Três grandes biografias de Ibn Arabi se consagraram no século passado, a de Miguel Asin Palacios, a de Henry Corbin e de Claude Addas.
Recentemente uma biografia devida a Stephen Hirtenstein, The Unlimited Mercifier foi também traduzida para o português, "O Compassivo Ilimitado", Fissus Editora.
Capítulo 4 de ADDAS, CLaude. Ibn ‘Arabî o la búsqueda del azufre rojo. Editora regional de Murcia, 1996
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O destino espiritual de Ibn ‘Arabî estrutura-se em torno dos anos 586, 594 e 598 da Hégira, momentos decisivos de sua trajetória interior, que transformam sua vida pessoal em expressão da própria história da walâya (santidade).
- A partir de 586/1190, sua experiência mística transcende a dimensão individual: a vida do Shaykh al-Akbar passa a coincidir com o desenrolar cósmico da santidade, compreendida como drama divino manifestado no universo inteiro.
- Nessa data, Ibn ‘Arabî tem a célebre visão de Córdoba, na qual contempla todos os profetas e enviados de Adão a Muhammad e recebe de Hûd a revelação do motivo da reunião: a confirmação de sua designação como Selo da Santidade Muhammadiana (hatm al-walâya al-muhammadiyya).
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A tradição akbariana preserva, por meio de seus discípulos —notadamente al-Qûnawî, al-Yandî, Qashânî e Qaysarî—, o testemunho segundo o qual os profetas reuniram-se para felicitar Ibn ‘Arabî por ter sido investido como o Herdeiro supremo do Selo dos Profetas.
- O conceito de “Selo da Santidade” designa a culminação da walâya, função que encerra o ciclo da herança profética.
- Ibn ‘Arabî retoma o hadith “Eu já era profeta quando Adão ainda estava entre a água e o barro”, interpretando-o como prova da preexistência da haqîqa muhammadiyya, a Realidade primordial de Muhammad, essência espiritual manifestada progressivamente em todos os profetas.
- Com a morte de Muhammad, cessa a profecia legisladora (nubuwwat al-tashrî‘), permanecendo apenas a santidade como via pela qual a Realidade muhammadiana continua a atuar até o fim dos tempos.
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Na doutrina de Ibn ‘Arabî, todo profeta é também um santo, mas o grau de santidade transcende o de profecia, pois a walâya é eterna, enquanto a profecia teve seu termo histórico.
- A santidade, em seu grau supremo, é chamada nubuwwa ‘âmma (“profecia geral”, não legisladora).
- Assim como Muhammad é o Selo da profecia legisladora, há também o Selo dos santos, cuja função manifesta integralmente a herança espiritual do Profeta.
- Ibn ‘Arabî distingue três selos: o Selo da santidade muhammadiana (de si próprio), o Selo da santidade universal (Jesus), e o Selo final da humanidade (o último homem a nascer, no fim dos tempos).
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O Selo da santidade muhammadiana representa a plena realização da walâya derivada de Muhammad; após ele, nenhum santo poderá estar “sobre o coração do Profeta”.
- O Selo da santidade universal é identificado com Jesus (‘Îsâ), cuja segunda vinda encerrará o ciclo da walâya geral, selando a profecia não legisladora.
- A primazia de Jesus nesse papel não contradiz a superioridade do Selo muhammadiano, pois este é o foco da walâya dentro da comunidade islâmica, enquanto Jesus atua em escala cósmica e escatológica.
- A relação espiritual entre Ibn ‘Arabî e Jesus é, portanto, essencial: o Shaykh al-Akbar se reconhece como o herdeiro muhammadiano, enquanto Cristo é o selo universal que encerrará o ciclo espiritual da humanidade.
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A autodeclaração de Ibn ‘Arabî como Selo da santidade muhammadiana é explícita:
- “Sou, sem dúvida alguma, o Selo da santidade, em minha qualidade de herdeiro do Hashimita e do Messias.”
- “Sou o Selo dos santos, como Muhammad é o Selo dos profetas.”
- Essa convicção constitui o eixo de sua vida e obra, conferindo sentido à sua trajetória mística e a todas as suas visões.
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O ano de 586/1190, além da Visão de Córdoba, marca o início de uma série de experiências espirituais intensas, retiradas e revelações em Sevilha.
- Nessa época, o contexto político é dominado pelo sultão almôada Abû Yûsuf Ya‘qûb al-Mansûr, cujo rigor religioso e zelo reformador moldam o ambiente andalusino.
- Enquanto o soberano busca restabelecer a ortodoxia, Ibn ‘Arabî se afasta cada vez mais dos círculos de poder, entregando-se ao ascetismo e à contemplação.
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Em Sevilha, Ibn ‘Arabî experimenta visões relacionadas ao Juízo Final (Qiyâma), descritas no Kitâb al-mubashshirât e nas Futûhât al-Makkiyya, nas quais intercede por “todos os que minha visão puder abarcar”, sendo as primeiras pessoas por quem pede quatro mulheres —suas irmãs e esposas—, evidenciando sua doutrina da igualdade espiritual entre homens e mulheres.
- Para Ibn ‘Arabî, não há grau de realização mística inacessível às mulheres; entre seus mestres espirituais figuram Fâtima bint Ibn al-Mutannà e Shams Umm al-Fuqarâ’, veneradas como “mães espirituais” e exemplos de santidade.
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O ano de 586/1190 é também o período de seus encontros com os “bahâlîl” (os “loucos divinos”), figuras cuja razão foi aniquilada pela intensidade da teofania.
- Ibn ‘Arabî distingue diferentes categorias desses santos extáticos e reconhece ter vivido ele próprio esse estado de aniquilamento espiritual, em que a consciência sensível se suspende durante a oração.
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No mesmo período, intensificam-se seus contatos com discípulos de Abû Madyan, o grande mestre magrebino, como Abû Ahmad as-Salawî e Abû Ya‘qûb al-Kûmî, com quem realiza retiros prolongados.
- A relação espiritual entre mestre e discípulo torna-se recíproca, pois Ibn ‘Arabî reconhece ter guiado seus próprios mestres em certos estados de êxtase.
- Seus retiros nos cemitérios de Sevilha, onde recebe “descidas” do Corão em forma de “chuva de estrelas” (nuyûman), ilustram o processo da revelação interior, comparável ao descenso corânico experimentado pelo Profeta.
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O testemunho de Mu’ayyad ad-Dîn al-Yandî, baseado em Qûnawî, confirma que foi ao final de um retiro de nove meses em Sevilha que Ibn ‘Arabî recebeu a revelação de ser o Selo muhammadiano da santidade.
- Esse “anúncio” coincide, cronologicamente e espiritualmente, com as visões de 586/1190, ano que o próprio Ibn ‘Arabî considera o mais abençoado de sua vida.
- A partir desse ponto, sua consciência de missão se afirma: ele se vê como o portador da walâya muhammadiyya integral, cuja manifestação visível é o Shaykh al-Akbar e cujo centro invisível é a Realidade de Muhammad.
CORBIN, Henry. Creative imagination in the Sūfism of Ibn ʻArabi. London: Routledge & K. Paul, 1969
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A existência terrena de Abū Bakr Muḥammad ibn al-‘Arabī, conhecido como Ibn ‘Arabī, teve início em Múrcia, no sudeste da Espanha, em 17 de Ramaḍān de 560 da Hégira (28 de julho de 1165), coincidindo com o primeiro aniversário da proclamação da “Grande Ressurreição” no castelo de Alamūt, evento central do ismaelismo espiritual iraniano.
- Recebeu os epítetos de Muḥyi’d-Dīn (“Vivificador da Religião”), al-Shaykh al-Akbar (“O Maior Mestre”) e Ibn Aflaṭūn (“Filho de Platão”), refletindo a amplitude de seu pensamento.
- Educado em Sevilha desde a infância, gozou de ambiente familiar culto e abastado, contraiu precoce matrimônio e manifestou, ainda jovem, forte inclinação para o sufismo.
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Suas primeiras experiências visionárias surgem durante uma grave enfermidade que o deixou em estado de letargia e o introduziu ao ‘ālam al-mithāl, o “mundo imaginal”.
- Durante o transe, enfrentou seres demoníacos até ser socorrido por uma figura luminosa que se identificou como a Sūrat Yāsīn; a energia criadora da Palavra recitada por seu pai teria se corporificado no mundo sutil.
- Esse episódio inaugura sua consciência do poder ontológico da recitação corânica e da realidade imaginal intermediária entre o sensível e o espiritual.
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A juventude de Ibn ‘Arabī foi profundamente marcada por duas mestras sufis, Yasmin de Marchena e Fāṭima de Córdoba, mulheres santas de Andaluzia cuja influência consolidou sua vocação espiritual.
- Fāṭima, sua “mãe espiritual”, é descrita como possuidora de beleza e graça juvenis apesar da idade avançada, e dotada do carisma da Sūrat al-Fātiḥa, que assumia forma visível e atuante quando recitada com devoção.
- A venerável shaikha dirigia-lhe palavras simbólicas: “Sou tua mãe divina e a luz de tua mãe terrena”, ecoando o título profético umm abīhā (“mãe de seu pai”) concedido à filha do Profeta, Fāṭima al-Zahrā, prefigurando o destino espiritual do discípulo.
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Por volta dos vinte anos, Ibn ‘Arabī reconhece sua entrada definitiva no caminho iniciático e sua vocação para a vida mística.
- A esse período pertence o célebre encontro com Averróis (Ibn Rushd), filósofo peripatético de Córdoba, amigo de seu pai.
- A entrevista entre o jovem místico e o mestre aristotélico simboliza o confronto entre razão especulativa e iluminação interior: ao “Sim” de Averróis, Ibn ‘Arabī responde “Sim e Não”, indicando que entre ambos —intelecto e revelação— há um intervalo onde “as almas se separam dos corpos”.
- O filósofo reconhece a autenticidade dessa experiência e exulta por ter vivido para testemunhar “um dos que abrem as portas de Deus”.
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Em visões posteriores, Ibn ‘Arabī reencontra Averróis num estado extático, separados por um “véu de luz”: o filósofo, absorto no pensamento racional, não o percebe, e o místico conclui que a especulação não conduz ao mesmo plano de consciência em que ele se encontra.
- No funeral do filósofo, em 595/1198, Ibn ‘Arabī presencia o transporte do corpo e dos livros de Averróis equilibrando-se nos dois lados de uma montaria; medita então sobre o destino do saber puramente racional, perguntando-se se as esperanças do mestre foram realizadas.
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Esse tríplice encontro —em vida, em visão e na morte— resume a tensão essencial entre filosofia e mística: de um lado o esforço da razão; de outro, a realização da theophania, o conhecimento direto da presença divina.
- O episódio torna-se símbolo de toda a obra de Ibn ‘Arabī, cuja missão consiste em transmutar o saber conceitual em experiência visionária, reconciliando pensamento e revelação no espaço interior do ‘ālam al-mithāl.
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A continuação da narrativa evoca uma visão posterior na Ka‘ba, em que Ibn ‘Arabī recebe resposta à sua inquietação —“Como desejaria saber se suas esperanças se cumpriram”— pela voz da Sophia aeterna, figura teofânica da Sabedoria eterna.
- A revelação ensina que a realização espiritual depende do consentimento interior ao próprio destino divino, não do esforço da filosofia racional nem da adesão a um “Deus criado pelos dogmas”.
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Ibn ‘Arabī concebe a vida espiritual como busca incessante de um encontro decisivo e pessoal com o divino, intransmissível e inimitável, resultado de uma longa jornada interior.
- Sua erudição vasta não implica sincretismo, mas seleção rigorosa do que ressoa com seu “céu interior”.
- Tal atitude caracteriza uma hermenêutica espiritual que integra as tradições sem violentar a letra do Islã, preservando-a como suporte simbólico e defesa contra o fanatismo da ignorância.
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O mestre reconhece também a influência de fatores invisíveis: visitas de seres espirituais pertencentes a hierarquias ocultas e confrarias angélicas que vinculam o mundo humano a outras dimensões, correspondendo às estruturas cósmicas do esoterismo islâmico e ismaelita.
- Essas experiências, inscritas em seu “Diário espiritual”, ultrapassam o campo da filologia e da psicologia e pertencem àquilo que Ibn ‘Arabī denomina “psicologia profética”, ciência da alma iluminada.
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Apesar das leituras e dos mestres visíveis e invisíveis, Ibn ‘Arabī não aceita conhecimentos de segunda mão; afirma ter conhecido pessoalmente adeptos de todas as vias e tradições religiosas.
- Sua máxima metodológica é exemplo de rigor espiritual e intelectual: “Jamais falei de doutrina sem basear-me no testemunho direto de quem a vivia.”
- Essa probidade visionária define o caráter científico e universal de sua obra, cuja finalidade é unir experiência e verdade, razão e revelação, no horizonte ilimitado do espírito.
El islam cristianizado: estudio del “sufismo” a través de las obras de Abernarabi de Murcia. Valladolid (España): Editorial Maxtor, 2018
A vida do místico murciano Abenarabi, tema da primeira parte deste ensaio, foi escrita principalmente e quase exclusivamente com os textos autobiográficos que abundam em seus livros, especialmente no Fotuhat 36(1). Sem desconsiderar as escassas informações fornecidas por seus biógrafos, acreditamos que aquelas fornecidas pelo próprio Abenarabi são de maior interesse, pois, além de sua maior autenticidade, oferecem ao leitor uma imagem realista e pitoresca do ambiente islâmico, espanhol e oriental, e do período em que se desenvolveu a agitada vida espiritual desse místico hispânico inquieto e errante. Cada evento ou episódio específico será, portanto, documentado com as respectivas passagens de suas obras, relevantes para o caso, que serão incorporadas ao texto da biografia ou incluídas em uma nota de rodapé, dependendo de sua maior ou menor extensão e importância. Qualquer fato ou notícia cronológica que não tenha essa documentação verificadora autêntica é entendido como autorizado pelo único testemunho de seus biógrafos muçulmanos, tanto espanhóis quanto orientais, principalmente Almacari e o autor anônimo do tarchama ou biografia apologética que encabeça a edição do Fotuhat37 (1). Ambos resumem ou citam literalmente fontes mais antigas38 (2).
- O propósito de escrever um livro sobre Ibn Arabi dirigido ao público geral nasce da necessidade de oferecer uma visão clara, acessível e compreensiva da vida e dos ensinamentos de uma das figuras mais notáveis da espiritualidade humana.
* Ibn Arabi, conhecido no mundo islâmico como *al-shaykh al-akbar* (“o Maior Mestre”), é autor de mais de 350 obras que revelam uma profunda criatividade e um vasto horizonte espiritual.
* Embora muitos estudos acadêmicos tenham sido dedicados à sua obra, grande parte deles dirige-se a especialistas, dada a complexidade de sua linguagem e de seus conceitos, que exigem conhecimento do Islã, do Alcorão, do *Hadith*, da filosofia árabe medieval e da filologia árabe.
* Apesar dessa dificuldade, os escritos de Ibn Arabi conservam a capacidade singular de tocar leitores de qualquer origem, pois suas expressões místicas emanam diretamente do coração e dialogam com a experiência humana universal.
- A intenção declarada do autor é tornar os ensinamentos de Ibn Arabi mais acessíveis e inspiradores, priorizando a experiência interior em vez da análise erudita.
* O livro não pretende seguir padrões acadêmicos ocidentais, já que Ibn Arabi escrevia com o propósito de provocar transformação espiritual, e não de produzir tratados intelectuais.
* O foco é apresentar o sabor, a grandeza e a atualidade de sua mensagem, preservando a dimensão vivencial de sua obra e facilitando a leitura mediante o uso do calendário solar e uma linguagem moderna.
- A metodologia adotada busca deixar que o próprio Ibn Arabi fale através de suas palavras, alternando passagens autobiográficas com textos doutrinais.
* O objetivo é proporcionar ao leitor uma visão integrada de sua vida e pensamento, evitando a separação entre biografia e doutrina.
* A narrativa assume forma meditativa, na qual os episódios da vida são apresentados como enigmas que convidam à contemplação, e não como simples fatos históricos.
* Essa estrutura reflete a unidade essencial entre a experiência e o ensinamento, na qual a vida do mestre é expressão direta de sua visão espiritual.
- O livro não pretende oferecer uma exposição exaustiva ou sistemática da vasta obra de Ibn Arabi, mas uma leitura pessoal e introdutória, destinada a despertar o interesse e o estudo individual.
* As limitações do trabalho são assumidas conscientemente, e sua justificativa está em estimular novos leitores a buscar por si mesmos o contato direto com os textos originais.
* As obras de Ibn Arabi permanecem, no Ocidente, como uma mina de sabedoria ainda em grande parte inexplorada, cuja profundidade ética e metafísica se mostra especialmente necessária no mundo contemporâneo.
- No centro da mensagem de Ibn Arabi encontra-se a doutrina da compaixão ilimitada, entendida como princípio ontológico que estrutura toda a existência.
* A verdadeira compaixão, segundo o mestre, transcende fronteiras religiosas, culturais e morais, sendo expressão da própria essência divina presente em todos os níveis do ser.
* Essa visão confere ao homem um direito inato de participação na misericórdia universal, fundamentando uma ética de amor e inclusão que representa uma mensagem de esperança para a humanidade.
- A elaboração do livro reconhece o apoio de diversas pessoas e instituições que contribuíram, direta ou indiretamente, para sua realização, entre elas familiares, amigos, a *Muhyiddin Ibn Arabi Society*, o *Bulent Rauf Scholarship Fund* e a *Swan School of English*.