CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
Aqui está a lista detalhada de tópicos em português do Brasil, em estilo acadêmico formal, organizada hierarquicamente com base no texto fornecido:
OS MOLUSCOS
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Associação de conchas com restos humanos desde o período paleolítico
- Utilização de conchas como objetos de adorno e paramento
- Presença de ideias convencionais de metafísica primitiva e magia associadas a certas espécies de conchas
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Evidências arqueológicas de práticas funerárias envolvendo conchas
- Grotte du Cavillon: conchas marinhas tingidas artificialmente e utilizadas para coroar os defuntos
- Laugerie-Basse: utilização de cipreias mediterrâneas dispostas em pares no corpo de esqueletos
- Período neolítico: utilização de grandes anéis e pendentes talhados em conchas
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Comércio de conchas através de trocas em épocas distantes
- Encontro de conchas em locais distantes de seu habitat natural
AS CONCHAS NOS POVOS CIVILIZADOS DO MUNDO ANTIGO
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Presença de conchas em sepulturas do antigo Egito
- Observações de J. Passalacqua sobre colares compostos de conchas naturais ou figuradas em materiais preciosos
- Restrição do uso de tais colares a crianças e jovens
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Utilização de conchas em Creta no período micênico
- Depósito de conchas de todos os gêneros em templos, altares e pilares sagrados
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Significados simbólicos atribuídos aos moluscos na Grécia Antiga
- Consagração de certas conchas a Vênus-Afrodite e aos Tritões
- Utilização da bucinídio por pastores gregos como salvaguarda dos rebanhos
- Uso militar da concha bucinídio para interpretar ordens de chefes
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Interpretação metafísica e simbólica do molusco pelos Antigos
- Emblema do ser humano completo, corpo e alma
- A concha como emblema do corpo e o organismo do molusco como representação da alma
- Escolha da ostra vulgar como emblema satisfatório da união da alma e do corpo
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Fundamentação filosófica do simbolismo do molusco
- Referências de Platão no Fédon à marca do corpo à qual estamos ligados
- Exposição de Jâmblico sobre a alma encerrada no corpo ou libertada do corpo ostreico
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Inserção do tema simbólico do molusco nas teorias de iniciação dos mistérios antigos
- Exposição do professor Victor Magnien sobre o simbolismo das iniciações na Grécia antiga
- Comparação do molusco com outras coisas compostas de duas partes para simbolizar a união que produz a vida terrestre
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Adoção da interpretação alegórica do fruto com caroço pela simbólica cristã
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Penetração do tema simbólico grego relativo às conchas na Itália e nas províncias ocidentais do Império
- Sepulturas galo-romanas contendo bivalves naturais ou sua imagem artística
- Exemplos específicos em Nalliers e Bouillé-Courdault
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Sobrevivência de ideias simbólicas antigas em usos funerários galo-romanos
A CONCHA, emblema do ser humano nos tempos cristãos
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Persistência do simbolismo humano do molusco com a propagação do cristianismo
- Exposição de Jâmblico no século IV explicando Platão
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Aceitação do uso de colocar conchas de bivalves com os corpos dos fiéis defuntos nos ritos funerários cristãos
- Esqueleto da época franca em Mouilleron-en-Pareds com a cabeça rodeada de grandes conchas de São Tiago
- Tumba do século VI ou VII em Monterre-Silly contendo um grande número de cascas de ostras fósseis
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Centenas de casos semelhantes registrados na França
Outras significações simbólicas das conchas
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Aplicação confusa do simbolismo da palingênese e da ressurreição a certos moluscos marinhos
- Possível razão para a deposição de conchas bivalves em túmulos de cristãos da época franca
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Associação da concha bivalve à emblemática dos sacramentos
- Figuração do batismo por infusão
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Atribuição de um carácter messiânico ao Nautilus por T. Basilide
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Relação do molusco com o simbolismo do Verbo divino no Oriente
- Krishna portando uma concha na mão
- Transformação da concha em talismã e símbolo venerado
- Uso litúrgico do som da concha sagrada no budismo contra poderes invisíveis e malignos
- Interpretação do som ritual da concha como símbolo da voz divina
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Identificação do Verbo divino, sob qualquer forma de adoração, com o Cristo
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Uso ocasional de válvulas inferiores de grandes bivalves como taça e seu simbolismo
- Referências nos cantos épicos recolhidos na Escócia e Irlanda por Ossian
- Menção a "conchas alegres", "Rei das conchas" e "Sala das Conchas"
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O cipreídio como emblema realista da maternidade e posteriormente da luxúria da mulher
- Reconhecimento do cipreídio em objeto segurado pela Sibila de Cumas
- Uso do cipreídio como talismã por libertinos em busca de devassidão
- Práticas de bruxaria associadas a este molusco
- Uso de cipreídios como preservativos contra acidentes no Laos
O CARACOL VULGAR E OS ESCARGOTS
I. O caracol nos ritos funerários do cristianismo
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Prevalência de conchas de caracóis terrestres (escargot) em sepulturas antigas
- "Escargot romano" (helix pommada) no sul da Europa
- Escargot aspersa e outras variedades na Gália
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O caracol como símbolo da ideia de ressurreição
- Referências a passagens dos Livros Sagrados carregados de esperança
- Processo de hibernação e reaparecimento do caracol como metáfora da ressurreição
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Recepção do caracol simbólico pelo cristianismo de um mundo mais antigo
- Ensino da palingênese por Teógnis seis séculos antes da era cristã
- Crença dos Genethliacos na palingênese após quatrocentos e quarenta e quatro anos
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Colocação de conchas de caracóis em túmulos de mártires
- Exemplo do sepulcro de Santo Eutrópio, primeiro bispo de Saintes
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Generalização do uso de colocar conchas de caracóis em túmulos com a decadência romana e os primeiros séculos galo-francos
- Constatações do abade Cochet na Normandia
- Sepultura franca em Aiguisy com trinta conchas de caracóis dispostas em coroa
- Sepultura do século VI ou VII em Mougon com cerca de trezentas conchas de caracóis
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Persistência do uso em túmulos carolíngios e exemplos específicos
- Túmulo carolíngio perto de Dieppe
- Sepultura em Chasseignes com concha de caracol de água doce
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Representação do caracol como emblema da ressurreição na arte medieval
- Livro de Horas do século XV mostrando um caracol perto da ressurreição de Lázaro
- Capitel do século XV na Igreja de Tours-sur-Marne
- Portal meridional da igreja de Saint-Remy de Reims
- Chaminé do manoir d'Estrepieds com medalhões relativos à Paixão e à ressurreição
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Lendas medievais sobre um caracol gigante defensor de um castelo maravilhoso
- Descrições de Ambrósio Paré no século XVI sobre um caracol anfíbio das margens do mar dos Sarmatas
II. OUTROS ESCARGOTS
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Uso de conchas de outras variedades de escargots terrestres ou aquáticos em sepulturas antigas
- Colares de escargot no cemitério pagão das Dunas em Poitiers
- Colar com concha marinha cónica no pescoço de um esqueleto de criança na necrópole cristã de Poitiers
- Conchas frágeis das águas doces em sepulturas da época franca em Angers
- Amonitas fósseis perfuradas no pulso esquerdo de um esqueleto perto da igreja de Martaizé
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Búzios representados na parte exterior dos loculi ou túmulos dos cristãos nas catacumbas de Roma
- Possível alusão ao som da trombeta do último dia
- Referência à passagem evangélica sobre o Filho do Homem enviando seus anjos ao som da trombeta
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Interpretação da figura esculpida sob uma epígrafe da época romana em Narbonne
- Possível representação de um caracol ou navio relacionada ao simbolismo da ressurreição
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Outras significações simbólicas atribuídas aos escargots
- Imagem alegórica da vida interior e espiritual
- Representação da fragilidade da vida humana por um filósofo oriental
III. O escargot e a emblemática de Jesus Cristo
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Adequação do simbolismo resurrecional do escargot a Jesus Cristo
- O caracol terrestre em sua concha como em um caixão
- Período de três meses de inverno representando os três dias do sepultamento de Jesus
- A concha do caracol como o túmulo de onde o homem sairia um dia
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Concepção esotérica medieval relacionando as cornes retráteis dos caracóis terrestres às influências astrais
- Relação dos costumes desses moluscos com as conjunções dos astros e manifestações noturnas da luz firmamental
- Associação no hermetismo medieval de tudo relacionado à luz com Cristo
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Propriedades divinatórias e outras atribuídas a vários escargots pelo povo
- Nome "caracol de amor" dado a um pequeno caracol nacarado no oeste da França
IV. Os maus aspectos simbólicos dos caracóis
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O caracol dos jardins como símbolo da incapacidade na simbólica profana
- Representação do demônio da Preguiça devido à lentidão de sua marcha
- Personificação do vício da Preguiça por Goltzius no século XVI
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O caracol como emblema das almas que se apegam demasiado aos bens deste mundo na simbólica cristã
- Explicação da heráldica nobiliária por La Colombière
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Satanização do pequeno e gracioso caracol dos bosques
- Crenças antigas sobre alianças contra natura com "serpentes"
- Nomes "limaço de áspide" e "caracol do diabo" em diferentes regiões
- Alegações imerecidas sobre a manducação deste molusco causar frenesi e epilepsia
MÚREX E PÚRPURA
I. ENTRE OS ANTIGOS
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Lenda grega sobre a invenção da tintura púrpura
- Narrativa de Hércules e a ninfa Tiro relatada por Pollux e La Colombière
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Conhecimento e uso da púrpura desde a época micênica
- Utilização de vários moluscos da família dos Murex por tirios, cipriotas, cretenses e ribeirinhos do mar Egeu
- Relato de Heródoto sobre o cretense Carabios, fabricante de púrpura
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Atribuição da invenção da tintura púrpura ao deus Melkart em Tiro
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Descrições de Plínio sobre as "púrpuras" e seu suco tintorial
- Necessidade de capturar os moluscos vivos para extrair a cor
- Eco de Brunetto Latini no século XIII
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Qualidade dos múrex de Foceia e referências de Pompônio Mela
- Murex trunculus utilizado pelos tirios dando uma púrpura vermelho-violeta apreciada
- Murex brandaris utilizado por cretenses e gregos dando uma tonalidade menos vermelha
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Composição complexa da púrpura antiga segundo Demócrito
- Adição de cochonilhas, suco de ruiva, orcaneta, rosa de Itália e vermes de púrpura
- Uso posterior de orseille, variedade de líquenes
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Prestígio da púrpura como emblema de poder, dignidade e riqueza
- Reserva de seu uso a soberanos e grandes senhores
- Atribuição de propriedades fictivas e sobrenaturais que aumentaram seu prestígio
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Símbolo do sangue generosamente vertido para os deuses, pátria, príncipe e grandes causas
II. A púrpura no simbolismo de Jesus Cristo
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Aplicação de palavras de Isaías a Jesus Cristo pelo inspirado de Patmos
- Visão do Fiel e Verdadeiro vestido com uma vestimenta tingida de sangue
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Designação litúrgica da "Púrpura do Rei da glória"
- Carta do Papa São Clemente aos cristãos de Corinto relembrando a história da fita de púrpura de Raab
- Apresentação da fita salvadora como emblema profético de redenção pelo sangue de Jesus Cristo
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Hino do bispo Fortunato de Poitiers no século VI chamando a cruz de "ornada com a púrpura do Rei"
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Lembrança bíblica do Tabernáculo e suas cortinas de tecidos purpúreos
- Rasgão do grande véu de púrpura do Santo dos Santos no momento da morte de Jesus
- Saída de sangue e água do lado perfurado de Jesus
- Abolição do Testamento de temor pelo Novo Testamento de amor e graça
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Escrito de São Pedro Crisólogo no século V sobre o Cristo empurpurado de seu sangue revestindo os justos
- O Pastor precedendo as ovelhas para que, mortas, vivam e, tingidas de seu sangue, resplandeçam de uma púrpura real
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Estabelecimento do simbolismo da púrpura em A Vinha Mística atribuída a São Bernardo
- Três banhos de sangue de Cristo no Jardim das Oliveiras, flagelação e crucificação
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Glorificação do sangue divino como o dom supremo do céu ao homem
- Exortação de Tertuliano ao cristão lançado nos combates da vida
- Paixão pelo sangue redentor no século XV
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Visão medieval de todas as nuances de vermelho como imagem do sangue divino
- O escarlate como emblema da Caridade
- O Coração de Cristo como "fornalha de caridade"
- Consagração do vermelho ao Filho na interpretação das tonalidades do arco-íris
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Fusão do simbolismo do rubi, da carbúncula, do jaspe sanguíneo e da cornalina escura no simbolismo da púrpura
- Glorificação do sangue do Justo totalmente derramado para a salvação do mundo
- Simbolismo do coral
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Condenação pela Igreja dos Hematistas que pretendiam consagrar sangue real no cálice eucarístico
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Tradições relativas à vida da Virgem Maria e o novelo de fio de lã púrpura
- Interpretação como imagem profética do divino Empurpurado do Calvário
- Representação em mosaico do século XIV na igreja de Kakrié-Djami, em Constantinopla
- Marfim célebre do tesouro de Monza do século VI mostrando Maria prestes a tecer o novelo simbólico
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Rapprochements feitos pelos estudiosos dos claustros medievais entre o molusco precioso e o Salvador
- Transposição ao Cristo do simbolismo platónico e neoplatónico da "túnica ostreica"
- Propriedade atribuída por Plínio à púrpura de apaziguar a ira dos deuses
- História do navio grego detido por murex relatada por Plínio como imagem de Cristo detendo o género humano no caminho da perdição
- Relato de Trebius Niger sobre murex gigantes atraindo ouro do fundo de poços profundos como imagem da humanidade decaída levantada pelo Redentor
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Lembrança da epíteto "Púrpura" dada por Homero à morte que atingia seus heróis
III. Outro aspecto do simbolismo do púrpura
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Manutenção da cor púrpura como símbolo do poder soberano e tingimento dos mantos reais na antiga sociedade cristã
- Mantos de sagração dos Reis de França em azul; adoção do manto soberano de púrpura apenas pelo Império
- Revestimento de Jesus com púrpura escarlata por escárnio durante a Paixão
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Imposição da cor púrpura ou vermelho aos paramentos litúrgicos para as festas dos mártires
- Designação dos mártires como "Os Empurpurados"
- Concessão de vestes de púrpura aos cardeais como príncipes
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Significado dos hábitos de algumas ordens religiosas
- Sobreveste vermelha da Ordem de São João de Jerusalém lembrando ao cavaleiro não economizar seu sangue nas lutas pela causa de Cristo
- Hábito vermelho dos Joannitas representando o Sangue de Cristo e o cálice no peito mostrando que os pecados são lavados em seu sangue
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Significados da púrpura no simbolismo das virtudes
- Imagem emblemática da Caridade
- Designação da Justiça por São Bruno de Asti
- Significados na arte heráldica medieval: Fé, Castidade, Temperança, Devoção, nobreza, grandeza, gravidade, abundância, tranquilidade, riqueza e sacrifício sangrento
O CORAL
I. O Coral na antiguidade
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Natureza do coral: mineral por constituição, animal por origem
- Carbonato de cálcio produto de secreções de minúsculos animalículos marinhos
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Fontes de corais variados e mais belos no Mediterrâneo
- Cores púrpuras ou quase escarlates nas costas setentrionais da África, rosas ou muito pálidas nas águas italianas
- Corais de belo vermelho nas costas orientais da África; corais loiros, brancos ou cinza noutros locais
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Benefício do grande amor dos povos antigos por pedras finas e duras
- Partilha da favor da púrpura pelos corais vermelhos para ornamentação de vestes de soberanos e príncipes
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Lendas sobre a origem do coral no velho mundo
- Lenda grega de Perseu e a Medusa: sangue petrificando uma erva marinha e criando a pedra de cor sanguínea
- Atribuição do nome "Gorgônia" ao coral por Plínio
- Colocação de ramos de coral de todas as cores nas mãos de Nereidas aclamando Poseidon
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Atribuição de várias virtudes ao coral pelos antigos
- Pó de coral como remédio soberano contra feridas causadas por animais marinhos
- Atração da proteção de deidades marinhas para quem o portava
- Preservação de raios segundo Marsílio Ficino e Liceti
- Crenças relatadas por Dioscórides: proteção contra raios e perigos para crianças
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Uso do coral vermelho como atrator de inspiração divina no nordeste africano e Ásia vizinha
- Nome "Pedra de Sangue" por poetas árabes
- Restrições de uso em Madagascar: exclusividade da realeza na cabeça, privilégio dos grandes nas pernas, liberdade geral no peito e pescoço
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Uso do coral pelos chefes gauleses para decoração de armas segundo Plínio
- Confirmação pela arqueologia protohistórica
- Atribuição de uma virtude apotropaica ligada à sua cor vermelho-sangue
- Papel do coral no mito de Medusa
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Estabelecimento de analogias entre o simbolismo do coral vermelho, da cornalina e do jaspe sanguíneo
II. O Coral na simbólica cristã
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Adoção do coral vermelho e coral púrpura como emblemas do sangue derramado por Jesus no Calvário
- Uso mais frequente por gregos cismáticos, armênios católicos, coptas e abissínios
- Emprego de coral vermelho, rubi, cornalina e jaspe sanguíneo na ornamentação de relicários da Verdadeira Cruz
- Confecção de amuletos e objetos piedosos
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Textos sagrados adotados para fundamentar o simbolismo cristológico do coral
- Passagem do Cântico de Salomão: "Meu amado é branco e vermelho"
- Aplicação litúrgica a Jesus Cristo
- Interpretação do coral vermelho manchado de branco ou coral branco veinado de vermelho como emblemas de Cristo imolado
- Saída de sangue e água do lado perfurado de Jesus
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Paráfrase dos textos sagrados no Gradual da Missa da Festa do Preciosíssimo Sangue do Senhor
- Testemunho do Espírito, da água e do sangue na Terra
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Representação do vermelho do coral como sangue e das partes brancas como água
- Exemplo do "escapulário" confeccionado por uma camponesa vendeana durante a Revolução
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Outros sentidos atribuídos à união do branco e do vermelho no coral e noutros lugares
- Visão em A Vinha Mística: vermelho como emblema do sangue do Redentor, branco como sua integra pureza
- Simbolismo no hermetismo cristão medieval: vermelho como soberania sobre a matéria, branco como soberania no domínio espiritual
- Interpretação no vestuário do Papa: vermelho como poder temporal, branco como poder espiritual
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Escritos de Marbodo, bispo de Rennes no século XI, sobre as virtudes do coral
- Expulsão de tufões e tempestades, proteção de navios e casas, campos e vinhas, fuga de sombras demoníacas
- Atribuição à cornalina da virtude de deter fluxos de sangue
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Afirmações de Jehan de Cuba no século XIV sobre a pedra de coral
- Terribilidade para os demônios devido aos seus ramos frequentemente em forma de cruz
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Aparição do coral, manchado ou não de branco, na confecção de objetos ligados à emblemática do Salvador
- Pequenos peixes de coral perfurados como representação do Ichtus sagrado
- Pequenas cornas de coral simbolizando a força, o poder supra-humano de Cristo vitorioso
- Uso como talismãs benéficos contra feiticeiros, mau-olhado, demônios e tentações interiores
- Gota de coral pendurada como lacryma christi, emblema evocador do sofrimento de Jesus no Getsemani
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Confecção de objetos semelhantes com a mesma intenção simbólica em cornalina, jaspe sanguíneo ou metais preciosos
- Nada considerado demasiado raro ou precioso para simbolizar o sangue do Sacrificado divino