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Paracelso

Theosophia — Paracelso (1493-1541)


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Paracelsus. Selected Writings. Ed. Jolande Jacobi. Princeton: Princeton University Press, 1973

Para dar um vislumbre da imensa abrangência desta obra, citar-se-ão brevemente os títulos e temas de algumas das suas seções, nas quais, conforme se observa em seu prefácio, descreve a “ação do céu interno” com o auxílio “do espírito que emanou do Pai”. Os “nove membros” em que divide a sua “filosofia sagaz” são: Magica (sobre o poder da vontade); Astrologia (sobre as influências espirituais e as suas reações); Signatum (sobre o conhecimento da essência interior obtido através de sinais exteriores); Nigromantia (sobre aparições); Necromantia (sobre a segunda visão); Artes incertae (sobre as artes da imaginação e da inspiração); Medicina adepta (sobre a ciência oculta das curas sobrenaturais); Philosophia adepta (sobre a sabedoria da habilidade alquímica e a contemplação baseada na ciência do sobrenatural); Mathematica adepta (sobre a ciência das relações ocultas, geometria, cosmografia, medidas, pesos, números). Este é o primeiro dos quatro livros; os outros englobam domínios ainda mais recônditos sob títulos semelhantes, e oferecem o conhecimento último e mais oculto das coisas diabólicas e divinas. Aquele que possui este conhecimento tem descartado os grilhões da materialidade enquanto ainda se encontra aqui na terra.

Com Philosophia sagax, Paracelso alcançou o pináculo de sua obra. As suas Occulta philosophia e Archidoxis magica abordam os mesmos temas e os elaboram de uma maneira ainda mais sibilina; são escritos herméticos para os quais se perdeu a chave. Após este levantamento final a partir das alturas, que se realizou aos quarenta e cinco anos, e após o qual se começou a sua descida para o vale do além, produziram-se várias obras menores, mas apenas duas maiores — as Defensiones, a sua apaixonada apologia, e o Labyrinthus medicorum, uma última admoestação e advertência. Depois, perdeu-se no reino sem trilhas dos mistérios que já não se podem expor por escrito.

É impossível traçar um quadro exato das doutrinas que inspiraram Paracelso; sem dúvida, foi-se influenciado em certa medida pelos neoplatonistas e pelos primeiros gnósticos. Numerosos alquimistas, filósofos e médicos, entre eles Agrippa von Nettesheim e o famoso abade de Sponheim, bem como os cirurgiões Hieronymus Brunschwig e Hans von Gersdorff, são frequentemente nomeados como seus mestres. O próprio Paracelso influenciou profundamente o desenvolvimento intelectual dos séculos seguintes. Místicos e românticos alemães, de Gerhardus Dom e Jacob Böhme a Novalis, foram movidos pelos seus escritos profundamente místicos. Obras separadas de Paracelso foram publicadas pouco depois da sua morte por Adam von Bodenstein e Johannes Huser, mas a primeira coleção completa só surgiu cinquenta anos após a sua morte. Desde então, as obras foram em inúmeras ocasiões violentamente atacadas e apaixonadamente defendidas, e sujeitas a interpretações arbitrárias. Contudo, na vida espiritual da humanidade, sempre tem sido um pequeno grupo que tem sustentado o facho do espírito. É este grupo que o carrega através dos séculos, de geração em geração. A este pequeno grupo Paracelso pertence.


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