DA SABEDORIA DA SINGULARIDADE (al-hikmat al-fardiyah) NO VERBO DE MAOMÉ
- Do Verbo de Maomé
- A sabedoria singular e o selo dos profetas
- A essência da sabedoria de Maomé como singularidade ou incomparabilidade.
- A razão de sua sabedoria ser singular, por ser o indivíduo mais perfeito do gênero humano.
- O ato criador (al-amr) começando e terminando com Maomé, que foi profeta "enquanto Adão estava ainda entre a água e a argila" e o "selo (khatim) de todos os profetas".
- O ternário primordial e a natureza do amor
- O ternário como o primeiro número singular do qual todos os outros derivam.
- Maomé como o primeiro símbolo do Senhor por ter recebido as "palavras universais" que Deus ensinou a Adão, e sua natureza tripla.
- A realidade essencial de Maomé comportando a singularidade primordial.
- A fala de Maomé sobre o amor, fonte da existência, e a citação: "Três coisas de seu mundo, dentre tudo o que ele contém de triplo, me foram tornadas dignas de amor".
- A lista das três coisas: as mulheres, os perfumes e a oração, onde ele encontrava "o frescor de seus olhos".
- O conhecimento de si mesmo e a origem do ser
- A prioridade da menção das mulheres e da oração.
- A mulher como parte do homem por sua origem.
- A necessidade do homem de conhecer a si mesmo para conhecer seu Senhor.
- A citação do profeta: "Quem se conhece a si mesmo, conhece seu Senhor (man 'arafa nafsahu faqad 'arafa rabbah)".
- A dedução de que Deus pode ou não ser conhecido.
- O homem como o símbolo mais evidente do seu Senhor.
- O desejo divino e o encontro com o homem
- As mulheres "foram tornadas dignas de amor" a Maomé pela afeição do todo por suas partes.
- A palavra de Deus sobre a criação do homem: "E quando eu houver desdobrado sua forma, e que Eu lhe insuflar de Meu espírito".
- O intenso desejo de Deus de encontrar o homem, conforme o dito a Davi: "Ó Davi, sou Eu que os desejo ainda mais intensamente".
- O hadith sobre o Anticristo: "Nenhum de vocês verá seu Senhor antes que ele morra", indicando a necessidade de um desejo intenso de encontro.
- A palavra divina: "Nós os poremos à prova até que Nós saibamos", demonstrando o desejo divino de que uma qualidade particular se manifeste.
- O hadith sobre a hesitação divina: "Em nenhuma coisa que Eu faço, Eu hesito tanto quanto para tirar a alma de meu servidor crente, que tem horror da morte; e Eu tenho horror de lhe fazer do mal; no entanto é preciso que ele Me encontre".
- A criação do homem "em Sua forma" indicando que ele é oriundo do Espírito de Deus, e que é a Ele mesmo que o homem deseja.
- A natureza ignea do homem e a origem da mulher
- A composição do homem pelos quatro elementos e o Sopro divino que lhe conferiu sua natureza ígnea.
- A razão de Deus se dirigir a Moisés sob as aparências do fogo.
- A Natureza universal englobando os anjos.
- O ato criador simbolizado pelo insuflamento, que alude ao Expiro do Clemente (nafas ar-rahman), a expansão misericordiosa das possibilidades.
- A determinação essencial do homem tornada manifesta pelo Expiro divino.
- O Espírito aparecendo como fogo (nar) e não como luz (nur) por causa do receptáculo predisposto.
- O Sopro divino sendo inerente ao porquê o homem é homem.
- A criação da mulher como uma segunda "pessoa" a partir da natureza primordial do homem.
- A mulher aparecendo na forma do homem, e este se debruçando sobre ela por amar a si mesmo.
- A mulher se voltando para o homem como para seu país natal.
- O ternário: Deus, o homem e a mulher
- As mulheres "foram tornadas dignas de amor" a Maomé, do mesmo modo que Deus ama o que criou "em Sua forma".
- A forma como o parentesco mais alto, luminoso e perfeito, sendo o "duplo" da Existência divina.
- A mulher desdobrando o homem por sua existência e fazendo dele um polo de um casal.
- O ternário de Deus, o homem e a mulher.
- O homem tendendo para seu Senhor, sua origem, como a mulher tende para o homem.
- O amor de Maomé proveniente de Deus, a partir de quem ele recebeu sua "forma".
- O amor de Maomé por sua mulher por identificação com o amor divino.
- A união conjugal e a contemplação de Deus
- O homem que ama a mulher desejando a união mais completa.
- O ato conjugal como a união mais intensa na forma composta de elementos.
- A volúpia invadindo todas as partes do corpo e a prescrição da ablução total, simbolizando a extinção do homem na mulher.
- O ciúme de Deus, que não tolera que o servidor creia gozar de outra coisa que d'Ele, purificando-o para que ele se volte para Aquele em quem se extinguiu.
- A contemplação de Deus na mulher como a mais perfeita, pois se contempla Deus como ativo e passivo ao mesmo tempo.
- A impossibilidade de contemplar Deus diretamente, uma vez que Ele é independente dos mundos.
- O ato conjugal como o suporte sensível para a contemplação mais intensa.
- O ato conjugal correspondendo à projeção da Vontade divina sobre aquele que Ele "criou em Sua forma" para Se reconhecer.
- O exterior do homem primordial sendo criatura e seu interior sendo Deus.
- O homem tendo a faculdade de dispor de seu corpo, assim como Deus "dispõe da ordem, do céu... até a terra".
- As mulheres, os perfumes e a oração
- A citação: "Três coisas de seu mundo me foram tornadas dignas de amor, as mulheres (an-nisa), etc.".
- O uso de an-nisa, um plural sem singular, para aludir à posterioridade ontológica das mulheres.
- O Proeta amando as mulheres por seu nível ontológico, sendo elas o receptáculo passivo de seu ato.
- A Natureza universal (at-tabiah) como o Expiro misericordioso (an-nafas ar-rahmani).
- A manifestação do Mandamento (al-amr) divino como ato sexual, vontade espiritual (al-himmah) ou conclusão lógica.
- O amor divino como o fundamento para o amor às mulheres.
- Aquele que ama apenas por atração natural privando-se do conhecimento espiritual.
- O ato sexual para o ignorante sendo uma forma sem espírito.
- O homem ignorante de si mesmo.
- A citação poética: "As pessoas sabem bem que sou apaixonado; Somente, eles não sabem de quem...".
- A contemplação espiritual tornando o homem perfeito.
- A hierarquia ontológica e o amor divino
- A mulher ocupando um nível inferior ao do homem, conforme a palavra corânica: "Quanto aos homens, eles precedem em sua dignidade legal as mulheres de um nível".
- O ser criado na "forma de Deus" ocupando um nível inferior a seu criador, apesar da identidade da forma.
- O nível hierárquico distinguindo o Criador de Sua criação.
- A citação de Deus: "dá a cada coisa sua natureza própria", o que significa que ele dá o que é essencialmente devido a cada coisa.
- O simbolismo da linguagem e a ordem ascendente
- O profeta Maomé, especialista em língua árabe, fazendo prevalecer o feminino (thalathun) sobre o masculino na citação.
- A alusão à significação espiritual do amor que lhe foi inspirado, por meio do qual Deus lhe "ensinou" o que ele "não sabia" antes.
- O profeta como intermediário entre a Essência (dhat) e a mulher, situando-se entre duas entidades femininas, uma por noção (Essência) e outra real (mulher).
- O perfume como o termo do meio, análogo à posição de Adão entre a Essência e Eva.
- A significação espiritual do perfume, que alude à função do profeta como o adorador (al-abd) por excelência, que não cessou de se prostrar em estado de perfeita receptividade.
- O perfume como parte das emanações (anfas) espirituais, que são os "perfumes da existência".
- O respeito à ordem ascendente da manifestação divina na lista das três coisas.
- A palavra corânica: "Aquele que eleva por graus, o Senhor do Trono...".
- A Misericórdia (rahmah) de Deus se espalhando no mundo por meio da revelação do Clemente (ar-rahman) no Trono.
- A distinção entre bem e mal e a natureza das coisas
- A relação do perfume com a união sexual no Corão.
- A passagem corânica que associa mulheres "puras" e homens "puros" com bom odor: "Que as mulheres impuras sejam aos impuros, e os homens impuros aos impuras, e que as mulheres puras sejam aos puros, e os homens puros aos puras; estes são isentos do que dizem os caluniadores".
- A palavra (ou o sopro) sendo essencialmente exalação, podendo ser "bem-cheirosa" (tayibah) ou "mal-cheirosa".
- O Profeta detestando o odor do alho, mas não sua essência, que não é detestável.
- O ordem (al-amr) divino se dividindo em bem e mal.
- O Profeta sendo dotado do amor do bem.
- O escaravelho que não suporta o perfume da rosa, assim como o homem de temperamento de escaravelho não suporta a verdade.
- A palavra corânica: "Aqueles que creem na vaidade e não creem em Deus...", e "são eles os perdidos".
- A impossibilidade de uma constituição que não experimente senão o bem, pois em Deus se encontra o amor e a recusa.
- O mundo criado na "forma de Deus", e o homem criado segundo duas formas.
- A manifestação da Misericórdia divina no bem e no mal, sem que o mal absoluto possa existir.
- A oração como contemplação e manifestação divina
- O terceiro termo do ternário primordial sendo a oração (as-salah), na qual o Profeta encontrava "a frescura de seus olhos".
- A oração como uma contemplação e um apelo secreto entre Deus e o servidor.
- A palavra divina: "Lembrem-se de Mim, Eu Me lembrarei de vocês (adhkuruni adhkurkum)".
- A oração como um culto compartilhado entre Deus e o servidor, com duas metades.
- A primeira metade da oração, com a recitação dos versículos da sura al-fatihah, se referindo a Deus exclusivamente, e Ele respondendo: "Meu servidor Me menciona", "Meu servidor Me rende graças", "Meu servidor Me louva", "Meu servidor Me glorifica".
- A segunda metade, com os pedidos, se referindo exclusivamente ao indivíduo, e Deus dizendo: "Tudo isso retorna a Meu servidor, e Meu servidor receberá o que ele pede".
- A oração como invocação (dhikr), pondo o adorador na presença de Deus.
- A citação divina: "Eu assisto à invocação daquele que Me invoca (and jalisu man dhakarani)".
- A oração como uma oportunidade de contemplação (mushahadah) e visão (ru'yah) para o adorador.
- A adoração pela fé "como se ele O visse" para aquele que não tem vista intelectual.
- O adorador como "imame" de seu próprio microcosmo e dos anjos.
- A resposta de Deus pela boca do adorador: "Deus ouve aquele que O louva".
- A oração impedindo "as transgressões passionais e o pecado grave".
- A invocação (dhikr-ullah) sendo "mais grandiosa" que a oração.
- A grandeza atribuída a Deus somente.
- O movimento da existência e a oração ritual sintetizando-o em três movimentos: ascendente (posição de pé), horizontal (posição inclinada) e descendente (prosternação).
- O dom da oração e a distinção entre orações
- A "frescura dos olhos" como um dom divino, não resultado de tendência individual.
- A revelação (tajalli) de Deus na oração como um ato divino.
- A "frescura dos olhos" como a contemplação do Bem-amado, que repousa e imobiliza o olhar.
- A proibição de desviar-se durante a oração para evitar o roubo de Satanás sobre a adoração.
- A consciência do homem sobre seu próprio estado de alma durante a adoração, porque "o homem é testemunha de si mesmo, qualquer que seja a desculpa que ele profere".
- A oração indo de nós para Ele e d'Ele para nós.
- Deus que "reza" sobre nós em virtude de Seu nome O Último (al-akhir).
- A Divindade variando segundo a capacidade de seu receptáculo de revelação.
- A resposta de Junayd: "A cor da água é a cor de seu recipiente".
- O adorador que reza se ligando ao Nome O Último, e Deus o olhando em virtude da forma espiritual que o adorador manifesta.
- Aquele que reza sempre ficando para trás em sua adoração, conforme a sua capacidade (al-isti'dad).
- A incapacidade de compreender o louvor de todas as coisas distintamente.
- A crença e o conhecimento
- A criatura que louva pelo que ela é.
- O crente que louva a Divindade conforme a sua própria crença, louvando a si mesmo.
- A condenação de outras crenças por aquele que se fixa em uma adoração particular.
- A necessidade de conhecer o sentido da palavra de Junayd para admitir a validade de toda crença e reconhecer Deus em toda forma.
- A crença baseada na opinião (zann), da qual fala a palavra divina: "Eu Me conformo à opinião que Meu servidor se faz de Mim".
- A Divindade conforme a crença como o Deus que o coração pode conter, segundo a palavra divina: "Nem Meus céus nem Minha terra podem Me conter, mas o coração de Meu servidor fiel Me contém".
- A Divindade absoluta não podendo ser contida por nada, sendo a essência das coisas.
- A sabedoria singular e o selo dos profetas