O crescimento de uma planta é o tornar-se visível, em tempo serial, da totalidade (em quatro dimensões) de uma planta. Ou a passagem através do espaço tridimensional de um objeto quadridimensional denominado por nós de planta. Ou a apresentação serial denominada “crescimento” de um objeto quadridimensional no espaço tridimensional, aparentemente desenvolvendo-se a partir daquilo que consideramos ser o “interior”.
O presente, o AGORA, nunca está no tempo que passa. O AGORA é vertical, intemporal. “Nada jamais está no tempo que passa.” (Maurice Nicoll, Living Time).
Aquilo que conhecemos como “tempo” é, presumivelmente, a percepção serial de um volume espacial adicional que nossos sentidos não podem perceber espacialmente como tal — o qual é o Agora ou “intemporalidade” —, e porque deve ser a partir do Agora que se percebe.
O “Agora” não é um momento do tempo que passa; o “Agora” é imutável, eterno, e, portanto, também para sempre no Tempo.
Vive-se inteiramente no tempo passado, pois tudo o que se experimenta já ocorreu antes que “nós” pudéssemos tornar-nos conscientes disso.
No tempo, estamos também e simultaneamente na dimensão invisível do espaço que o tempo representa para os sentidos — e essa dimensão invisível do espaço é denominada intemporalidade (a qual apenas se reconhece como tempo). Portanto, na medida em que somos temporais (ou estamos na temporalidade), somos também intemporais (ou estamos na intemporalidade). Nisso somos íntegros: no “tempo” somos fragmentos.
A barreira entre ontem e hoje, ou entre hoje e amanhã, é imaginária; uma vida pode ser uma totalidade, estendida na experiência de si mesma. Não seria possível concebê-la como um todo, vivê-la não de modo seccionado, mas total?
Uma vida não necessita ser apenas uma sucessão de momentos conscientes, cada um dos quais vivemos, e apenas assim, um após o outro, como se virássemos as páginas de um livro. Noumenalmente, não deveríamos ser capazes de conhecer nossa vida como um todo?
Se nos conhecemos como Tempo, este modo de viver torna-se inevitável. Conhecendo-nos como Tempo, começamos a conhecer-nos como Intemporalidade, o que significa que, conhecendo-nos fenomenalmente, conhecemo-nos também noumenalmente — pois não são dois.
Conhecendo-nos como Tempo, estamos conhecendo os outros também como Tempo; conhecendo o Tempo como atemporal, sabemos o eu como desprovido de eu, e os outros desaparecem em nossa ausência de ego. Isso, certamente, é viver de modo noumenal.
Conhecer-se como Tempo leva-nos inteiramente para fora da temporalidade e conduz-nos ao intemporal.
Uma vez que somos todos aspectos uns dos outros, aspectos seriais daquilo que todos somos, ao julgarmo-nos mutuamente não estaremos falhando lamentavelmente em compreender o que isso é?
Parecemos viver apenas de momento em momento, uma vida de momentos — lembrando apenas o último e jamais conhecendo o próximo.
“O eterno” ou “sempre” no Tempo é o “Agora” na Intemporalidade.
O “Agora” está no coração das coisas, isto é, no centro da eternidade e do infinito. Observa-se o universo de fora; o Agora o vê de dentro. É isso o que significa “ver as coisas de modo inverso”. Como “Agora”, não somos mais observadores impotentes; estamos ao leme. Já não se vê o universo como “aquilo que é, para o bem ou para o mal”, mas como deve ser — pois sabe-se que o estamos manifestando, e que ele é uma objetivação daquilo que somos.
Eckhart afirmou que o início da espiritualidade depende do reconhecimento do que se é enquanto ser fora do tempo.
Nada dito em um contexto temporal poderia ser verdadeiro. E então?
Na medida em que se aceita o aspecto serial do tempo, tudo o que se pensa e tudo o que se faz deve estar sujeito à serialidade; mas supor que algo assim apresentado pudesse revelar a totalidade que qualquer coisa verídica deve necessariamente ser, não seria talvez algo ingênuo?
O que se percebe não pode ser mais do que uma série de símbolos objetivados representando algo que jamais se verá, porque nunca poderia “isso” possuir existência objetiva.
Nada está em qualquer direção de medida, pois todas as dimensões são Este-Aqui-Agora. São medidas dentro da mente. São uma objetivação daquilo que somos, uma mensuração da objetificação.
Um “eu” existente no tempo, em sucessão, é um contrassenso, porque aparece de modo serial: se parece possuir duração objetiva, deve ser imaginado.
O tempo, visto pelo que é, mina a “natureza própria” ou a “realidade” de cada coisa sobre a Terra.
Aquilo que eu sou é a Fonte-Inconcebível, mas é a inconcebibilidade que, de fato, é o que é.