VIDE: Videira
Hans Jonas: SONO
As metáforas da intoxicação requerem comentário especial. A "embriaguez" do mundo é um fenômeno peculiar característico do aspecto espiritual do que os gnósticos compreendiam pelo termo "mundo". É induzido pelo "vinho da ignorância", que o mundo em toda parte confere ao homem. A metáfora deixa claro que a ignorância não é um estado neutro, a mera ausência de conhecimento, mas é ela mesma uma contra-condição positiva ao conhecimento, ativamente induzido e mantido para preveni-la. A ignorância da embriaguez é a ignorância da alma de si mesma, sua origem, e sua situação no mundo estranho: é precisamente a consciência da estranheza que a intoxicação quer suprimir; o homem levado pelo rodamoinho e feito esquecido de seu verdadeiro ser é tornado um filho deste mundo. Este é o propósito dos poderes do mudo em oferecendo seu vinho e mantendo sua "festança". A embriaguez da ignorância é combatida pela "sobriedade" do conhecimento, uma fórmula religiosa algumas vezes intensificada pelo paradoxo da "embriaguez sóbria" (provavelmente cunhada de Philon; vide (Odes de Salomão 11).
- embriaguez
- La metafísica tiene como dos grandes dimensiones, una «ascendente» y que trata de los principios universales y de la distinción entre lo Real y lo ilusorio, y otra «descendente» y que trata, por el contrario, de la «vida divina» en las situaciones de las criaturas, es decir, de la «divinidad» fundamental y secreta de los seres y de las cosas, pues «todo es Atmâ»; la primera dimensión puede ser llamada «estática», se refiere a la primera Shahâda y a la «extinción» (fanâ'), la «aniquilación» (istihlâk), mientras que la segunda dimensión aparece como «dinámica» y se refiere a la segunda Shahâda y a la «permanencia» (baqâ'). Comparada con la primera dimensión, la segunda es misteriosa y paradójica, parece contradecir en ciertos puntos a la primera, o también, es como un vino con el que se embriaga el Universo; pero no hay que perder nunca de vista que esta segunda dimensión ya está contenida implícitamente en la primera -al igual que la segunda Shahâda deriva de la primera, a saber, del «punto de intersección» illâ- de modo que la metafísica estática, «elemental» o «separativa» se basta a sí misma y no merece ningún reproche por parte de los que saborean las paradojas embriagadoras de la experiencia unitiva. (Compreender o Islame 6)
Roberto Pla: Evangelho de Tomé - Logion 28
Mario Satz
Nada menos que sabedoria, a dissipação do tempo é o que se oferece a quem participa na vida anterior à videira e a quem submerge sua genealogia, quer dizer, sua cronologia, no espírito vivo que navega por nosso sangue! El Nablusi, outro sufi, comenta que o vinho significa a bebida do Amor Divino, e que esse amor é causa de embriaguez que produz o esquecimento completo de tudo o que existe no mundo. Porém trata-se de um esquecimento realizado pelo ego, não pelo Ser. "Há que ceder um para obter Um", reza um provérbio zen. A "douta ignorância" de Nicolau de Cusa se chega por uma espécie de dupla negação: a de não conferir ao intelecto lógico mais do que lhe pertence, e logo, não considerar o tempo como meio idôneo para obter o que se vê, está fora de toda cogitação. Rumi, o grande poeta persa, disse: "Antes de que nesse mundo houvesse um Paraíso, uma vinha, uvas, nossa alma se embriagou de um vinho imortal". Ele antes alude ao não-manifesto, ao invisível, ao interior. Para Omar Khayaam, "o néctar da uva não tem preço". De tudo isso se depreende que o verdadeiro valor do vinho está em outra parte, no segredo que encerra mais do que no sabor que oferece.
todos os poderes que me eram próprios, tendo aprendido a natureza de tudo que é e
visto a visão suprema. E comecei a pregar aos homens a beleza da piedade e do
conhecimento de Deus, dizendo: 'Ouvi, povo, homens nascidos da terra, que se