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id da página: 10483 IBN ARABI – SABEDORIA DOS PROFETAS – NO VERBO DE MAOMÉ Ibn Arabi

Ibn Arabi Muhammad


DA SABEDORIA DA SINGULARIDADE (al-hikmat al-fardiyah) NO VERBO DE MAOMÉ

  • Do Verbo de Maomé
    • A sabedoria singular e o selo dos profetas
      • A essência da sabedoria de Maomé como singularidade ou incomparabilidade.
      • A razão de sua sabedoria ser singular, por ser o indivíduo mais perfeito do gênero humano.
      • O ato criador (al-amr) começando e terminando com Maomé, que foi profeta "enquanto Adão estava ainda entre a água e a argila" e o "selo (khatim) de todos os profetas".
    • O ternário primordial e a natureza do amor
      • O ternário como o primeiro número singular do qual todos os outros derivam.
      • Maomé como o primeiro símbolo do Senhor por ter recebido as "palavras universais" que Deus ensinou a Adão, e sua natureza tripla.
      • A realidade essencial de Maomé comportando a singularidade primordial.
      • A fala de Maomé sobre o amor, fonte da existência, e a citação: "Três coisas de seu mundo, dentre tudo o que ele contém de triplo, me foram tornadas dignas de amor".
      • A lista das três coisas: as mulheres, os perfumes e a oração, onde ele encontrava "o frescor de seus olhos".
    • O conhecimento de si mesmo e a origem do ser
      • A prioridade da menção das mulheres e da oração.
      • A mulher como parte do homem por sua origem.
      • A necessidade do homem de conhecer a si mesmo para conhecer seu Senhor.
      • A citação do profeta: "Quem se conhece a si mesmo, conhece seu Senhor (man 'arafa nafsahu faqad 'arafa rabbah)".
      • A dedução de que Deus pode ou não ser conhecido.
      • O homem como o símbolo mais evidente do seu Senhor.
    • O desejo divino e o encontro com o homem
      • As mulheres "foram tornadas dignas de amor" a Maomé pela afeição do todo por suas partes.
      • A palavra de Deus sobre a criação do homem: "E quando eu houver desdobrado sua forma, e que Eu lhe insuflar de Meu espírito".
      • O intenso desejo de Deus de encontrar o homem, conforme o dito a Davi: "Ó Davi, sou Eu que os desejo ainda mais intensamente".
      • O hadith sobre o Anticristo: "Nenhum de vocês verá seu Senhor antes que ele morra", indicando a necessidade de um desejo intenso de encontro.
      • A palavra divina: "Nós os poremos à prova até que Nós saibamos", demonstrando o desejo divino de que uma qualidade particular se manifeste.
      • O hadith sobre a hesitação divina: "Em nenhuma coisa que Eu faço, Eu hesito tanto quanto para tirar a alma de meu servidor crente, que tem horror da morte; e Eu tenho horror de lhe fazer do mal; no entanto é preciso que ele Me encontre".
      • A criação do homem "em Sua forma" indicando que ele é oriundo do Espírito de Deus, e que é a Ele mesmo que o homem deseja.
    • A natureza ignea do homem e a origem da mulher
      • A composição do homem pelos quatro elementos e o Sopro divino que lhe conferiu sua natureza ígnea.
      • A razão de Deus se dirigir a Moisés sob as aparências do fogo.
      • A Natureza universal englobando os anjos.
      • O ato criador simbolizado pelo insuflamento, que alude ao Expiro do Clemente (nafas ar-rahman), a expansão misericordiosa das possibilidades.
      • A determinação essencial do homem tornada manifesta pelo Expiro divino.
      • O Espírito aparecendo como fogo (nar) e não como luz (nur) por causa do receptáculo predisposto.
      • O Sopro divino sendo inerente ao porquê o homem é homem.
      • A criação da mulher como uma segunda "pessoa" a partir da natureza primordial do homem.
      • A mulher aparecendo na forma do homem, e este se debruçando sobre ela por amar a si mesmo.
      • A mulher se voltando para o homem como para seu país natal.
    • O ternário: Deus, o homem e a mulher
      • As mulheres "foram tornadas dignas de amor" a Maomé, do mesmo modo que Deus ama o que criou "em Sua forma".
      • A forma como o parentesco mais alto, luminoso e perfeito, sendo o "duplo" da Existência divina.
      • A mulher desdobrando o homem por sua existência e fazendo dele um polo de um casal.
      • O ternário de Deus, o homem e a mulher.
      • O homem tendendo para seu Senhor, sua origem, como a mulher tende para o homem.
      • O amor de Maomé proveniente de Deus, a partir de quem ele recebeu sua "forma".
      • O amor de Maomé por sua mulher por identificação com o amor divino.
    • A união conjugal e a contemplação de Deus
      • O homem que ama a mulher desejando a união mais completa.
      • O ato conjugal como a união mais intensa na forma composta de elementos.
      • A volúpia invadindo todas as partes do corpo e a prescrição da ablução total, simbolizando a extinção do homem na mulher.
      • O ciúme de Deus, que não tolera que o servidor creia gozar de outra coisa que d'Ele, purificando-o para que ele se volte para Aquele em quem se extinguiu.
      • A contemplação de Deus na mulher como a mais perfeita, pois se contempla Deus como ativo e passivo ao mesmo tempo.
      • A impossibilidade de contemplar Deus diretamente, uma vez que Ele é independente dos mundos.
      • O ato conjugal como o suporte sensível para a contemplação mais intensa.
      • O ato conjugal correspondendo à projeção da Vontade divina sobre aquele que Ele "criou em Sua forma" para Se reconhecer.
      • O exterior do homem primordial sendo criatura e seu interior sendo Deus.
      • O homem tendo a faculdade de dispor de seu corpo, assim como Deus "dispõe da ordem, do céu... até a terra".
    • As mulheres, os perfumes e a oração
      • A citação: "Três coisas de seu mundo me foram tornadas dignas de amor, as mulheres (an-nisa), etc.".
      • O uso de an-nisa, um plural sem singular, para aludir à posterioridade ontológica das mulheres.
      • O Proeta amando as mulheres por seu nível ontológico, sendo elas o receptáculo passivo de seu ato.
      • A Natureza universal (at-tabiah) como o Expiro misericordioso (an-nafas ar-rahmani).
      • A manifestação do Mandamento (al-amr) divino como ato sexual, vontade espiritual (al-himmah) ou conclusão lógica.
      • O amor divino como o fundamento para o amor às mulheres.
      • Aquele que ama apenas por atração natural privando-se do conhecimento espiritual.
      • O ato sexual para o ignorante sendo uma forma sem espírito.
      • O homem ignorante de si mesmo.
      • A citação poética: "As pessoas sabem bem que sou apaixonado; Somente, eles não sabem de quem...".
      • A contemplação espiritual tornando o homem perfeito.
    • A hierarquia ontológica e o amor divino
      • A mulher ocupando um nível inferior ao do homem, conforme a palavra corânica: "Quanto aos homens, eles precedem em sua dignidade legal as mulheres de um nível".
      • O ser criado na "forma de Deus" ocupando um nível inferior a seu criador, apesar da identidade da forma.
      • O nível hierárquico distinguindo o Criador de Sua criação.
      • A citação de Deus: "dá a cada coisa sua natureza própria", o que significa que ele dá o que é essencialmente devido a cada coisa.
    • O simbolismo da linguagem e a ordem ascendente
      • O profeta Maomé, especialista em língua árabe, fazendo prevalecer o feminino (thalathun) sobre o masculino na citação.
      • A alusão à significação espiritual do amor que lhe foi inspirado, por meio do qual Deus lhe "ensinou" o que ele "não sabia" antes.
      • O profeta como intermediário entre a Essência (dhat) e a mulher, situando-se entre duas entidades femininas, uma por noção (Essência) e outra real (mulher).
      • O perfume como o termo do meio, análogo à posição de Adão entre a Essência e Eva.
      • A significação espiritual do perfume, que alude à função do profeta como o adorador (al-abd) por excelência, que não cessou de se prostrar em estado de perfeita receptividade.
      • O perfume como parte das emanações (anfas) espirituais, que são os "perfumes da existência".
      • O respeito à ordem ascendente da manifestação divina na lista das três coisas.
      • A palavra corânica: "Aquele que eleva por graus, o Senhor do Trono...".
      • A Misericórdia (rahmah) de Deus se espalhando no mundo por meio da revelação do Clemente (ar-rahman) no Trono.
    • A distinção entre bem e mal e a natureza das coisas
      • A relação do perfume com a união sexual no Corão.
      • A passagem corânica que associa mulheres "puras" e homens "puros" com bom odor: "Que as mulheres impuras sejam aos impuros, e os homens impuros aos impuras, e que as mulheres puras sejam aos puros, e os homens puros aos puras; estes são isentos do que dizem os caluniadores".
      • A palavra (ou o sopro) sendo essencialmente exalação, podendo ser "bem-cheirosa" (tayibah) ou "mal-cheirosa".
      • O Profeta detestando o odor do alho, mas não sua essência, que não é detestável.
      • O ordem (al-amr) divino se dividindo em bem e mal.
      • O Profeta sendo dotado do amor do bem.
      • O escaravelho que não suporta o perfume da rosa, assim como o homem de temperamento de escaravelho não suporta a verdade.
      • A palavra corânica: "Aqueles que creem na vaidade e não creem em Deus...", e "são eles os perdidos".
      • A impossibilidade de uma constituição que não experimente senão o bem, pois em Deus se encontra o amor e a recusa.
      • O mundo criado na "forma de Deus", e o homem criado segundo duas formas.
      • A manifestação da Misericórdia divina no bem e no mal, sem que o mal absoluto possa existir.
    • A oração como contemplação e manifestação divina
      • O terceiro termo do ternário primordial sendo a oração (as-salah), na qual o Profeta encontrava "a frescura de seus olhos".
      • A oração como uma contemplação e um apelo secreto entre Deus e o servidor.
      • A palavra divina: "Lembrem-se de Mim, Eu Me lembrarei de vocês (adhkuruni adhkurkum)".
      • A oração como um culto compartilhado entre Deus e o servidor, com duas metades.
      • A primeira metade da oração, com a recitação dos versículos da sura al-fatihah, se referindo a Deus exclusivamente, e Ele respondendo: "Meu servidor Me menciona", "Meu servidor Me rende graças", "Meu servidor Me louva", "Meu servidor Me glorifica".
      • A segunda metade, com os pedidos, se referindo exclusivamente ao indivíduo, e Deus dizendo: "Tudo isso retorna a Meu servidor, e Meu servidor receberá o que ele pede".
      • A oração como invocação (dhikr), pondo o adorador na presença de Deus.
      • A citação divina: "Eu assisto à invocação daquele que Me invoca (and jalisu man dhakarani)".
      • A oração como uma oportunidade de contemplação (mushahadah) e visão (ru'yah) para o adorador.
      • A adoração pela fé "como se ele O visse" para aquele que não tem vista intelectual.
      • O adorador como "imame" de seu próprio microcosmo e dos anjos.
      • A resposta de Deus pela boca do adorador: "Deus ouve aquele que O louva".
      • A oração impedindo "as transgressões passionais e o pecado grave".
      • A invocação (dhikr-ullah) sendo "mais grandiosa" que a oração.
      • A grandeza atribuída a Deus somente.
      • O movimento da existência e a oração ritual sintetizando-o em três movimentos: ascendente (posição de pé), horizontal (posição inclinada) e descendente (prosternação).
    • O dom da oração e a distinção entre orações
      • A "frescura dos olhos" como um dom divino, não resultado de tendência individual.
      • A revelação (tajalli) de Deus na oração como um ato divino.
      • A "frescura dos olhos" como a contemplação do Bem-amado, que repousa e imobiliza o olhar.
      • A proibição de desviar-se durante a oração para evitar o roubo de Satanás sobre a adoração.
      • A consciência do homem sobre seu próprio estado de alma durante a adoração, porque "o homem é testemunha de si mesmo, qualquer que seja a desculpa que ele profere".
      • A oração indo de nós para Ele e d'Ele para nós.
      • Deus que "reza" sobre nós em virtude de Seu nome O Último (al-akhir).
      • A Divindade variando segundo a capacidade de seu receptáculo de revelação.
      • A resposta de Junayd: "A cor da água é a cor de seu recipiente".
      • O adorador que reza se ligando ao Nome O Último, e Deus o olhando em virtude da forma espiritual que o adorador manifesta.
      • Aquele que reza sempre ficando para trás em sua adoração, conforme a sua capacidade (al-isti'dad).
      • A incapacidade de compreender o louvor de todas as coisas distintamente.
    • A crença e o conhecimento
      • A criatura que louva pelo que ela é.
      • O crente que louva a Divindade conforme a sua própria crença, louvando a si mesmo.
      • A condenação de outras crenças por aquele que se fixa em uma adoração particular.
      • A necessidade de conhecer o sentido da palavra de Junayd para admitir a validade de toda crença e reconhecer Deus em toda forma.
      • A crença baseada na opinião (zann), da qual fala a palavra divina: "Eu Me conformo à opinião que Meu servidor se faz de Mim".
      • A Divindade conforme a crença como o Deus que o coração pode conter, segundo a palavra divina: "Nem Meus céus nem Minha terra podem Me conter, mas o coração de Meu servidor fiel Me contém".
      • A Divindade absoluta não podendo ser contida por nada, sendo a essência das coisas.