VIDE: Paixão
François Chenique: SARÇA ARDENTE
O Portar a Cruz é o sofrimento imposto ao Verbo pela manifestação universal; é o peso da ignorância e do individualismo que o Verbo destruirá por seu sacrifício redentor e por seu Nome salvador.
Emmanuel Falque
Assim não bastou ao Cristo "portar a cruz" (crucem gestare), segundo a bela expressão de Tertuliano, ainda Lhe coube também, "carregar a carne" (carnem gestare).
Douzetemps, Le Mystère de la Croix
Nós descobrimos, por essa circunstância notável de sua vida, qual foi sempre a opressão e a angústia interior de seu espírito e de seu coração, mesmo em suas consolações e iluminações, diante da visão muito presente e sempre insistente do cálice amargo de sua paixão e de sua morte. É o que o faz dizer: “Tenho de ser batizado com um batismo, e quanto estou pressionado até que se cumpra.” (Lucas, cap. 12, v. 50).
É também disso que ele tantas vezes falou a seus discípulos, a fim de gravar bem em seus corações a imagem viva de sua cruz humilhante, da qual também eles deveriam ter sua parte. De tal maneira que Jesus, a própria mansidão, chamou Pedro de Satanás, porque ele procurava desviá-lo da cruz.
Aprendemos daí a nunca perder de vista a inclinação e o amor à cruz, mesmo durante as consolações e luzes divinas; a amá-la e a sofrê-la com paciência, abandono e, se possível, com contentamento e alegria, à imitação de nosso grande modelo, que encontrou o Calvário sobre o Tabor. E que faz suavizar, já neste mundo, as menores cruzes, carregá-las conosco e coroá-las no outro com uma coroa incorruptível de justiça e de glória!
Aprendemos ainda que, no meio dos sofrimentos de todos os lados que cercavam Jesus, havia também consolações muito reconfortantes; e que, entre estas, devemos sempre portar a cruz de Jesus no coração, estando sempre preparados para a privação de suas doçuras e para o gosto amargo de suas dores, causadas por nossa corrupção: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores.” (Isaías, cap. 53, v. 4).