Segundo Jean Lévi é o apêndice do I Ching que dá a definição mais clara: «o JI é a imperceptibilidade do movimento; o signo de antemão da felicidade e da infelicidade». O JI designa o estado onde o não-ser se cristaliza em ser (O ATO / FATO). Glosa-se frequentemente por sintoma, presságio. O índice, o sintoma é o que não é ainda o evento mas não é mais sua ausência.
Ji significa "de si mesmo" ou "por si mesmo". Como não é devido à concepção do homem, mas ao voto de Nyorai que o homem nasce na Terra Pura, diz-se que o homem é natural ou espontaneamente (nen) conduzido à Terra Pura. O devoto não faz nenhum esforço consciente de autodesignação, pois eles são totalmente ineficazes para atingir o objetivo. Jinen, portanto, significa que, como o renascimento na Terra Pura é totalmente devido à atuação do poder do voto de Nyorai, cabe ao devoto apenas acreditar em Nyorai e deixar que seu voto se realize por si só. Daisetz Suzuki
A "naturalidade" ou jinen foi definida pelo estudioso Shin Taitetsu Unno como "o poder de cada ser (ji) realizar a si mesmo, tornando-se o que deveria se tornar (nen)". Como Abe Masao escreve em seu ensaio sobre "O homem e a natureza no cristianismo e no budismo", acredita-se que o jinen "é subjacente ao natural e ao sobrenatural, à criatura e ao criador, ao homem e a Deus, aos entes sencientes e aos chamados Budas, como sua base comum original. No jinen, todas as coisas, incluindo o homem, a natureza e até mesmo o sobrenatural, são elas mesmas e como são". No plano humano, isso envolve o insight do "da mesma forma", o fato de que eu sou e da mesma forma não sou. Na formulação do Sutra do Diamante. A e, da mesma forma, não-A. Isso também pode ser expresso como "natureza naturante", uma frase que ocorre em Spinoza e Nietzsche. Ou ainda, o sagrado no homem é afirmado ao se perceber que o reino do transcendente e o reino do imanente, o objeto sagrado e o sujeito sagrado, o conhecido e o conhecedor, não são essencialmente diferentes na própria base do entes. Frederick Franck
O eu pensante não é o eu real. Mesmo que eu esteja pensando ou sentindo, isso ainda não constitui meu eu. Meu eu real existe quando e onde enfrento a realidade de agir (kōi). O eu real emerge ao enfrentar situações concretas (ji). O sentido de eu que normalmente possuímos é, na verdade, um “fantasma” (ou “eu imaginado”, kūsōteki jiko). Meu eu real é conhecido por mim em minha autoconsciência quando ajo (jissenteki jikaku)... Venho a conhecer meu eu na ação. Torno-me autoconsciente na ação. Nishida
Como, então, Nishida caracterizou a filosofia japonesa? Ele observou que tanto o povo francês quanto o japonês possuem um agudo senso de intuição (chokkan), mas a intuição francesa está relacionada às “coisas concretas” (mono), enquanto a intuição japonesa refere-se às “coisas enquanto acontecimento” (ji), isto é, as coisas vêm a existir em um instante e desaparecem no seguinte. Nishida apresenta a poesia haikai como um bom exemplo que ilustra essa inclinação japonesa, na qual o poeta apreende o mundo sempre fugidio a partir do ponto de vista de um instante (setsuna). Nishida