está de modo uno em todas as criaturas, resguardando sua unidade.
    • A rejeição da determinação do lugar de deus como exterior, afirmando que a imanência encontra-se dentro da transcendência.
    • A sinonímia estabelecida por Mestre Eckhart entre "ser em" e "ser acima ou além de".
    • A distinção entre o "ser-em" das coisas no espaço e o "ser-uno em" de deus, que não se baseia em relações extensivas.
    • A definição da ideia medieval de lugar como experiência, dinâmica de modos e estrutura de modalidade, funcionando como advérbio de ser.
    • A caracterização do lugar adverbial como a totalidade integradora das várias estâncias de um movimento, em oposição aos "ondes" meramente posicionais.
  • A ontologia medieval do lugar: o lugar das coisas como modalidade de pertencimento

    • A distinção modal, e não espacial, entre o lugar de deus e o lugar das criaturas dentro de uma única integração.
    • A prioridade da expressão "ser-em" para designar o lugar de deus, evitando as conotações de distinção espacial de "diante de" e "aí".
    • A diferença entre criador e criaturas como diferença no seio do mesmo, sem um "fora" de deus.
    • A totalidade de deus como modo dos modos, um ser-inteiramente, indivisamente e integralmente.
    • A analogia da alma que está inteira no pé, no olho e em cada membro para explicar o ser-uno de deus.
    • A apreensão do lugar das criaturas como modo de ser parte integrante e orgânica, num pertencimento inalienável.
    • A concepção de ser como pertencer, e não simplesmente existir-aí, para o espírito medieval.
    • O caráter dinâmico do pertencimento entre deus e as criaturas, entendido como um "modo sem modo".
    • A citação de São Bernardo por Mestre Eckhart: "O modo de se amar a Deus é um modo sem modo".
    • A exemplificação do "modo sem modo" com o médico que cura como pode e o paciente que se cura como pode.
    • O caráter dinâmico do pertencimento como indicador de que cada coisa se movimenta dentro da totalidade integradora de deus.
    • A concepção das coisas como "criaturas", ser num pertencimento dinâmico a deus, e não como meras partes individualizadas.
    • A afirmação de Mestre Eckhart de que "deus não é um ser" e que dizer isso é incorreto, rejeitando a concepção substancialista.
    • A reivindicação de redimensionar o ser das coisas a partir do modo integral de deus, elevando o ser.
    • A menção às categorias de Aristóteles, destacando que a relação, o modo com menos ser, é em deus igual à substância, o modo com mais ser.
    • O pertencimento de deus como doação integral de si mesmo, participando o seu ser às criaturas.
    • A exemplificação com o sol que dá seu brilho e o fogo que dá seu calor, contrastando com deus que "participa o seu, porque o que ele é, é a partir de si mesmo".
    • A transposição do pertencimento dinâmico para a relação entre doação integral de deus e acolhimento dentro das possibilidades de cada criatura.
    • A consequência de que todas as coisas são subjectum, sujeitos no sentido de estarem lançadas ao seu próprio pela doação de deus.
    • A secundariedade de toda substancialidade das coisas, fundada na doação integral de deus.
    • A referência a Hildegard von Bingen e o poder curativo das pedras como exemplo de que até as coisas inanimadas têm chispa de alma e vida.
  • Pertencer e apreender: o lugar-sentido das coisas

    • A concepção das coisas como microcosmo, entendido como testemunho e sinal do ser-uno de deus, e não como cópia em miniatura.
    • O ser das coisas como coisa-sinal, coisa-palavra, coisa-indicação, ultrapassando radicalmente todo formato.
    • A importância da doutrina das categorias para redefinir as coisas como coisas-palavras, apreendidas na possibilidade de sua apreensão.
    • A inadmissibilidade, para a Idade Média, de uma coisa dotada de realidade independente da apreensão.
    • O duplo sentido de "participar" como doar e comunicar, indicando que o ser-parte significa ser-sinal do ser-uno de deus.
    • A caracterização do pertencimento dinâmico como uma estrutura de sentido, onde o ser das coisas é apreensão de sentido divino.
    • A essência do lugar como lugar-apreensão de sentido ou lugar de indicação do sentido divino.
    • A definição do templo de deus como "apreensão" (Vernunft), no sermão de Mestre Eckhart.
    • A diferença entre a razão medieval, que não exclui a sensibilidade, e a razão moderna.
    • A unidade indissociável entre apreender e o que se dá à apreensão, baseada na unidade entre deus e todas as coisas.
    • A estranheza da distinção entre sujeito do conhecimento e objeto para o conhecimento no pensamento medieval.
    • A "interioridade" da apreensão como caráter intrínseco das coisas como ser-sinal, e não como subjetivismo.
    • A alma como possuidora de "uma gotinha da apreensão", permitindo ao homem apreender as coisas.
    • A alma como força de reunião que permite apreender as coisas como lugar-indicação do ser-uno de deus.
    • A afirmação de que a apreensão é mais nobre que a vontade porque se prende às coisas no modo em que ela é.
    • Apreender com alma como apreender as coisas "para além" delas, na rudeza de seu simples estar-aí, ampliando o concreto.
    • Ser-sinal como dar-sinal a partir de si mesmo, da singularidade concreta de cada coisa.
    • A observação dos animais nos bestiários e a organização dos florilégios como exemplos de atenção às circunstâncias de cada criatura.
    • Cada lugar de cada coisa como sua circunstância, o para onde ela assinala.
    • A legitimidade das associações nos textos medievais como rigorosas, pois seguem os modos e circunstâncias das coisas.
    • A alma da apreensão humana como capacidade de apreender as coisas em movimento, seguindo vestígios, numa busca sem "lugares" fixos.
  • Os modos de ser e o quase-lugar da alma

    • A descrição do quase-lugar que a alma humana e as coisas ocupam dentro do lugar de deus.
    • O retorno à passagem do Eclesiástico que descreve a "volta do santuário" com uma série de imagens adverbiais ("assim como").
    • A atenção de Mestre Eckhart ao advérbio "quasi" ("assim como") como chave para todos os seus sermões.
    • A definição formal do quase-lugar como um lugar junto a, um lugar perto de, entendido como modo ou circunstância.
    • O quase-lugar como o modo mais pleno possível, a quase plenitude que a alma pode alcançar dentro de seu próprio limite.
    • O "como" não como comparação, mas como o modo em que a alma consegue ficar junto e perto de deus.
    • A interpretação das imagens do Eclesiástico (estrela, lua, sol, arco-íris, rosa, lírio, vegetação) como cada coisa em sua circunstância mais plena.
    • O caráter adverbial do ser das coisas como "ser o mais possível o que se é", sendo o próprio limite dentro do elemento divino.
    • A estranheza da noção de indivíduo para o medieval, em favor da noção de singularidade limitada.
    • Guardar-se no elemento divino como permanecer junto ao verbo, sendo a alma um advérbio que com deus realiza uma única obra.
    • O quase-lugar da alma como a vida circunstanciada das coisas em seu elemento, caracterizando o pertencimento dinâmico.
    • O sentido de "meio" como elemento (ex: água para o peixe), e não como metade ou linha divisória.
    • A impropriedade da denominação "Idade Média" pelo Renascimento, que ignora a experiência medieval do meio como elemento.
    • Todas as coisas como sinais da força do meio-elemento divino.
    • As perguntas do sermão 57 de Mestre Eckhart sobre onde deus pronuncia sua palavra na alma e onde a alma se torna receptiva.
    • O "fundo da alma" como o lugar em que deus pronuncia sua palavra, onde silenciam-se os meios.
    • A diferença entre o meio como elemento e o meio como intermediação.
    • O silêncio como o elemento mais próprio da alma, a partir do qual se silenciam as intermediações.
    • A circunstância própria da alma como o trabalho de silenciar as intermediações para concentrar-se no meio-elemento.
    • A apreensão por imagens como uma apreensão descircunstanciadora, que coloca as coisas fora de seu contexto.
    • O não-saber que fica ao se apreender por imagens como motivador da busca pelo sentido.
    • A circunstanciação das coisas como ver para além delas mesmas, ver que são e não o que são.
    • O desprendimento das intermediações para encontrar concentração no meio-elemento de deus.
    • O quase-lugar da alma como o movimento de desprender-se para concentrar-se.
    • A hermenêutica da passagem do Evangelho de São Mateus sobre negar a si mesmo e abandonar pai e mãe como abandono da visão descircunstanciada.
    • O fechamento monástico como lugar dinâmico, lugar-concentrador direcionado para o centro, o meio-elemento.
    • O lugar monástico como quase-lugar, correspondente à limitação própria de toda coisa apreendida como livro ou sinal.
    • Voltar-se para deus como sentido da busca de deus, mantendo-se no meio-elemento, como o peixe na água.
    • A representação espacial do quase-lugar da alma como um ponto de profundidade infinita, um movimento dentro de si mesmo que é toda a circunstância.
    • A busca de deus não como procura de algo externo, mas como busca do fundo sem fundo da alma, chamado de abismo.
    • A "visão de deus" ou "união mística" como a busca sem fim da alma, e não como encontro de uma coisa-deus.
    • O quase-lugar da alma como correspondência ao lugar-verbo de deus.
  • A base temporal do lugar

    • O lugar de deus como verbo, lugar em constituição, meio-elemento doação de lugares.
    • A concepção de lugar fundada no tempo, explicitada por Mestre Eckhart como o instante.
    • A criação de deus como inteira e sempre acontecendo em cada instante, sem sucessão.
    • A citação de Mestre Eckhart: "Não imagine que, ao criar o céu e a terra e todas as coisas, Deus tenha feito umas hoje e outras amanhã".
    • A explicação do ser inteiramente de deus através do instante, que concebe todo o tempo em si.
    • A proximidade entre o instante da criação e o instante presente: "o instante em que deus criou o mundo está tão perto desse tempo como o instante em que agora estou falando".
    • A contraposição entre a representação comum do tempo como sucessão de pontos e a experiência medieval do instante como fundamento da totalidade do tempo.
    • A experiência do instante do começo como radicalmente presente e sempiterno, não superado por instantes subsequentes.
    • A integralidade do tempo como tempo uno de deus, fazendo-se inteiramente em todos os tempos.
    • O lugar de deus como tempo de deus, eterno acontecimento e criação sempiterna.
    • A concepção medieval do espaço a partir do lugar, experienciado a partir de um sentido de ser como existência circunstanciada.
    • O sentido de ser como sinal, indicação ou "livro" do ser-uno de deus.
    • O lugar como lugar-apreensão e localizar-se no meio-elemento da totalidade.
    • O lugar como advérbio junto ao verbo de deus, pertencimento dinâmico em constante movimentação dentro do meio-elemento divino.
    • O lugar como quase-lugar, uma atividade de localizar-se na totalidade infinita de deus.
    • O fundamento temporal da experiência medieval do lugar, como um acontecimento dinâmico in animo.
    • O quase-lugar da alma identificado com o tempo.