- ...e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus! (Jo 1,36)
Hermenêutica
Ao cordeiro “natural”, visível, que o samaritano leva sobre si, opõe Jesus o cordeiro espiritual, invisível, o “filho da luz” que todo homem leva em si mesmo, posto que este é seu verdadeiro Eu. O primeiro, o natural, só serve de alimento se antes for sacrificado e convertido em cadáver; e este é o final previsto para cada discípulo enquanto homem natural e visível: morrer e ser convertido em cadáver, para alimento dos abutres ou vermes. Por isso aconselha Jesus buscar em si mesmo o lugar santo do Cordeiro espiritual, invisível, de Vida eterna, cuja carne e sangue são o alimento real da alma em sua busca do descanso; o único alimento que leva à redenção. Neste sentido é dito: “levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Ap 7,14).
- A “grande tribulação” que segundo o texto apocalíptico, procede ao “branqueamento das vestes” poderia interpretar-se segundo a história “manifesta” como a purificação que pôde operar-se em muitos cristãos em consequência da perseguição a que padeciam nos tempos de Nero; mas em sua vertente “oculta” tal tribulação não é outra coisa que as “dores de parto” que precedem à “presença manifesta” do Filho do homem, presença interior chamada Dia do Senhor.