CORBIN, Henry. En Islam iranien: aspects spirituels et philosophiques II. Paris: Gallimard, 1991
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A Limitação da Análise às Comparações Propostas por Sir Jahangîr C. Coyajee
- A seleção de um pequeno número de comparações dentre as múltiplas propostas pelo erudito zoroastriano
- A indicação da direção na qual as observações sobre as formas de manifestação do Xvarnah e do Graal devem ser engajadas para serem significativas
- A inclusão na análise da santa linhagem dos detentores ou guardiões do Xvarnah e do Graal
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A Natureza e as Formas de Manifestação do Xvarnah e do Santo Graal
- A ausência de uma forma específica descrita para o Xvarnah e para o Santo Graal
- A existência de formas de manifestação semelhantes, das quais derivam propriedades gerais comuns
- A natureza espiritual do Santo Graal, não sendo "nem de madeira, nem de metal, nem de pedra, nem de chifre, nem de osso"
- A capacidade do Santo Graal de assumir aparências materiais, como vaso, copo, tigela ou pedra, acompanhando outros "Objetos maravilhosos" como a lança e a espada
- A essência espiritual do Xvarnah, constituindo inicialmente o objeto de um combate entre potências celestes e contra-potências ahrimânicas
- A capacidade do Xvarnah de assumir formas como uma taça, uma pedra, uma lança, uma chama, um pássaro ou um braço de mar
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A Forma de Pedra como Talismã e Fonte de Vida
- A existência, no ciclo épico iraniano, da forma de uma pedra talismânica materializando o Xvarnah
- A herança dessa pedra talismânica por Kay Khosraw de seus ancestrais distantes
- As propriedades sobrenaturais do talismã: virtudes curativas extraordinárias, capacidade de restituir a razão aos enlouquecidos e de ressuscitar os mortos
- A comunicação da coragem e de todas as virtudes da energia espiritual garantidora da vitória pelo talismã
- O paralelo com a epopeia de Wolfram von Eschenbach, onde a Pedra, também chamada Graal, trazida do Céu por anjos, comunica longevidade ou imortalidade
- A conceptualização do Graal como fonte da Vida
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A Forma da Taça e a sua Jornada Transcendente
- A centralidade da taça no ciclo cristão do Graal, identificada com o cálice da Última Ceia
- A confiança do cálice a José de Arimateia, que recolheu o sangue de Cristo
- A transferência do Santo Vaso para a Ilha Branca (Grã-Bretanha) por mensageiros misteriosos
- A liderança alternada da comitiva por Bron, cunhado de José de Arimateia, ou por Joséphé, seu filho e figura mística de primeiro e único bispo cristão
- A natureza não-cartográfica dessa jornada, tratando-se de uma transferência de outra ordem
- O preenchimento da literatura do Graal com os temas das virtudes sobrenaturais da taça e dos motivos da " demanda do Graal"
- O desejo expresso de uma edição integral moderna do "Cânone das escrituras do Graal"
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A Taça como Espelho do Universo na Tradição Iraniana
- A designação da taça no ciclo iraniano como Jâm-gîtî-nemâ, "a taça (o Graal) que mostra o universo" ou "espelho do universo"
- A capacidade de contemplar todo o cosmos na taça durante o equinócio da primavera
- A focalização da contemplação não nos assuntos dos "sete climas" do mundo terrestre, mas nos de um mundo invisível do qual planetas e constelações são apenas sinais
- A necessidade de ser um "hierático", como Kay Khosraw, investido do Xvarnah real, para alcançar essa contemplação
- A sugestão do poema de Sohrawardî sobre Kay Khosraw para compreender o significado místico do Graal iraniano
- A passagem do tema da taça para toda a literatura mística persa (Jâm-e Jam, o Graal de Jamshid)
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Os Temas da Lança e da Espada e a Quebra de Encantamentos
- O assalto de Kay Khosraw à fortaleza maléfica do mago armado com uma lança sobrenatural
- O desaparecimento do castelo sombrio e a dispersão dos demônios após o lançamento da lança contra a muralha
- O aparecimento de um castelo esplêndido, banhado em luz e flores, no lugar do anterior
- A revelação de Kay Khosraw como detentor do Xvarnah e sucessor de Kay Kâûs através desse ato
- A designação de Kay Khosraw como "aquele que conhece o significado da lança"
- A cessação do encantamento e do interdito mágico no ciclo do Graal quando Parsifal pergunta sobre o significado da lança e do Graal
- O retorno da vitalidade à Terra, com o esplendor das flores e o canto dos pássaros
- A existência, na epopeia iraniana, do cavaleiro que falha, como Farîborz, e do arquétipo "aquele em cuja mão a espada se quebra"
- A promessa de evocação do "castelo do Graal" através da figura de Kay Khosraw
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A Conceptualização Comum do Objeto Maravilhoso e sua Linhagem
- A existência da ideia de uma virtude ou poder misterioso do qual um Objeto maravilhoso é a forma de manifestação
- A aura de sacralidade que cerca esse Objeto, talismã ou teurgia, como a mais santa das relíquias
- A dispensação de uma nutrição de imortalidade e de iluminação do conhecimento pelo Objeto, seja uma forma do Xvarnah ou o Graal
- A posse, por aquele que detém a plenitude do Xvarnah, dos dons correspondentes às perfeições "hieráticas" e da força vitoriosa do cavaleiro
- A transferência sucessiva do Xvarnah de um herói para outro, independente de um agente visível
- A comparação estabelecida por Coyajee entre a linhagem real dos detentores do Xvarnah e a linhagem dos guardiões do Graal
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A Origem Celeste e a Transmissão Hierohistórica do Xvarnah
- A origem do Xvarnah nas potências de Luz, tal como o Graal é trazido à terra por Anjos
- A pertença inicial do Xvarnah a Ohrmazd, seus arcanjos, aos Yazatas e a todos os seres de luz dos mundos espiritual (ménôk) e material (gétîk)
- A passagem do Xvarnah pelos soberanos das duas primeiras dinastias lendárias iranianas: os Pîshdâdiyân ("legisladores") e os Kayânidas, de Kay Qobâd a Kay Khosraw
- A transmissão do Xvarnah a Zaratustra/Zoroastro, profeta da religião de Ohrmazd, e ao rei Vishtaspa, seu protetor
- A passagem do Xvarnah ao último filho de Zoroastro, o último Saoshyant, uma espécie de Zaratustra redivivo
- O paralelo entre a relação do último Saoshyant com Zoroastro e a do XII Imã com o profeta Maomé
- O acompanhamento do Saoshyant vitorioso e seus amigos pela Luz de Glória na criação de um mundo novo
- A implicação escatológica da ocultação presente do Xvarnah, do XII Imã e do Graal
- A identificação de uma ética comum entre os Khosrawânîyûn de Sohrawardî e a cavalaria do Graal, dedicando-se incógnitos ao mesmo combate
- A natureza sagrada e invencível da força de uns e outros enquanto permanecem incógnitos
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O Combate Cósmico e a Hierohistória do Xvarnah na Terra
- O início do combate pelo Xvarnah no Céu, entre o Espírito Santo de Ohrmazd (Spenta Mainyu) e Ahriman (Angra Mainyu)
- A manifestação e continuação na Terra, no mundo material visível, desse combate entre potências de Luz ohrmazdianas e contra-potências de Trevas ahrimânicas
- A consideração do que há de comum entre a dinastia iraniana dos Kayânidas e a dinastia dos guardiões do Graal sob este ponto de vista
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As Analogias Propostas por Coyajee entre as Linhagens Iraniana e do Graal
- A correspondência estabelecida entre o velho rei Kay Kâûs e Titurel
- A correspondência estabelecida entre Siyâvakhsh, filho de Kay Kâûs, e Amfortas, o "rei aleijado"
- A correspondência estabelecida entre Kay Khosraw e Parsifal
- A aspiração de Kay Kâûs pela vinda do herói de sua linhagem (seu neto) a quem o Xvarnah será transferido
- A desolação e devastação do Irão devido ao assassinato de Siyâvakhsh por ordem do rei do Turan
- A informação celestial aos iranianos da necessidade de buscar o futuro detentor do Xvarnah para cessar a desolação
- O florescimento da terra do Irão após Kay Khosraw matar o Turaniano maléfico, paralelo ao rejuvenescimento do domínio do Graal após o retorno de Parsifal
- A proposta de uma linhagem iraniana coincidindo com a linhagem do Graal no ciclo germânico
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A Questão da Linhagem dos Guardiões do Graal e a Oração de José de Arimateia
- A diferença entre a linhagem dos guardiões do Graal no ciclo germânico de Wolfram e no ciclo derivado de Robert de Boron
- A atenção de Coyajee à prece de José de Arimateia pedindo que a guarda do Graal permaneça com seus descendentes
- A questão de se esses descendentes são uma linhagem de família carnal ou uma linhagem de adeptos místicos
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O Esquema das Oito Transferências no Zamyad-Yasht e no Ciclo do Graal
- A descrição no Zamyad-Yasht (hino à Dea terrestris) da ligação e passagem do Xvarnah por oito reis, de Kavi Kavata (Kay Qobâd) a Kavi Husravah (Kay Khosraw)
- A identificação desta como a linhagem dos Kayânidas, descrita no Shâh-Nâmeh de Ferdowsi
- A possibilidade, através de certos textos, de identificar oito guardiões do Graal desde José de Arimateia até o rei Pellès
- A proposta de Coyajee de identificar a linhagem dos oito Kayânidas com a santa Linhagem do Graal para resolver dificuldades narrativas
- A explicação da desolação no Domínio do Graal pelo assassinato de Siyâvakhsh, detentor do Xvarnah, por Afrâsiyâb o Turaniano
- A transparência mútua das figuras de Kay Khosraw e Parsifal como heróis da conquista ou reconquista do Xvarnah ou do Graal
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A tese da identificação histórica entre a gesta arthuriana e a iraniana e suas críticas. A proposta de reduzir a gesta do Graal à do Xvarnah como sua fonte é considerada vulnerável, pois se baseia em fatos materiais e exteriores e ignora o plano espiritual da questão. Dizer que a linhagem do Graal se identifica historicamente com a linhagem dos kayânidas vai além do que as analogias permitem, pois a ligação é de ordem espiritual, não histórica.
- A arque-história como dimensão da realidade espiritual. O historiador que se limita a fatos materiais não pode compreender o reconhecimento de ancestrais espirituais por um filósofo. Eventos como a filiação espiritual são inovações que ocorrem na história da alma e remodelam o passado. O antecedente de tais eventos não está na história material, mas em um mundo espiritual, do qual a história é apenas uma manifestação efêmera.
- A natureza não cronológica das linhagens sagradas. A linhagem dos reis kayânidas, bem como a do Graal, escapa às classificações cronológicas da história. Seus eventos pertencem a uma "arqué-história", que é o arquétipo da história. Da mesma forma, a linhagem dos Doze Imãs no xiismo não compete com dinastias terrenas, mas é uma linhagem esotérica que guarda a "Luz mohammadiana" e a walayat.
- O significado da "encontro" entre as cavalarias. O encontro entre a cavalaria iraniana do Xvarnah e a celta do Graal não é um fato histórico que pode ser explicado causalmente. É um evento espiritual que ocorre no plano de existência do Malakut (mundo imaginal), acessível apenas ao pesquisador com os "olhos abertos" para discernir a verdadeira natureza desses fenômenos.
- A espiritualidade como ato e a hikayat. O evento espiritual não ocorre na história social ou literária, mas na própria espiritualidade em ato. Essa é a essência da noção de hikayat (história), onde não existe história de uma espiritualidade que não seja a própria espiritualidade em si.
- A dimensão escatológica da espiritualidade. O paralelismo entre a gesta de Kay Khosraw e a de Parsifal se torna instrutivo quando se entende que a saga de Kay Khosraw prepara a filiação no Malakut, o lugar de todos os eventos da hierohistória. Sohrawardi, como testemunha ativo desses eventos, demonstra que sua espiritualidade é escatológica. O "retorno ao Oriente" e a ocultação do mundo sensível são a conquista que se completa em universos além deste.