René Guénon: A TERRA DO SOL
En el Zodíaco de Glastonbury, el signo de Acuario está representado, de modo bastante imprevisto, por un ave en la cual el autor cree, con razón, reconocer al Fénix, portadora de un objeto que no es sino la "copa de inmortalidad", es decir, el Graal mismo; y la vinculación que a este respecto se ha establecido con el Gáruda hindú es ciertamente exacta 1
. Por otra parte, según la tradición árabe, el Ruj o Fénix no se posa jamás en tierra en otro lugar que la montaña de Qâf, o sea la "montaña polar"; y de esta misma "montaña polar", designada con otros nombres, proviene en las tradiciones hindú y persa el soma, que se identifica con el ámrta, o "ambrosía", bebida o alimento de inmortalidad 2
.
Ananda Coomaraswamy: ARTIGOS SELETOS DE METAFÍSICA
Sin embargo, los «nidos de más abajo» no son solo los de las substancias individuales en el sentido explicado arriba, sino que, al mismo tiempo, son cada altar sacrificial, ya sea concreto o dentro de vosotros, donde se enciende el Fuego sagrado; y es en estos sentidos como «la Deidad, abandonando su trono de oro, se apresura al lugar de nacimiento aparente del Halcón, la sede construida por (medio de la) especulación» (syeno na yonim sadanam dhiyâ krtam hiranyayam âsadam deva eshati, Rig Veda Samhitâ IX.71.6), donde el Halcón, como es habitual, es el Fuego; el lugar de nacimiento, como es habitual, es el Altar; el seno de la Madre Tierra, es la matriz de la Madre; y el aspecto de la Deidad (deva) a que se alude como apresurándose es el del Soma, la savia del Árbol de la Vida, el «Vino» de la vida, y el Sacrificio voluntario (krîluh). Por consiguiente, encontramos un elaborado simbolismo del Altar, que es el «trono de más abajo» de la Deidad, en esta misma semejanza del nido de un pájaro; e incluso que el Altar se completa de manera que sea manifiestamente semejante a un nido, como, por ejemplo, en Aitareya Brâhmana I.28, donde el Sacerdote, al invocar al sagrado «Fuego y a la Hueste Angélica a aposentarse primero en el lugar del nacimiento, rico en lana» (representado por el «esparcido», pues estas palabras se toman de Rig Veda Samhitâ VI.15-16), procede con la fórmula «Haciendo un nido consagrado para Savitr» (el Sol en tanto que «Vivificador») y, de hecho, prepara «por así decir, un nido, con los palos circundantes de madera de pîtudâru, bedelio, vellones de lana e hierbas fragantes», y todo esto es realmente una representación del nido del Fénix, en el que la vida del Águila, el Fuego, se renueva perpetuamente. DOS PASAJES EN EL «PARADISO» DE DANTE?
Simbolismo
Luis Miguel Martínez Otero: Excertos de "Iniciación al Simbolismo" — AVE FENIX
Cabala
Mario Satz
Horápolo conta em seus Hieroglyphica que: "O fênix, quando sente a proximidade do fim, atira-se ao solo e fere a si mesmo. De seu sangue derramado nasce o novo fênix, que vai com seu pai ao Egito, onde este morre ao pôr-do-sol." Recapitulando os principais estágios do mito, Anglada Anfruns comenta: "O termo fênix, que designa a ave mitológica, é a palavra grega phoinix, cujos diversos significados possuem, entretanto, um fundo comum. Dentre tais significados, os mais importantes para o nosso mito são: 1) fenício; 2) púrpura ou carmesim, pois o descobrimento e o primeiro uso desta cor foram atribuídos pelos antigos aos fenícios; 3) palmeira." De todas as possíveis acepções, a de palmeira nos remete imediatamente à idéia cristã de "palmas de ressurreição" e ao conceito hebraico de lulav, palmeira mística que contém o coração e seu serviço divino; mas, em termos gerais, o que se mostra assombroso é que, apesar de Llulio iniciar o Livro das Maravilhas descrevendo a missão com que um pai incumbe o filho (Félix), o herói não tem família. Ele cai, por assim dizer, out ofthe blue, diretamente do céu. Forçando um pouco mais a interpretação, poderíamos dizer que Félix é um avatar do Pai, que termina por engendrar, à maneira de Melchitzedek, um descendente igual a si mesmo, que será, por sua vez, "seu próprio pai e seu próprio filho e herdeiro, sua própria ama-de-leite e seu próprio pupilo".
O sentimento do maravilhoso é de tal ordem que, assim como a instantaneidade budista do satori ou o conceito sufi de ibn-al-wakt ("filho do instante"), não aceita quaisquer relações de parentesco que não as cósmicas ou, até, as sobrenaturais. Ao falar da ave Fênix, Ovídio emprega, em suas Metamorfoses (XV, 392-410), uma palavra caríssima às personagens de Llulio, a saber, lacrimis. Eis a passagem:
Sed turis lacrimis et succo uiuit amoni.
Viver das "lágrimas de incenso" significa, em termos religiosos, absorver a energia solar da árvore helíaca por excelência, prescindindo quase ou totalmente de qualquer alimentação terrestre, grosseira. Quanto a isto, acrescenta São Gregório de Tours, ao comentar, em sua obra O Curso das Estrelas (c.XII), uma passagem de Lactâncio: "(o Fênix) se alimenta somente do orvalho celeste." As lágrimas de felicidade que inspiraram as palavras do santo de Mallorca: "Cantava o pássaro no jardim do Amado. Chegou o amigo, que disse ao pássaro: 'Se não nos entendemos pela linguagem, entendamo-nos pelo amor, pois em teu canto apresenta-se diante de meus olhos o meu Amado'", são doces e até procuradas, pois todo aventureiro do maravilhoso parece estar disposto aos maiores sacrifícios para maravilhar-se, para manter vivo em seu coração o assombro adâmico, a dourada certeza que faz de nossa espécie, aqui na Terra, uma mescla de anjo e besta, de luz e sombra. Poucos personagens ocidentais do século XIII tiveram, como Llulio, o incalculável selo do milagroso, pois, como dizia William Blake, "pelo caminho do excesso" ele chegou "ao palácio da sabedoria", e, uma vez nele, abriu todas as portas para os ventos frescos da fantasia, ciente de que, mais cedo ou mais tarde, nos sentiríamos atraídos pela descomunal biblioteca que é a sua obra real e também a apócrifa.
Hoje, que a natureza encontra-se em vias de extinção por falta de "devoção e maravilha", as palavras de Llulio se apresentam como um possível bálsamo, como mensagem além-túmulo para evitar os túmulos, tal como seu Félix-Fênix, rara avis literária. Admirabile esse.
NOTAS: