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Volume

GEOMETRIA — VOLUME

VIDE: CUBO


Simbolismo

Robert Lawlor: Excertos de “Sacred Geometry: Philosophy & Practice (Art and Imagination)”

A perspectiva de volume oferece ainda outra metáfora para o ato criativo original e permanente da materialização do espírito e da criação da forma.

Um muito antigo mito da criação de Heliópolis no Egito dá um exemplo deste modo de visualização. Nun, o Oceano Cósmico, representa o espaço-espírito indiferenciado, puro, sem limite ou forma. É anterior a qualquer extensão, qualquer especificidade, qualquer deus. É pura potencialidade. Pela semente ou vontade do Criador, que está implícito dentro deste Nun, o espaço indiferenciado é impelido a contrair ou coagular a si mesmo em um volume. Assim Atum, o criador, primeiro cria ele mesmo ou distingue ele mesmo do indefinível Nun por "fazer volume", a fim de que a criação possa começar (faz lembrar a Qabbalah e sua noção de Tzimtzum).

Que forma, então, pode este primeiro volume ter? Quais são de fato as formas volumétricas mais essenciais? Há cinco volumes que se consideram ser os mais essenciais porque são os únicos volumes que têm todos os lados e todos os ângulos iguais. São o tetraedro, octaedro, cubo, dodecaedro e icosaedro, e são as expressões em volume do triângulo, do quadrado e do pentágono, 3, 4, 5. Todos outros volumes regulares são somente truncações destes cinco. Estes cinco sólidos recebem o nome de "platônicos" porque assume-se que Platão tenha considerado estas formas no Timeu, o diálogo no qual delineia uma cosmologia através da metáfora da geometria planar e sólida. Neste diálogo, que é um dos mais "pitagóricos" de seus trabalhos, estabelece que os quatro elementos básicos do mundo são terra, ar, fogo e água, e que estes elementos são cada um deles relacionados a uma das figuras sólidas. A tradição associa o cubo com a terra, o tetraedro com o fogo, o octaedro com o ar e o icosaedro com a água. Platão menciona "uma certa quinta composição" usada pelo criador no fazimento do universo. Assim o dodecaedro veio a ser associado com o quinto elemento, éter (prana). O demiurgo de Platão, fabricador do universo criou ordem do caos primordial destes elementos por meio das formas essenciais e números. A ordem de acordo como número e forma em um plano superior resultou na disposição intencional dos cinco elementos em um universo físico. As formas essenciais e números então agiram como a interface entre os reinos superior e inferior. Eles têm neles mesmo, e através de seus análogos com os elementos, o poder de configurar o mundo material.

Como Gordon Plummer nota em seu livro "The Mathematics of teh Cosmic Mind", a tradição hindu associa o icosaedro com Purusha. Purusha é imagem-semente de Brahma, o supremo criador ele mesmo, e como tal esta imagem é o mapa ou plano do universo. O Purusha é análogo ao Homem Cósmico, o Antropocosmo da tradição esotérica ocidental. O icosaedro é a opção óbvia para esta primeira forma, posto que todos os outros volumes naturalmente emergem dele.