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Figueira

Gnosticismo

Roberto Pla

Evangelho de Tomé - Logion 85

Se inscreve o sicômoro entre as espécies de figueira, a árvore que já no AT foi utilizada pelos escribas e profetas de Israel para se referir em figura à alma e seus frutos. Quando Adão e Eva depois de comer da árvore proibida, segundo relata o Gênesis, abriram seus olhos à sabedoria e deram conta de que estavam nus dela, coseram folhas de figueira e se “fizeram umas cintas”. Esta foi a primeira menção da figueira com respeito à alma, pois a existência de folhas tenras da figueira no paraíso, anunciava não só a proximidade do verão, senão também, em parábola, o desenvolvimento da alma ao conhecimento do morador interno, posto que Jesus disse: “Quando vejais tudo isto, sabei que Ele está próximo, nas portas”.

A figueira e seu fruto são quanto à alma um símbolo tão universal em ambos testamentos como a videira e o sumo da da videira o são para o espírito, para o Filho do Homem. Daí que para expressar a alegria ou a desolação em seu sentido integral, psíquico e pneumático, mencionem os autores sagrados juntamente ambas plantações: “Comerá cada um de sua videira e de sua figueira”. Ou bem, para expressar as securas interiores: “Não há cachos na videira, nem figos na figueira” (Jr 8,13).

  • Onde esta abundância se descreve como causada pela Vinda do Gérmen. Então será chegada a horada bem-aventurança explicada pelo profeta Miqueias: “Se sentará cada qual sob sua parreira e sob sua figueira, sem que ninguém o inquiete” (Miq 4,4).
    • Não deis ouvidos a Ezequias; porque assim diz o rei da Assíria: Fazei as vossas pazes comigo, e saí a mim; e coma cada um da sua vide, e da sua figueira, e beba cada um da água da sua cisterna; (Isa 36:16)
    • Naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, cada um de vós convidará o seu vizinho para debaixo da videira e para debaixo da figueira. (Zac 3:10)


A figueira, seu tronco, folhas e frutos, com renovações todos seus dias e com frutos duas vezes cada ano, não há de surpreender que tenha sido tomada como exemplo da árvore que traz à alma as primeiras sementes de Deus, pois de fato, equivale em forma mítica à alma e sua funções.