Extrato do livro de mesmo nome, de aforismos de Eckhart traduzidos por E. Zum Brunn nas páginas 51-77
Mestre Eckhart diz em um sermão: a obra de Deus em uma alma divinamente amante, que ele encontra nua, pura e separada para que possa se engravidar espiritualmente nela, lhe dá mais alegria que todas as obras que jamais tenha operado em todas as criaturas, e é uma obra muito mais nobre que quando criou todas as coisas do nada.
Lhe perguntamos então o que isso queria dizer, que esta obra dê tanta alegria a Deus. Ele disse então que Deus não dotou nenhuma criatura de uma capacidade tão vasta quanto a alma na qual Deus possa florescer com sua potência e o fundo de seu ser também plenamente quanto na obra pela qual ele se engravida espiritualmente na alma.
Lhe demandamos então o que é o engravidamento de Deus. Ele disse então que o engravidamento de Deus na alma nada é de outro que o novo saber e o novo modo pelos quais Deus se revela à alma.
Lhe demandamos então se a mais alta beatitude da alma reside na obra pela qual Deus se engravida espiritualmente nela. Ele disse então: isso só é verdadeiro na medida que Deus tem maior alegria nesta obra que em todas as obras que jamais tenha operado nas criaturas, no céu e sobre a terra, enquanto a alma é mais feliz das obras pelas quais, em retorno, ela se engravida dele. Pois quando Deus nela engravida, isso não a torna completamente bem-aventurada, mas o que a torna bem-aventurada, é de seguir com amor e louvor o saber no qual ela é engravidada retornando à origem de onde este saber nasceu, e em sua origem comum ele se mantém a isto que é a ele e se desapega disto que é a ela, e aí ela não é bem-aventurada disto que é a ela, mas bem-aventurada disto que é a ele.
Mestre Eckhart diz: o homem que tem amor divino, palavras divinas e fé integral pode, se o quer, receber todos os dias o corpo de Deus da mão do padre.