Vocabulário do Ser
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Sobre o vocabulário do ser
- Limitação do presente comentário ao opúsculo de Mollâ Sadrâ, concentrando-se em pontos essenciais
- Revolução metafísica de Mollâ Sadrâ ao conferir primazia ao ato de existir sobre a essência
- Deslocamento da metafísica da essência vigente desde Fârâbî, Avicena e Sohravardî
- Primazia do ato de existir sobre a quididade condiciona a noção de existência (wojud) como presença (hodur)
- Expressão gnoseológica: unificação do sujeito e do objeto da percepção nos três graus (sensível, imaginativo, intelectivo)
- Aprofundamento da imamologia xiita: os Imãs como Testemunhas de Deus (ser testemunha, ser presente a)
- Condução a uma metafísica do Espírito Santo criador, onde o sentido primeiro do ser se revela como imperativo (KN, "esto!")
- Complexidade do vocabulário do ser em árabe e persa
- Origem em Avicena, Fârâbî e nos metafísicos ismaelitas, com enriquecimentos e variações ao longo dos séculos
- Vantagem do bilinguismo dos filósofos iranianos (árabe clássico e persa)
- Desafio tradutório: evitar a confusão entre o ser como verbo (esse) e como substantivo (ens) e entre o verbo ser existencial e copulativo
- Combate de Mollâ Sadrâ contra a quimera de um ser de uma essência que não existiria
- Citação de Kant: "quoi que contienne notre concept d’un objet, nous sommes toujours obligés d’en sortir pour lui attribuer l’existence"
- Resposta hipotética de Mollâ Sadrâ: isso não se aplicaria ao conceito do ser mesmo, a menos que se tenha saído do ser, do existir
- É existindo que um ser é o que é, isto é, é sua própria quididade
- Horror à ideia de um ser ao qual o ser se surajuntaria acidentalmente para que existisse
- In concreto, o que há é uma quididade existente nos indivíduos (in singularibus)
- A distinção entre o ato de ser e a essência é uma abstração operada pelo espírito
- Estratégia tradutória: duplicar "wujud" como "ato de ser, a existência (ou o existir)"
- Dificuldade de tradução ilustrada pela síntese de Etienne Gilson em "L'Être et l'Essence"
- Obra abrangendo o problema desde Parmênides, pela escolástica latina, Suarez, Wolff, até o existentialismo
- Indispensável para a compreensão comparativa do problema na filosofia islâmica da época de Mollâ Sadrâ
- Desejo de uma síntese similar abrangendo todas as escolas filosóficas e teológicas do Islã
- Dificuldade primária: a desvalorização do verbo ser em francês
- Risco de ressonância da metafísica da essência ao usar apenas a palavra "ser"
- Compensação pela valorização do verbo "existir", que por sua vez passa por uma nova aceitação
- Necessidade de evitar a assimilação da primazia do existir em Mollâ Sadrâ ao existencialismo contemporâneo
- Importância de considerar as vicissitudes das palavras "ser" e "existir" para situar o problema do ser em Mollâ Sadrâ
- Defesa da metafísica contra a acusação de versar sobre palavras
- Citação de E. Gilson: quem reprova à metafísica versar sobre palavras está "en retard d’une idée"
- Tentar compreender o significado das palavras nunca serviu para desqualificar uma ciência
- As variações linguísticas não invalidam a colocação válida do problema metafísico
- Experiência dessa validade ao tentar traduzir textos como os de Sohravardî e Mollâ Sadrâ
- Primeira dificuldade: a anfibologia do verbo ser em francês
- Confusão entre o ser como verbo e o ser como substantivo (os entes)
- Proposta de Scipion du Pleix (1617) de usar "o Étante" (ens) para dissipar a anfibologia
- Questão da relação entre o ser e o ente e sua importância para o destino da metafísica do ser
- Exposição da filiação das doutrinas conforme Etienne Gilson
- Posição A: "ser um ente é ser" (wojûdêyat al-manjûd)
- Posição B: "ser é ser um ente" (mawjûdiyat al-wojûd)
- Absorção do ser verbal pelo ser substantivo, levando à confusão entre "ser um ente" e "ser"
- Impossibilidade de converter puramente a proposição "ele é um ente" em "ele é"
- Dupla desvalorização na expressão "ser um ente": perda da função existencial e redução ao conceito de algo possível
- Definição de Littré do verbo ser como cópula, criticada por Gilson: "C’est à n’y pas croire, dit Gilson, et pourtant Littré y croit"
- Surgimento do verbo "existir" como duplicata necessária do verbo ser
- Assunção da função existencial pelo verbo "existir" em francês
- Fenômeno similar em inglês, com fórmulas como "God is or exists"
- Uso frequente da mesma estratégia na tradução do texto de Mollâ Sadrâ
- História e etimologia do termo "existir"
- Origem latina: "exsistere", de "ex" e "sistere" (ser colocado, manter-se, subsistir)
- Uso pelos escolásticos latinos: "ex alio sistere", significando subsistir a partir de outro
- Definição de Ricardo de São Vitor: "Existere, c’est ex aliquo sistere, hoc est substantialiter ex aliquo esse"
- Impossibilidade etimológica de falar do "Wâjib al-wojûd" como "Existência Necessária por si"
- Exemplo do título de Fénelon, "Lettres sur l’existence de Dieu", que não poderia ser "Lettres sur l’être de Dieu" sem equívoco
- Conjunto de fatos sem equivalente exato no árabe clássico
- O vocabulário do ser em árabe e persa
- Árabe: "wojûd" (ser, existência) da raiz "wjd" (encontrar); "mawjûd" (ente, existente)
- Forma causal: "ijâd" (fazer existir)
- Persa: "hast-kardan" (fazer-ser); "bast-kunende" (o que faz ser); "bast-karde" (o que é feito ser)
- Uso pelos metafísicos ismaelitas (ex.: Abû Ya’qûb Sejestânî) de termos derivados de "laysa": "ays" (ser); "âyis" (ente); "aysiya" (realidade do ato de ser); "ta'yîs" (fazer ser)
- Posição ismaelita e shaykhita: o Princípio instaurador (Mobdi') é "hyperousion", além do ser (de "ays" e "wojûd")
- Posição neoplatônica de Mollâ Sadrâ: o Princípio é o Primeiro Ser, exigindo falar de seu ser e de sua existência
- Ausência de confusão com a função copulativa em semítico
- Os verbos "wjd" e "ays" não assumem a função copulativa
- A proposição nominal em semítico não necessita do verbo ser copulativo
- Dificuldade decorrente: discussões sobre a proposição "al-wojûd mawjûd"
- Contribuição da língua persa para a clarificação filosófica
- Proposição "hasti hast" (o ser é) como equivalente exato de "esse est"
- Refutação de Mollâ Sadrâ: a existência não é "algo que existe", assim como a brancura não é algo branco
- "Dire basti hast, l’être est, ce n’est pas substantifier l’être, c’est énoncer son acte même d’être"
- O ser é (existe), sem necessidade de que o ser (a existência) se lhe adicione; é a si mesmo seu atributo, por isso é indefinível
- Exemplo do sufixo persa "-mâ’i" adicionado ao árabe "tahaqqoqom-ma" para formar "tabaqqoqom-mâ’i" ("um certo degré de réalisation, de constatation")
- Uso do termo "quididade" (mâhîyat) em Mollâ Sadrâ em vez de "essência"
- Evitação da dificuldade decorrente da evolução da palavra "essência" em francês
- "Essentia" traduz "ousia"; em francês clássico, "essência" significava inicialmente o ser, o real mesmo
- Equivalente árabe para "ousia" como "realidade verdadeira": "haqiqat"
- Em Mollâ Sadrâ: "haqiqat" de uma coisa é seu ato mesmo de ser, de existir in concreto
- Impossibilidade de traduzir por "essência", que no francês atual se refere ao que faz uma coisa ser o que é, não ao seu ato de existir
- Citação de E. Gilson: "Tout se passe en effet comme si l’intellect avait cherché dans l’essentia le moyen de dissocier l’être du fait même qu’il existe"
- Impressão de que é contra essa dissociação que se insurge toda a metafísica de Mollâ Sadrâ
- Limitação da presente esboço em seguir a passagem dos termos gregos para o siríaco e o árabe, e do árabe para o latim
- Exemplo: o ente (to on) traduzido por "haqq", donde deriva "haqiqat", termo corânico que designa o Ser divino
- Ressalva: Avicena, Sohravardî, Mollâ Sadrâ e seus pares não pensavam em grego nem sobre textos gregos
- Os termos árabes adquiriram vida própria; o léxico de Ibn 'Arabî não se explica apenas com o dicionário grego
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Sobre a existência como Presença
- Limitação etimológica do verbo "existir" (ex-sistere)
- Conotação de referência à origem: "ex alio sistere"
- Inaplicabilidade etimológica ao Primeiro Princípio como Ser primeiro, sem outra origem que si mesmo
- Inaplicabilidade ao "hyperousion" da metafísica ismaelita
- Questionamento da justificativa para a generalização do termo "existir"
- Posição de E. Gilson: é correto dizer que os seres da experiência sensível existem para significar o fato de que são
- Dificuldade de fazer aceitar essa explicação a Mollâ Sadrâ
- O mundo sensível (donyâ, 'âlam al-molk wal-shahâdat) é a sombra, e o "wojûd" pertence eminentemente àquilo que projeta a sombra
- A filosofia dos pensadores islâmicos é sustentada por uma teosofia que conjuga inspiração profética e experiência mística
- Identidade entre o anjo do Conhecimento e o anjo da Revelação (Inteligência agente, Espírito Santo, Gabriel)
- Apreensão direta dos seres espirituais nos níveis da consciência imaginativa e intelectiva
- Diferença fundamental com o curso do pensamento especulativo no Ocidente
- Vicissitudes do termo "existência" e o surgimento da ontologia
- Ligação original do termo com o ser atualizado no mundo sensível
- Nascimento da "ontologia" como metafísica das essências, liberta do "ser atualmente existante"
- Triunfo com F. Suarez e rejeição por Descartes
- Esforço de Christian Wolff: "ontologia methodo scientifica pertractata" (1729)
- Identificação do ser com a essência; definição da existência como "complemento da possibilidade"
- A existência como um modo simples da essência, não pertencendo à ontologia
- Crítica: a análise de uma essência só revela a possibilidade de existir; a ontologia não explica por que alguns possíveis são dotados de existência
- Kant e a crítica à metafísica de Wolff
- Admiração e subsequentemente repúdio de Kant pela doutrina de Wolff
- Pressuposto de que a metafísica se identifica com a de Wolff
- "Empirismo kantiano": redescoberta do princípio aviceniano de que a existência não se descobre na análise do conceito de uma essência finita
- Dualidade das fontes do conhecimento: intuição sensível e conceito
- "Poser absolument des objets comme tels, c’est poser leur existence même"
- A crítica de Kant como uma reivindicação contra Wolff dos direitos do existir
- Reivindicação dos direitos do existir no existentialismo contemporâneo
- Origem no livro de Heidegger sobre Kant e o problema da metafísica
- Necessidade de situar a reivindicação de Mollâ Sadrâ, sem confundi-la com o existentialismo
- Situação diferenciada de Mollâ Sadrâ
- O avicennismo ainda vivo em sua época, mas enriquecido pela leitura de Sohravardî e Ibn 'Arabî
- Não limitação da intuição à intuição sensível: intuição imaginativa e intelectiva
- Sohravardî professava uma metafísica da essência, mas sua metafísica emerge ao nível da Presença (hodûr ishrâqî)
- Mollâ Sadrâ, como "ishrâqî", transpõe a "Hikmat al-Ishrâq" de Sohravardî para os termos de sua metafísica do existir
- Mollâ Sadrâ não é um filósofo existentialista no sentido contemporâneo
- Momento decisivo no "Livro das Penetrações Metafísicas" (§§ 76-80)
- Discussão sobre a tese dos metafísicos da essência: a existência é um predicado da quididade
- Doutrina sadriana: a quididade é o predicado da existência, pois é existindo que um ser é o que é
- Impossibilidade de comparar a indiferença da quididade à existência/não-existência com a privação de um corpo em ato
- A quididade, abstraída do ato de existir, não tem nenhum grau de existência
- Poder do intelecto de analisar o existente em quididade e ato de existir
- Primazia indiscutível da existência na ordem concreta; a quididade é seu predicado por um modo de união "sui generis"
- Antecedência da quididade apenas na ordem conceitual abstrata, como conceito universal
- Objeção e resposta: a abstração pressupõe a existência
- Objeção: a quididade como sujeito do predicado existência exigiria uma existência para as quididades abstratas
- Resposta de Mollâ Sadrâ: a objeção corrobora sua tese
- A abstração é simultaneamente existência e abstração da existência
- Analogia com a "materia prima": seu ser-em-ato como virtualidade
- A onipresença do existir é tal que a abstração que separa a existência da quididade pressupõe a existência desta quididade
- Os três graus da existência onipresente segundo um "discurso inspirado do Trono" (§ 97)
- Existência do Princípio: ilimitada e independente
- Existência dependente de outro: Inteligências angélicas, Almas celestes
- Existência desdobrada (monbasit): compreensão e extensão que abrangem os indivíduos, designada pelos gnósticos como "Sopro do Misericordioso" (Nafâs al-Rahmân)
- Diferença entre o "Haqq" (Ser Divino) em sua abscondidade e o "Haqq" criador (al-haqq al-makhlûq bihi)
- Cada existente é o que é em virtude de seu ato de existência, que varia em intensidade
- A metafísica do existir explica a "inquietude" do ser e o "movimento intrasubstancial" (harakat jawhariya)
- Doutrina do movimento que afeta a própria substância de um ser, transferindo-o de um grau a outro no universo do ser
- Contraste com a metafísica da essência, prisioneira de essências ou quididades imutáveis
- As quididades como intitulações, imitações (hikâyat)
- A instauração criadora e a unicidade do existir (wahdat al-wojûd)
- Se o objeto da criação fossem as quididades, todas as substâncias e acidentes seriam abstrações (§ 96)
- Professar "wahdat al-wojûd" não é um monismo existencial
- Crítica: o monismo é próprio da essência; não há monismo da existência, pois os existentes não são abstrações
- "Wahdat al-wojûd": a unicidade que preserva o sentido do ato de existir, único e constante sob suas variações de intensidade
- A unicidade é o fundamento do pluralismo: ela "essencializa" quididades múltiplas
- Rejeição tanto do existir como acidente da essência (peripatéticos) quanto da quididade como acidente do Existir único (certo sufismo)
- Exemplo pitagórico dos Números (§ 88): realidade única da série numérica, mas cada número com essência e qualidades próprias
- O segredo da unicidade do existir: a noção de Presença
- A gnosiologia de Mollâ Sadrâ: unificação do sujeito ('âqil) e do objeto (ma'qûl) da percepção (ittihâd)
- Inspiração recebida por Mollâ Sadrâ ao amanhecer (hora do Ishrâq) do ano 1037 H.
- 'Ilm hodûrî (conhecimento presencial) versus 'ilm sûrî (conhecimento por representação)
- Segredo da unicidade representado por 1 x 1, operável ao infinito
- O grau de intensidade do ato de ser é função da presença a si mesmo e das Presenças que lhe são presentes
- Coincidência das noções de existência (wojûd) e presença (hodur)
- No ápice: o Ser Primeiro como Presença total de si a si e Presença para a qual a totalidade é presente
- Descenso: degradação da existência à medida que se ausenta de si mesma
- Ascenso: culmina no homem (filósofo ou profeta) que atinge a consciência da unidade do 'âqil e do ma'qûl e o grau da Inteligência Agente
- Contrastes com o existencialismo contemporâneo
- Reivindicação dos direitos do existir no existencialismo versus a noção de existência como Presença em Mollâ Sadrâ
- Tendência histórica do francês a identificar ser e existir versus pretensão existencialista de separá-los e opô-los
- Paradoxo existencialista: se Deus existe, não é; se é, não existe – incompatível com a metafísica tradicional
- Fundamento da tese existencialista: o existir como modo de ser próprio do "Dasein" (ser-aí)
- A essência da Presença humana consiste em sua ex-sistência, que surge do nada e de um abismo de silêncio
- "Être-pour-la-mort" (ser-para-a-morte) como destino autêntico
- Contraste fundamental: em Mollâ Sadrâ, mais existência significa mais presença, que exige separação (tajrîd) das condições do mundo fenomênico
- Libertação das condições da ausência, ocultação (ghaybat) e morte
- O existir intensificado é existir para além da morte
- Toda a filosofia da Ressurreição em Mollâ Sadrâ explícita esta intuição fundamental
- A questão da pré-existência versus emergência do nada
- Referência de Mollâ Sadrâ a Ibn Bâbûyeh e a crença xiita na pré-existência dos Espíritos
- A escala do ser e a amplitude das Presenças na metafísica tradicional versus na filosofia moderna
- Os postulados agnósticos como agravantes do "atraso" (ta'akhkhor) de um ente
- Questão de dados imediatos de percepção, não de argumentação
- Recusa de conceder ao existencialismo direitos legítimos sobre a palavra "existência"
- Opção entre renunciar à tradução de Mollâ Sadrâ ou alterar seus textos por uma "laicização metafísica"
- Esclarecimento da diferença entre Mollâ Sadrâ e o existencialismo para jovens pesquisadores iranianos
- Limitação etimológica do verbo "existir" (ex-sistere)
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Sobre a filosofia profética
- Objetivo do "Livro das Penetrações Metafísicas": a ideia de uma filosofia profética
- Anúncio no prólogo do tratamento da "walâyat" (carisma espiritual dos doze Imãs)
- Abreviação considerável do programa inicial
- Tratamento da filosofia profética em outras obras de Mollâ Sadrâ
- Pontos essenciais da filosofia profética
- Centralidade do homem profético e da mensagem profética
- O profeta como inspirado, sobre-humano, que entrega uma mensagem divina inacessível ao comum
- A profetologia como exigência de uma religião profética: Deus comunica-se pela inspiração, sem se incarnar
- O xiismo: fim do ciclo da profecia legisladora e início do ciclo da "walâyat" (espiritualidade dos Imãs)
- Esquema de uma hiero-história sob o horizonte da pré-existência pleromática da profecia e do Imamato (Haqîqat mohammadîya)
- Horizonte escatológico: a parusia do Imã oculto, identificado por alguns como o Paráclito
- Gnoseologia da filosofia profética: identidade entre o anjo do Conhecimento e o anjo da Revelação
- Identidade da Inteligência Agente ('Aql fa"âl) e do Espírito Santo (Rûh al-Qods)
- Crítica ocidental a esta identificação como uma racionalização do Espírito, baseada em um conceito inadequado de razão
- A noção de Presença na imamologia de Mollâ Sadrâ
- Frutificação simultânea na metafísica e na imamologia
- Os Imãs como Testemunhas de Deus (shâhid): aquele que está presente, que tem visão direta
- Dupla função do Imã: para Aquele para quem testemunha e para aqueles perante quem testemunha
- Aprofundamento: o Imã é presente a Deus e, por ele, Deus é presente aos outros, e os outros são presentes a Deus
- Máxima: "Celui qui meurt sans connaître son Imâm, meurt de la mort des inconscients"
- Os Imãs como Tesouros e Tesoureiros da ciência divina
- Os Imãs são simultaneamente aquilo pelo qual o objeto é conhecido e o próprio objeto conhecido
- Sua presença a Deus significa que eles são o que Deus conhece e aquilo por meio do que Deus conhece
- Conhecer o Imã não é conhecer sua pessoa exterior, mas estar presente à sua presença
- A presença do Imã como Testemunha é presença de Deus a Deus
- Estar presente ao Imã é estar presente, por ele, àquilo a que ele mesmo é presente
- Interiorização da imamologia: do Testemunho externo (Hojjat zâhira) ao Testemunho interno (Hojjat bâtina)
- O "Imã do teu ser" (no vocabulário de Semnânî)
- Máxima gnóstica xiita: "Celui qui connaît son Imam, connaît son Seigneur"
- Pontos de divergência entre Mollâ Sadrâ e Shaykh Ahmad Ahsâ'î
- Importância das notas na tradução para tipificar algo essencial na gnose xiita
- Posição de Mollâ Sadrâ: inclusão do Princípio no domínio do ser
- O Princípio é o Primeiro Ser, eminentemente Ser, mas já é ser
- Posição de Shaykh Ahmad Ahsâ'î e a escola shaykhi: "theologia negativa" rigorosa
- Esforço para reintroduzir a rigorosa "teologia negativa" do xiismo ismaelita inicial
- Tese fundamental: o existenciador do existir (o que faz ser) precede e transcende o ser
- Impossibilidade de incluir na existência e suas categorias aquele que essencializa o ser
- Tentativa rigorosa de uma Filosofia Primeira
- Deslocamento na ordem da processão do ser
- Mollâ Sadrâ (neoplatônico, aviceniano, ishrâqî): o Primeiro Emanado do Primeiro Ser é a Primeira Inteligência
- Shaykh Ahmad Ahsâ'î: o mistério do Ato criador reside no Império divino ativo (Amr fi'lî)
- Tríade divina: Vontade fundante (maxiat), ato de volição (irâdat), ação instauradora (ibdâ')
- O "esto" (KN) primordial que precede e determina todo "esse" e todo "ens"
- O ser posto originariamente no imperativo é a Realidade Mohammadiana (Haqîqat mohammadîya) ou Luz das Luzes
- O pleroma dos Quatorze Puros: o Profeta, Fátima e os Doze Imãs
- A Primeira Inteligência dos avicenianos torna-se aqui a Inteligência desta Luz das Luzes primordial
- Diferença estrutural essencial: Império ativo (Amr fi'lî) versus Império ativado (Amr maf'ûlî)
- Mollâ Sadrâ: identifica a Inteligência Agente-Espírito Santo com o "mundo do Império divino" ('alam al-Amr), entendido como Amr fi'lî
- Segredo da primazia do existir: o Império impera as existências, não as quididades abstratas
- Shaykh Ahmad Ahsâ'î: a Inteligência-Espírito Santo e a Realidade Mohammadiana constituem o Amr maf'ûlî (império na significação passiva)
- Consequências da diferenciação do duplo aspecto do Império
- Primeira consequência: a tese da unidade do existir (wahdat al-wojûd) de Mollâ Sadrâ e Ibn 'Arabî abrange o Amr maf'ûlî, mas não o Amr fi'lî
- Segunda consequência: perspectiva final do "Livro das Penetrações Metafísicas"
- Mollâ Sadrâ: o ciclo do ser se completa com a rejunção à Inteligência Agente criadora
- Shaykh Ahmad Ahsâ'î: este completamento nunca pode ocorrer, pois o Amr maf'ûlî não pode alcançar o mistério do Amr fi'lî
- Concepção grandiosa de Shaykh Ahmad Ahsâ'î: a viagem querubínica eterna
- Viagem eterna da Inteligência-Espírito Santo em rejunção à Realidade Profética eterna
- Peregrinação eterna em direção ao Inacessível, sempre se aproximando e sempre solicitando nova aproximação
- Ilustração da ideia do Paraíso como Quête eterna, não como posse definitiva
- Possível acordo de Mollâ Sadrâ, conhecendo seus outros livros, com esta metafísica
- Objetivo do "Livro das Penetrações Metafísicas": a ideia de uma filosofia profética