René Guénon: MITOS E MISTÉRIOS
Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Ananda Coomaraswamy: O QUE É CIVILIZAÇÃO?
Paul Vulliaud: Excertos do capítulo XIX — Influência da Cabala e os cabalistas cristãos
Hebraizantes reputados afirmaram que Paulo Apostolo) faz em alguns lugares alusão à Hochma nistara (sabedoria secreta). Mas os Evangelhos contêm exemplos de exegese rabínica: seja a halaka, a haggada ou mesmo o sod (mistério tomado no sentido cabalístico).
O método haggadico é, como se sabe, familiar aos Evangelhos. O rabino convertido Drach, escreveu em um estudo pouco conhecido sobre as Tradições judaicas: “O método de só apresentar o alto ensinamento sob a forma do enigma, da parábola, da fábula, era aquele dos sábios de todas as nações da antiguidade, sobretudo no Oriente, e nosso Senhor não ensinava de outra maneira. “Jesus disse todas estas coisas em parábolas à multidão, e só lhe falava em parábolas”. O divino mestre se afastava tão pouco disto dos rabinos, tanto que a maior parte de suas parábolas se leem quase palavra por palavra no Talmude, e outras coleções antigas; notem bem, assim como os rabinos, ele só comunicava a inteligência a alguns eleitos. Ele se contentava de dizer à multidão: “que aquele que tem ouvidos para ouvir ouça”; e quando ela se retirava, seus discípulos lhe perguntando: “Porque lhes falas em parábolas?” Respondia: “porque lhes foi dado conhecer os mistérios dos céus; mas para eles, não lhes foi dado; por isso lhes falo em parábolas”. Os apóstolos mesmos, quando nosso Senhor lhes abandonava em seus próprios juízos, não entendiam a linguagem figurada. E assim foi que a maneira do vulgar eles tomaram à letra estas divinas palavras: “Desconfiem do fermento dos fariseus. Elias já veio. Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou retirá-lo do sono. Destruam este templo e em três dias os restabelecerei”. No entanto os rabinos diziam fermento para doutrinas más, perversas; dormir para morrer; Elias para o personagem que deveria ser o precursor do Messias. Assim também, o templo que os judeus esperavam ter o advento do Redentor de Israel, não seria um templo de pedras, um templo perecível, mas um templo eterno, aberto ao céu por IHWH, que descerá espiritual dos céus à terra” (Drach, 1937).