VIDE: Sabedoria dos Profetas
A SABEDORIA DA LUZ NO MUNDO DE JOSÉ
Embora o capítulo comece com uma discussão sobre o assunto da Imaginação, com especial referência aos sonhos e visões de José do Egito, o tema principal do capítulo é, como o título sugere, a Luz divina e a sombra cósmica.
Muito do que ele diz aqui a respeito dos símbolos e da necessidade de sua interpretação é semelhante ao material sobre o mesmo assunto no capítulo sobre Isaac. Ibn Arabi, no entanto, nos apresenta aqui a um outro aspecto do assunto da Imaginação, nomeadamente seu caráter duplo no estado humano. Em outras palavras, o homem, como a imagem microcósmica do macrocosmo, experimenta o processo imaginativo tanto como sendo parte do processo criativo maior quanto como tendo dentro de si uma faculdade imaginativa. Assim, como o autor diz, o homem experimenta «uma imaginação dentro de uma Imaginação», sendo seu próprio «sonho» microcósmico parte do «sonho» macrocósmico maior. Aqui se é introduzido à visão de Ibn Arabi da situação criativa como um estado de sono no qual o Cosmo criado é visto como o sonho divino, do qual a experiência humana é a imagem microcósmica. Toda a situação criativa, portanto, que requer o artifício do «outro» para efetivar seu propósito, pode ser vista como uma espécie de sonho divino no qual a ilusão de algo que «não sou eu» é apresentada à consciência divina como o reflexo de Sua própria possibilidade. O estado de vigília neste contexto é o estado inalienável da Unidade do Ser.
O tema principal deste capítulo é o da Luz divina e a imagem correspondente da sombra cósmica. A Luz é vista aqui como sendo ainda uma outra agência de criação, semelhante ao Sopro do Misericordioso, à Imaginação ou ao espelho. É esse poder que ilumina ou torna aparentes os arquétipos inexistentes e latentes do conhecimento de Deus, como Cosmo criado. Em um certo sentido, no entanto, ela é também um símbolo para a própria divindade como Criador. A imagem da sombra cósmica é um tanto mais complicada, uma vez que Ibn Arabi vê sua significação de duas maneiras.
Primeiro, a sombra é vista como uma imagem do próprio Cosmo, como estando em um certo sentido desapegada e aparentemente separada de Deus, ao mesmo tempo que é em última análise um absurdo sem a Sua Luz. Segundo, ela é vista como uma imagem do estado não manifestado das essências latentes do Cosmo in divinis. Em outras palavras, ele vê a qualidade de escuridão e de obscuridade da sombra tanto como uma indicação da aparente distância do Cosmo de Deus, como também sua obscurecimento, por sua complexidade formal, da realidade divina, e como um símbolo da ocultação e da não-existência das essências não criadas e não manifestadas do Cosmo em Deus. Assim, a sombra, quer como imagem do Cosmo criado ou, por enquanto, não criado, não é, de diferentes maneiras, nada além de Deus, quer como imagem refletida ou como conteúdo inerente do conhecimento. Uma outra maneira pela qual ele tenta explicar a relação neste capítulo é usar a interação de luz e cor, quer como potencial e latente em seu estado não iluminado ou como iluminada em toda a sua variedade de matizes, ilustrando assim a dependência mútua de luz e cor, da luz para sua diferenciação e da cor para sua manifestação.
Ibn Arabi conclui o capítulo com uma discussão adicional sobre a diferença entre a Realidade como Deus em Sua relação com os seres criados através de Seus Nomes, e a Realidade como Essência que transcende todo o processo criativo.