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id da página: 9122 Alain de Libera – Razão e Fé Alain de Libera

Alain de Libera Eckhart Beatitude

Alain de Libera – Razão e Fé


LIBERA, Alain de. Raison et foi: archéologie d’une crise d’Albert le Grand à Jean-Paul II. Paris: Éditions du Seuil, 2003

Mestre Eckhart e a vida bem-aventurada

  • A influência de Alberto Magno na escola dominicana alemã do início do século XIV

    • A transmissão pela via filosófica do conceito de vida teórica como fim supremo da existência humana
    • A definição da forma de vida contemplativa como antecipação ou suficiência da beatitude celestial
    • A aquisição da vida feliz mediante um trabalho de progressão ascética
    • O conteúdo da contemplação filosófica como exame dos seres separados, denominada "felicidade intelectual"
    • A novidade da posição de Alberto Magno: a progressão ascética da alma rumo à intuição das realidades separadas
    • A formulação canônica da ascensão por Ulrich de Estrasburgo no De summo bono
      • Os estágios do intelecto possível: formal, habitual, em ato, adquirido, santo, assimilado e divino
      • A citação de Ulrich de Estrasburgo: "O intelecto possível torna-se formal ... e de intelecto assimilado torna-se intelect divino"
    • A segunda torsão imposta por Alberto Magno: a subsunção da perfeição filosófica na contemplação mística do não-ver e não-conhecer
    • A orientação dionisiana do projeto albertino evidenciada na Summa de mirabili scientia dei
  • A apropriação e amplificação da herança albertina por Mestre Eckhart

    • A identificação do intellectus sanctus albertino com a figura do "homem nobre", "pobre" ou "desapegado"
    • A transposição cristã do status adeptionis filosófico no conceito novo do "poder do desapego"
    • A reformulação do estado de elevação da alma do profeta de Avicena como abegescheidenheit em Eckhart
  • Desapego e Contemplação

    • A transformação prática da theoria no conceito eckhartiano de "desapego"
    • O testemunho da transformação em um texto que cita Avicena
      • A citação do texto: "Um mestre do nome de Avicena diz que a nobreza do espírito que permanece desapegado é tão grande ... ele tomaria em si mesmo a propriedade mesma de Deus"
    • A origem avicenniana-albertina do "desapego" eckhartiano e sua surpresa para a crítica
    • A interpretação do status adeptionis dos filósofos como intellectus sanctus em Alberto Magno
    • O contraste com a posição de Dietrich de Freiberg sobre a conjunção e a separação entre filosofia e cristianismo
    • A originalidade de Eckhart na cristianização integral do intellectus adeptus
    • A transposição da teoria da conjunção e da felicidade terrestre para a beatitude do viajante no desapego e na gelâzenheit
    • A reconciliação entre filosofia e teologia numa nova forma de vida da "nobreza" ou "pobreza"
    • A realização do "pesadelo" de Gerson por Eckhart, superando as acusações contra Alberto Magno
    • A síntese escandalosa da aphaíresis aristotélica, dionisiana e agostiniana na abegescheidenheit
    • A proclamação de uma beatitude "nesta vida" por Eckhart
    • A ideia da beatitude do viajante como "ideia nova na Europa" que desprofissionaliza o status adeptionis
    • A transformação conceitual da conjunção albertina no desapego eckhartiano e seu alcance a um público leigo
    • A invenção por Eckhart de uma noção cristã de "vida bem-aventurada" terrena
    • A assimilação teológica do ideal filosófico de felicidade intelectual
    • A promoção da teologia das bem-aventuranças em relação à teologia da beatitude
    • A beatitude in via do Sermão da Montanha como nobreza desprofissionalizada do leigo
    • A força disruptiva da estratégia intelectual de Eckhart no cruzamento das ambições filosóficas e teológicas do século XIII
    • A condenação de 1326 e 1329 como sanção à posição singular de Eckhart
  • O Homem Nobre

    • A oposição de Eckhart à teoria da visio reflexa de Jean de Paris no sermão Von dem edeln menschen
      • A refutação da beatitude reflexiva: "Digo com segurança que não é assim ... A mim, me dá pena"
    • O coração da teologia eckhartiana: a superação da visão de Deus pela pobreza em espírito e gelâzenheit
    • O convite para além da representação da beatitude rumo à agnosía e aphaíresis dionisianas
    • O uso da teologia negativa para a desprofissionalização do ideal dos magistri
    • A equação entre a pobreza evangélica e a nobreza filosófica como um status adeptionis cristão
    • A superação da oposição entre felicidade intelectual dos filósofos e visão reflexiva dos teólogos
    • A teogênese, ou "nascimento de Deus na alma", como elemento místico que ultrapassa o aristocratismo intelectualista
    • A base exegética da experiência unitiva em Lucas 19:12 e Ezequiel 17:3-4
    • A subordinação do "retorno" reflexivo à "permanência" em Deus
    • A experiência de "Irmã Katrei" como exemplo da relutância em "voltar" do estado unitivo
    • O modelo cristológico da vida bem-aventurada: Cristo como protótipo do homem desapegado
      • A citação do sermão: "Nosso Senhor diz muito bem que 'um homem nobre se foi para um país distante' ... e na Unidade, eternamente Um!"
    • A reflexividade como "saída" de Deus e perda da Unidade
    • O homem verdadeiramente nobre como aquele que permanece em Deus, tornando-se "advérbio" do Verbo
    • O tema da águia espiritual nos comentários bíblicos para ilustrar o intelecto que recebe Deus no seio do Pai
    • A contemplação verdadeira como conhecimento não conhecente, per non-videre et non-cognoscere
    • A teologia da vida bem-aventurada como teologia da "viagem imóvel" e da habitação do Verbo
    • A definição do status adeptionis cristão como status adoptionis, uma adoção filial
    • A necessidade de um acesso a Deus por Deus mesmo, simultaneamente in via e in patria
    • A impossibilidade de disputar a nova teologia nos termos escolásticos tradicionais, como nas Questões Parisienses
    • A irrupção da teologia das bem-aventuranças por um novo paradigma: a doutrina da humildade
  • A doutrina da humildade como conteúdo do segundo magistério parisiense de Eckhart

    • O anúncio nos Sermões Alemães 14 e 15: "Disse em Paris, na Escola, que todas as coisas seriam cumpridas no homem reto e humilde"
    • O enquadramento na "Questão da Humildade", confronto entre a magnanimidade filosófica e a humildade cristã
    • A doutrina eckhartiana da humildade como agnosía que confere humanidade plena
      • A citação do Sermão 44: "O homem humilde recebe imediatamente o fluxo da graça ... o que o homem vivo é para o homem pintado numa parede"
    • A identidade entre o "homem nobre" e o "homem humilde" a partir de Lucas 19:12
    • A convertibilidade dos predicados éticos supremos: nobreza, humildade e pobreza no desapego
    • A correspondência entre a aphaíresis ética e a aphaíresis ontológica dos atributos divinos
    • A vida bem-aventurada como apofase completa do ente em direção ao Ser mesmo
    • A "entrada no próprio fundo" e o agir "sem porquê" como essência do filosofar e contemplar
      • A referência ao Sermão 6: agir "sem porquê ... unicamente em consideração daquilo que é em seu si seu ser próprio"
    • A entrada no próprio fundo como elevação e abaixamento simultâneos em si e em Deus
      • A citação do Sermão 54b: "para alcançar em nós o fundo da reta humildade ... entramos ao mesmo tempo no que temos de mais baixo e no que Deus tem de mais interior"
    • A superação da separação entre Deus e o homem na humildade perfeita: "Deus e eu, somos um"
  • O status adoptionis como fundamento filosófico-teológico do status adeptionis cristão

    • A dupla dessemelhança: nada é semelhante a Deus, e o intelecto não é semelhante a nada
    • A dessemelhança do intelecto com todo ente como fundamento de sua semelhança com Deus
    • O "despojamento" das imagens do ente como sentido filosófico da graça da adoção filial
    • A tensão entre o nihilismo intencional aristotélico e o ontologismo agostiniano na teologia de Eckhart
    • A coincidência dos polos no "nada" divino e no "nada" do intelecto como a verdadeira humildade
    • A reinterpretação da aphaíresis dionisiana como princípio da teogênese
    • A perfeição suprema da alma como "tornar-se grávida do nada"
    • A "pobreza" eckhartiana como estado final que requer a superação de todas as representações, o durchbruch
    • O deserto do saber renunciado como lugar de reconciliação entre filósofos e teólogos, magnânimos e pequenos
    • O destino do projeto de reconciliação de Mestre Eckhart