VIDE: SABEDORIA DOS PROFETAS
A SABEDORIA DA MAESTRIA NO VERBO DE LOT
De acordo com o título, este capítulo trata do assunto da «maestria», cujo termo no árabe original implica posse e controle. Torna-se evidente, no entanto, no início do capítulo, que o que Ibn Arabi quer dizer com maestria não é o poder físico ou vital, mas sim o poder espiritual, uma vez que tal poder é geralmente adquirido, como ele aponta, não no vigor físico da juventude, mas em uma idade mais avançada quando o poder físico está em declínio. Sua discussão da questão da maestria, como ilustrada pela situação do profeta Lot, leva Ibn Arabi a mais uma exposição sobre o assunto do poder espiritual da Concentração ou himmah. Neste capítulo, ele está particularmente preocupado com a relação entre este poder e a gnose [ma'rifah] e como a aquisição desta última restringe e limita severamente o exercício do primeiro.
Em um certo sentido, os dois são aspectos da realização espiritual, um dinâmico, o outro estático. A gnose, no entanto, sendo de recordação e centrípeta, é superior à concentração espiritual, que é criativa e orientada cosmicamente. Ele ilustra isso explicando que os profetas estavam relutantes em exercer seu himmah para produzir milagres com o objetivo de convencer os descrentes a aceitarem a fé, porque sua gnose os fazia conscientes de que, na realidade, é apenas Deus Quem guia os homens para a Verdade e, além disso, que Ele o faz de acordo com Seu conhecimento das realidades, que é ele mesmo eternamente informado pelos arquétipos latentes dos seres criados. Esta é, de fato, a realização pelo gnóstico de que não apenas o próprio poder criativo, mas também o princípio da identidade consciente que o exerce, é na realidade o poder de Deus e Sua identidade, o que significa que qualquer noção de autonomia individual ou pessoal no exercício de tal poder é inevitavelmente ilusória tanto em sua concepção quanto em seu resultado.
Ele conclui o capítulo lembrando o leitor mais uma vez que, na realidade, somos nós mesmos, por não sermos outra coisa, in divinis, senão aquilo que o próprio Deus sabe que Ele é, que determinamos a natureza de nossa experiência criada no Cosmo e o curso de nosso destino.