TAO, OU O MODO QUE É
Eu — como “mim mesmo” — sou o que quer que é percebido e concebido como “você”: “você” e “isso” são o que quer que é percebido e concebido.
Não há nenhum “eu”, nenhum “você”, nenhum “isso”. Somos o percebendo e o concebendo os quais como percepções concebidas somos então assim etiquetados como objetos.
“Nós” como tal, como alguma “coisa”, como algum objeto factual, não somos em absoluto.
Portanto, não pode haver alguma coisa como um “eu” percebendo e concebendo. Posto que não há alguma entidade cognoscível, não pode haver alguma entidade cognoscitiva. Eis porque a cognição não pode ser cognoscível, e eis porque cognição — “Mente” no Budismo, “Consciência” no Vedanta, “Tao” na China, “Espírito Santo” na Cristandade, qualquer dos nomes de “Alá” no Sufismo, são apenas símbolos pelos quais a manifestação fenomênica da “cognição” pode ser indicada em um contexto espaço-temporal.
Se, em nosso contexto espaço-temporal, fossemos “falar” entre nossos “eus” mutuamente aparentes, ao nível numenal desta compreensão, cada um de nós falaria desde o conhecimento que cada “outro” não tem existência exceto sua aparência na mente de cada um, que ultimamente, como “eu”, não é plural, que também não é singular, porém que a concepção do qual em mente-separada é necessariamente múltipla.
Na prática, isto significa que qualquer concepção que A tem de B, C tem de B, B tem de B (seu “eu”) é tudo que B é ou poderia ser naquele momento de “tempo”. Não pode haver nenhuma entidade a ser algo outro que conceitual em algum momento de tempo, pois há somente cognição, e nem cognição e nem cógnito pode ter um “ens”.