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id da página: 7721 Wei Wu Wei PEÇAS PÓSTUMAS

Wei Wu Wei Ausência Espaço-Tempo

Conceber a ausência do espaço-tempo

A inconcebibilidade da ausência de espaço-tempo, o fato que não pode ser pensado no sentido de visualizado, tem uma significação ainda mais profunda, posto que nada objetivável pode ser inconcebível.

O que, então, é não-objetivável? Certamente qualquer «coisa», qualquer espécie de objeto que seja é imaginável? Não pode haver qualquer coisa em absoluto que não seja objetivável, pois toda e qualquer coisa imaginável, é portanto concebida em imaginação.

O que, então, poderia ser inconcebível, o que de fato é e deve ser inconcebível? Somente aquilo que é concebimento é ele mesmo inconcebível, pois somente o que é concebimento não pode, quando concebendo, conceber a si mesmo.

Pode ser sustentado que o que concebe poderia conceber a si mesmo como um objeto imaginário, como qualquer outro objeto, em duração consecutiva, mas o concebimento como tal, enquanto concebendo, não pode conceber seu próprio concebimento — não mais que um olho pode ver seu próprio olhar. Portanto o que quer que seja factualmente inconcebível só pode ser o concebimento ele mesmo o qual não pode cognoscer seu próprio ato de cognição.

Isto demonstra a validade dialética do insight pelo qual podemos aperceber que a ausência de espaço-tempo deve necessariamente ser o que somos que não podemos concebê-la.

Deve estar evidente que o que somos é «concebimento» — pois que mais poderia estar concebendo o que concebemos? E, se existe uma ausência fenomenal que não podemos conceber, essa ausência deve necessariamente ser nossa própria ausência enquanto está concebendo.

A ausência fenomenal do espaço-tempo, sendo inconcebível, deve portanto ser nossa própria ausência fenomenal enquanto está concebendo, e — posto que nós não podemos conceber nossa própria ausência — devemos ser o que espaço-tempo é, e espaço-tempo deve ser o que numenalmente somos.

E isso sem dúvida explica porque tudo que somos, tanto fenomenal e numenalmente, foi intitulado «mente» pelos grandes Mestres da China.

Nota: podemos assumir também que isto explica porque tão poucas pessoas estão querendo enfrentar o problema do espaço-tempo, porque quase todas fogem envergonhadas dele, declinam discuti-lo, e só o aceitam como algo inevitável, se filósofos, religiosos, ou aquele que buscam «iluminação». No entanto certamente qualquer um pode ver quão vitalmente importante isto deve ser, que nada pode ser finalmente compreendido enquanto isso permaneça inexplicado, pois é óbvio que o que quer que seja está sujeito à extensão no espaço e à duração sucessiva não poderia ser verdadeira em si mesma. O estudo do espaço-tempo em física pode também ser a chave para o fato surpreendente que muitos dos grandes físicos encontraram-se eles mesmos seguidamente nas fronteiras da metafísica, e foram suficientemente corajosos para assim reconhecer.