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Wu

Tao — WU


Segundo Isabelle Robinet, WU é negação. Como privativo, foi o instrumento privilegiado da via negativa de Lao Tzu: o Tao é sem forma, sem sabor, sem nome; não comporta nem não suporta descrição ou qualificação. Mistério sobre mistério, é absolutamente indeterminado; é o "emblema da ausência de seres"; é sem limites. Mas não é também definido por esta negatividade que transcende em incluindo o polo oposto, como o mostra esta fórmula de Lao Tzu: ele é «a forma do sem forma».

Mas, pelo emprego que Lao Tzu fez do termo como de um substantivo, elevou-o ao nível de conceito metafísico e, como tal, dele fez o corolário antinômico do YOU, o «há», os «entes»; o WU e o YOU se engendram mutuamente enquanto contrários, diz.

O Wu em Lao Tzu é igualmente emblema do desapego do Santo; a virtude deste é não-virtude, seu agir é não-agir todo-poderoso; ele é sem ego, sem desejo. Marca o despojamento e a renúncia, o WU é sinônimo de vazio, XU. O «vazio extremo» é o equivalente da quietude mística, vazio mental e afetivo («sem desejo»). Segundo a lógica da dialética dos contrários, o vazio atrai o pleno; é o que torna habitável uma casa, utilizável um vaso; é o receptáculo, a força atrativa do fraco cuja feminilidade é o símbolo; é o que permite e chama a plenitude, a completude, o que conjuga negação e afirmação em uma síntese totalizante: o vazio é ao mesmo tempo positivo enquanto continente, matriz, poder de agir, e negativo enquanto inapreensível, jamais alcançável.