A respeito do lugar
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Exposição da Doutrina de Proclo sobre o Lugar como Corpo Imaterial
- Acerca da observação de Simplício de que Proclo é o único filósofo que considerou o lugar um corpo.
- Sobre a aceitação, por parte de Proclo, dos axiomas de Aristóteles concernentes ao lugar e sua investigação quádrupla.
- Em que se estabelece que o lugar deve ser ou matéria, ou forma, ou o limite do corpo continente, ou um intervalo igual ao espaço entre os limites do corpo continente.
- Pois, se o lugar não é nenhuma das coisas que estão nele nem das que o circundam, não pode ser mudado localmente se nada do que está nele ou ao seu redor sofre mutação.
- Sendo as naturezas que estão nele a forma e a matéria, e as naturezas que o circundam o limite do circunambiente e o intermediário.
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Refutação das Outras Hipóteses e Definição do Lugar como Intervalo
- Sobre a demonstração de Proclo de que o lugar não é nem matéria nem forma, através dos mesmos argumentos de Aristóteles.
- E a subversão da hipótese de que é o limite do corpo continente, devido aos absurdos que a acompanham.
- Onde se infere que o lugar é um intervalo, adaptando assim a demonstração à sua própria opinião.
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Argumentação sobre a Natureza do Intervalo Mundano
- Acerca do intervalo mundano do mundo todo, que será diferente do intervalo mencionado.
- Sobre a premissa de que este intervalo ou é nada ou é algo.
- Em que, se é nada, o movimento local será do nada para o nada, embora todo movimento seja de acordo com algo que está entre os seres.
- E os lugares que são conforme a natureza serão nada, embora tudo que subsiste conformemente à natureza seja necessariamente algo pertencente aos seres.
- Mas se é algo, é totalmente incorpóreo ou corpóreo.
- Se é incorpóreo, segue-se um absurdo: é necessário que o lugar seja igual ao que está no lugar, mas como é possível o corpo e o incorpóreo serem iguais?
- Pois o igual está em quantidades e em quantidades homogêneas, como linhas com linhas, superfícies com superfícies e corpos com corpos.
- Logo, se é um intervalo, o lugar é um corpo.
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Investigações sobre as Propriedades do Lugar-Corpo
- Sobre a questão de saber se este corpo é móvel ou imóvel.
- Se é de algum modo móvel, deve necessariamente ser movido segundo o lugar, de modo que o lugar precisará de lugar, o que é impossível.
- Conforme Aristóteles, um vaso é um lugar que pode ser movido, mas o lugar é um vaso imóvel, indicando que o lugar é naturalmente imóvel.
- Se é imóvel, é ou incapaz de ser dividido pelos corpos que nele caem, de modo que o corpo procederia através do corpo, ou pode ser dividido por eles, como o ar e a água são divididos.
- Se pode ser dividido, o todo sendo cortado, as partes serão movidas para cada lado do todo separado: primeiro, o lugar será movido, pois suas partes são movidas, mas foi demonstrado que é imóvel; segundo, as partes sendo cortadas, deve-se perguntar para onde procede a parte cortada, pois novamente se encontrará outro intervalo entre as partes do todo separado, que é o recipiente da parte dividida, e isso prosseguirá ao infinito.
- Portanto, o lugar é um corpo indivisível.
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Definição Final do Lugar por Proclo
- Sendo indivisível, será ou um corpo imaterial ou um corpo material.
- Se material, não é indivisível, pois todos os corpos materiais, quando outros corpos materiais neles procedem, tornam-se divididos por esses corpos.
- Apenas os corpos imateriais são impassíveis e não adaptados a serem divididos por coisa alguma.
- Portanto, o lugar é um corpo, imóvel, indivisível, imaterial.
- Sendo assim, é evidente que o lugar é mais imaterial que todos os corpos, tanto os que são movidos quanto os que são imateriais nas coisas que são movidas.
- Logo, se a luz é a mais simples destes – pois o fogo é mais incorpóreo que os outros elementos, e a luz é mais incorpórea que o próprio fogo –, o lugar será a luz mais pura e genuína que está nos corpos.
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Imagem e Fundamentação da Teoria
- Acerca da concepção de duas esferas, uma só de luz e outra consistindo de muitos corpos, ambas iguais em volume, uma firmemente estabelecida juntamente com o centro e a outra inserida nela.
- Onde se vê o mundo todo existindo no lugar e movido na luz imóvel.
- E esta luz, segundo si mesma, é imóvel, para imitar o lugar, mas é movida segundo uma parte, para possuir algo menos que o lugar.
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Confirmações da Hipótese a partir de Platão e dos Oráculos Caldeus
- Sobre a credibilidade desta hipótese a partir do que é afirmado por Platão na República, onde a luz adaptada ao arco-íris é dita ser o lugar.
- E a confirmação pelos oráculos caldeus respeitantes à alma fontal, pois neles se diz que esta alma ‘abundantemente anima a luz, o fogo, o éter e os mundos’.
- Sendo esta a luz que está acima do mundo empíreo, uma mônade anterior à tríade dos mundos empíreo, etéreo e material.
- Esta luz é também a primeira receptáculo dos lotes eternos dos deuses e desdobra espetáculos autovisuais nela mesma para os que são dignos de contemplá-los.
- Pois nesta luz, conforme o oráculo caldeu, as coisas sem figura tornam-se figuradas.
- E talvez por isso seja chamada lugar (τοπος, topos), como sendo um certo tipo (τυπος) de todo o corpo mundano e como fazendo as coisas sem intervalo possuírem intervalo.
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Solução das Dúvidas concernentes à Impassibilidade e Animação do Lugar
- Acerca da dúvida de como o corpo pode proceder através do corpo e se esta luz é inanimada ou participa da alma.
- Sendo impossível que seja inanimada, tanto por ser mais excelente que as naturezas animadas que nela estão, quanto porque os oráculos dizem que esta é animada antes de outras coisas.
- Solucionando-se a primeira dúvida a partir da impassibilidade dos corpos imateriais: um corpo imaterial nem resiste nem é resistido, pois o que é resistido possui uma natureza capaz de sofrer pelas coisas que resistem.
- Nem, sendo impassível, pode ser dividido, de modo que não será possível alegar o absurdo de que o todo procederia através do que é menor.
- Solucionando-se a segunda dúvida dizendo que este corpo imaterial é animado pela alma fontal, tem uma vida divina e é essencialmente automotivo, mas não em energia.
- Pois, admitindo-se que na alma racional o automotivo é duplo – um segundo a essência e outro segundo a energia –, e afirmando-se que um é imóvel e o outro movido, nada impede afirmar que o lugar participa de uma vida deste tipo, vivendo segundo uma essência imutável, enquanto o mundo segundo uma essência automotiva em energia.
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A Função Motora e Ordenadora do Lugar
- Sobre a visão do movimento do lugar segundo a energia, que deve ser examinado como motor dos corpos que são movidos e que evoluem as partes do lugar segundo o intervalo.
- Porque eles não são capazes de estar em todo lugar nem de estar presentes com todas as partes do lugar segundo cada uma de suas partes.
- E isto é um meio intermediário com referência à alma, que se move sem intervalo.
- Pois parece que a vida, enquanto vida, imprime movimento, mas o lugar, sendo o que primeiro participa da vida, confere movimento segundo as partes de si mesmo e assim desdobra peculiarmente o movimento local.
- Fazendo com que cada uma das partes do que é movido deseje estar no todo mesmo, já que é incapaz, pela peculiaridade natural do intervalo, de subsistir de modo dividido no todo mesmo.
- Sendo necessário o meio entre uma vida incorpórea e intransitiva, como a da alma fontal, e uma vida transitiva e corpórea, que seja uma vida intransitiva, mas corpórea.
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Posição Hierárquica e Natureza Simbólica do Lugar-Luz
- Acerca do parecer de que os centros do mundo todo, considerado como uma coisa, estão fixos neste corpo imaterial.
- Pois se os oráculos afirmam que os centros do mundo material estão fixos no éter que está acima dele, deve-se dizer, ascendendo analogamente, que os centros do mais alto dos mundos estão estabelecidos na luz deste mundo.
- Podendo também dizer-se que esta luz é a primeira imagem da profundidade paternal e, por isso, é supermundana, porque aquela profundidade também é supermundana.
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Exposição da Hipótese de Damascio sobre a Essência do Lugar
- Sobre a hipótese de Damáscio de Damasco, preceptor de Simplício, que pretende descobrir a essência do lugar a partir de sua utilidade.
- Em que se escreve que tudo na geração, em consequência de decair de uma natureza impartível e sem intervalo, tanto segundo a essência quanto a energia, tem uma dupla separação: uma segundo a essência e outra segundo a energia ou paixão.
- E que aquilo na geração que é segundo a energia é duplo: um co-nascido com a essência, segundo o qual a essência está em contínuo fluxo; e outro procedente da essência, segundo o qual ela energiza diferentemente em diferentes tempos, possuindo energias estendidas e não recolhidas de uma vez.
- E a separação da energia imediatamente carece de movimento, e o movimento é co-subsistente com ela.
- E a separação da essência torna-se igualmente dupla: uma sendo uma difusão em multidão, e outra passando em massa.
- E a separação segundo a magnitude e a massa torna-se imediatamente conectada com a posição, em consequência das partes caírem em situações diferentes.
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A Posição e sua Relação com a Magnitude e o Lugar
- Sobre a posição ser igualmente dupla: uma co-nascida com a essência, como de meu corpo a cabeça está para cima e os pés para baixo; e outra adventícia, como quando se tem posição em uma casa e noutro momento no fórum.
- Sendo evidente que a primeira continua enquanto a coisa existe, e a outra se torna diferente em diferentes tempos.
- E que se diz propriamente que têm posição aquelas coisas cujas partes estão estendidas e distantes umas das outras.
- Donde a posição parece pertencer propriamente às magnitudes e aos limites que elas contêm, porque estes são distantes segundo a continuidade.
- E os números, embora separados, não parecem ter posição, porque não são distantes e estendidos, a menos que se diga que também recebem magnitude e intervalo.
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Os Intervalos e suas Medidas Coletivas
- Acerca de todos os intervalos, em consequência de destruírem uma subsistência recolhida em um, causarem que o que está neles seja mudado em outro, no qual também são ditos ser colocados por posição, perdendo, por assim dizer, poder independente.
- E para que estes intervalos não se estendam perfeitamente ao indefinido, há medidas coletivas: o tempo, sendo a medida de algumas coisas segundo a energia no movimento; o número, sendo a medida de outras segundo uma distinção de essência; a magnitude definida, como um côvado, sendo a medida de outras segundo a continuidade; e o lugar, sendo a medida de outras segundo uma dispersão de posição.
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A Função Ordenadora e Delimitadora do Lugar
- Sobre as coisas que são movidas serem ditas movidas no tempo, mas terem posição de essência e do próprio movimento no lugar, enquanto a própria essência participa do ser movido.
- E que o lugar subsiste acerca da posição e é algo pertencente às coisas situadas, sendo evidente que dizemos estar no lugar aquelas coisas que têm posição.
- E que para cima e para baixo são as diferenças do lugar, examinadas segundo a posição, da mesma maneira que a direita e a esquerda, a frente e a retaguarda.
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O Lugar como Limitador e Ordenador da Posição
- Acerca do lugar limitar, medir e ordenar a posição, o que se pode aprender pelo fato de dizermos que uma coisa tem posição, ainda que esteja desordenadamente posicionada de qualquer modo.
- Mas uma coisa é então dita ter sua posição conveniente e própria quando recebe seu lugar próprio.
- Assim como qualquer coisa, seja ela o que for, procede para o ser, mas então tem sua subsistência oportuna e própria quando existe em um tempo conveniente.
- Portanto, através do lugar, cada parte de uma coisa tem uma boa posição: a cabeça de meu corpo, para cima; o pé, para baixo; o fígado, nas partes direitas; o coração, no meio; os olhos, pelos quais vemos e andamos, adiante; e as costas, pelas quais carregamos pesos, atrás.
- Sendo estas diferenças através do lugar, assim como as partes de um embrião são fabricadas uma antes da outra através do tempo, e uma idade procede ordenadamente antes da outra.
- E os acontecimentos troianos não se confundem com os peloponésios, pois o anterior e o posterior são as diferenças do tempo, assim como o para cima e o para baixo e as outras quatro divisões são as diferenças do lugar, como também Aristóteles reconhece.
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O Lugar como Causa da Ordem no Todo e nas Partes
- Sobre as partes do mundo terem sua posição própria no todo, por causa do lugar.
- Donde, falando superficialmente, o lugar, simplesmente assim chamado, é, segundo esta concepção, aquilo que limita a posição dos corpos.
- Mas falando do lugar como tendo uma subsistência natural, é aquilo que limita a posição segundo as partes corpóreas, conforme à natureza, tanto com respeito umas às outras e ao todo, quanto também a posição segundo o todo com respeito às partes.
- Pois, assim como diferentes partes da terra e dos céus são dispostas em diferentes situações, por causa do lugar, e algumas partes são setentrionais, mas outras meridionais.
- Assim também o céu inteiro e a terra inteira, sendo partes do mundo, têm uma conveniente medida de posição e uma distribuição ordenada por causa do lugar: ao primeiro sendo atribuída a circunferência do universo, e à segunda possuindo o meio dele.
- E é o lugar que imputa coincidência às partes do universo.
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Etimologia e Função Figurativa do Lugar
- Acerca da etimologia, se o lugar (τοπος) é denominado da conjetura (εκ του τοπαζειν), tornando-se lugar por estar situado próximo às coisas conjeturais, como sendo uma certa conjetura da distinção intelectual.
- Assim também o que foi dito do lugar concordará com esta etimologia.
- Pois às imagens, que têm uma subsistência conjetural, o lugar imputa um estabelecimento e uma semelhança com seus paradigmas.
- Porque, a menos que cada uma das partes das coisas, que são separadas por intervalo, estivesse situada segundo seu lugar próprio, uma imagem nunca seria semelhante ao seu paradigma, mas toda ordem, conveniente medida e elegante disposição desapareceriam.
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Consequências da Ausência do Lugar e o Desejo pela Posição Adequada
- Sobre o que se veria se se retirasse o lugar: a disposição dos corpos estranha e desordenada, e tendendo à perfeita indefinição.
- Pois, em que posição cada uma das partes pararia, quando não estivessem adaptadas a nenhuma?
- Portanto, por esta razão, as coisas que são naturalmente movidas são movidas para que possam obter sua posição própria.
- E as coisas que são permanentes permanecem em uma conveniente medida de posição através de um amor ao lugar.
- Donde o lugar é a causa de algo para os corpos e para todas as naturezas corpóreas.
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Refutação de Outras Definições de Lugar
- Sobre a consequência de que tal lugar não é o limite daquilo que contém, pois como seria este a causa da ordem ou distinção, uma vez que é antes definido pelas coisas que existem nele e são compreendidas por ele?
- Nem será corpo, pois, ainda que alguém dissesse que é um corpo imaterial, que tem partes distantes e diferentes umas das outras, isto também exigiria algo que o arrumasse e causasse a esta parte estar situada no meio e àquela na circunferência.
- Nem é possível que uma coisa deste tipo seja intervalo, pois, pelas mesmas causas, o intervalo, em consequência de possuir diferença e ter suas partes diferentemente situadas, também exigiria uma certa posição conveniente.
- Portanto, o lugar aparece ser a medida das coisas posicionadas, assim como o tempo é dito o número do movimento das coisas movidas.
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A Dupla Natureza do Lugar: Essencial e Adventícia
- Sendo, no entanto, a posição dupla – uma essencial e outra adventícia –, o lugar também será duplo.
- Um tornando-se o elemento perfeito daquilo que tem posição, mas o outro subsistindo segundo o acidente.
- Há também uma certa diferença da posição essencial, enquanto, de certo modo, os próprios todos têm a posição própria de suas partes próprias, tanto com respeito umas às outras quanto ao universo.
- Ou enquanto as partes têm uma posição própria com referência ao todo e às partes restantes.
- Donde o lugar também se torna duplo: um peculiar, pertencente aos lugares individuais; mas o outro sendo definido segundo a posição no todo.
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A Analogia entre o Todo e o Lugar
- Sendo o todo duplo – um pertencente a cada uma das partes, segundo a subsistência definida e distinta de cada, segundo o qual dizemos que a terra é um certo todo, e não só a terra, mas também um animal e uma planta, e cada uma das partes nestes; mas o outro sendo mais compreensivo, como quando dizemos o todo mundo, a toda terra, o todo ar, e de cada totalidade há partes próprias.
- De maneira semelhante, do lugar dizemos que um é a posição conveniente das partes próprias de uma coisa, como de minhas partes no todo de meu corpo.
- Mas outro a posição conveniente do todo como de uma parte, no lugar de sua totalidade mais compreensiva.
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Exemplos da Aplicação do Lugar ao Todo e às Partes
- Assim, o lugar da terra é o lugar das naturezas terrestres, e isto enquanto a terra possui o meio do universo.
- Pois, ainda que a terra fosse privada de sua posição acerca do meio do universo, reteria ainda a posição conveniente de suas partes próprias em seu todo próprio.
- Mas não possuiria então sua posição conveniente como uma parte do universo.
- Portanto, se a terra inteira fosse arremessada para cima, cairia novamente ao meio.
- E as partes que ela contém preservariam sua formação com respeito umas às outras, mesmo quando removida do meio.
- Assim também, um homem suspenso no ar teria a ordem conveniente de suas partes próprias, mas não teria mais a ordem conveniente como de uma parte para o todo.
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A Hierarquia das Naturezas e o Desejo pelo Lugar Total
- Sobre as partes pertencerem mais às coisas mais totais do que os próprios todos, pois elas não vencem tanto as naturezas subordinadas, mas são vencidas pelas naturezas mais excelentes.
- E isto porque as primeiras estão em maior razão para as segundas naturezas do que as segundas para as terceiras naturezas.
- Sendo este o caso, ainda que um torrão de terra tivesse uma posição conveniente própria no ar, tenderia para baixo, através de um desejo daquilo que é mais total.
- Pois o peculiar é por toda parte morto e frio, quando difundido do comum e privado de sua conexão apropriada.
- Assim como as plantas, quando arrancadas pelas raízes, ainda que estejam em posse completa de todas as suas partes, imediatamente murcham, em consequência de serem difundidas de suas totalidades comuns.
- Porque todas as coisas vivem por causa do um animal mundano.
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A Conexão Vital com o Todo e a Preservação no Lugar
- Enquanto cada coisa está enraizada no mundo, através de totalidades próximas, assim ela vive e é preservada.
- Mas se é difundida de sua próxima, é também arrancada da totalidade comum.
- Assim, portanto, as tendências naturais dos corpos e suas permanências em seus lugares próprios são preservadas, admitindo-se que o lugar seja uma coisa deste tipo.
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A Natureza do Movimento Local
- Sobre o movimento local das coisas que são movidas não ser nada mais que a assunção de diferentes posições em diferentes tempos, até que o que é movido obtenha sua posição apropriada.
- Sendo o ar ou a água intermediários divididos e recebendo a posição que então têm, enquanto o que é mais forte procede.
- E a posição das partes do ar é aquela que um torrão de terra ou eu recebemos quando movidos.
- O lugar para o qual mudo não é definitivamente meu lugar peculiar, mas o lugar do ar circundante, em uma parte diferente do qual também estou naturalmente adaptado a me situar em diferentes tempos.
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A Dúvida de Syrianus sobre o Movimento no Lugar
- Sendo duvidoso como as coisas que são movidas são movidas no lugar, uma vez que as coisas no lugar podem ser justamente ditas estar em repouso ao invés de serem movidas.
- Syrianus coloca a dúvida: como as coisas que são movidas são movidas no lugar, uma vez que as coisas movidas são antes de onde, para onde?
- Pois, em suma, as coisas no lugar aparecem estar em repouso.
- Poder-se-ia dizer, portanto, que as coisas que são movidas estão no lugar e não no lugar?
- Pois elas não estão no primeiro e, por assim dizer, lugar próprio de si mesmas, posto que se estivessem, estariam em repouso.
- Mas estão no lugar, examinado segundo sua extensão, assim como dizemos que o sol está na constelação chamada Leão, porque a extensão do Leão compreende o sol.
- Dizemos também que uma águia voando está no ar, e que um navio navegando com vento próspero está no mar.
- Pois todos estes têm lugar considerado em sua extensão, ou assumido com uma maior latitude, mas não têm um primeiro e peculiar lugar, enquanto estão sendo movidos.
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A Prevalência da Noção de Lugar Externo e Separado
- Sobre a maioria daqueles que falam acerca do lugar parecerem dirigir especialmente sua atenção a este lugar externo.
- Pois, sendo perguntados qual é o lugar da terra, respondem que é o meio do universo, que é o lugar peculiar do universo e da terra como no universo.
- Sendo também perguntados qual é o lugar dos céus, dizem 'aquele que circunda', mas não aduzem, em sua resposta, aquele lugar da terra que dá conveniente posição às suas partes.
- E, de maneira semelhante, aquele lugar dos céus através do qual suas partes são ordenadamente dispostas.
- Donde todos, ao que parece, afirmam que o lugar é separado daquilo que está no lugar.
- Pois, na realidade, aquilo que pertence a cada particular a partir do lugar mais total é separado daquilo que está no lugar e não é precedentemente o lugar daquela coisa.
- Eles também consideram o lugar como imóvel, olhando para este lugar mais comum e que é considerado em sua extensão.
- Pois o lugar peculiar de cada coisa, e que é co-essencializado com ela, é também movido juntamente com ela.
- Mas o lugar comum permanece, sendo peculiar àquilo que é mais total e compreensivo, como corpo.