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id da página: 9632 Vallin (GVEI:443-467) – A subjetividade negativa em suas relações com o mundo e com o Outro

Vallin GVEI-443-467


VALLIN, Georges. Être et individualité. Paris: Presses Universitaires de France, 1959

Terceira parte — A estrutura temporal do instante negativo (individualidade e nada)


Capítulo II - A EXPERIÊNCIA DO NADA E DA INDIVIDUALIDADE NEGATIVA (cont.)

B) A subjetividade negativa em suas relações com o mundo e com o Outro


  • O Nada como Indeterminação e Alteridade Radical

    • O nada se manifesta em dois aspectos simultâneos e correlativos: a descontinuidade subjetiva e a indeterminação objetiva. A subjetividade compreende seu próprio vazio ao se deparar com o vazio das aparências do mundo.
    • O nada, seja subjetivo ou objetivo, é apenas experienciado, não conhecido. Ele é sentido através de uma situação afetiva, como um vazio ou uma ausência fundamental, e não pode ser objeto de uma intuição positiva.
  • O Cogito Negativo

    • O cogito da subjetividade negativa é diferente do cogito lógico ou metafísico, que se baseia em uma intuição reflexiva de uma realidade espiritual. O cogito negativo é o sentimento do vazio inerente ao sujeito, uma ausência fundamental, que é experimentada de forma indireta.
    • Ele é a consciência de que o sujeito não é seu conteúdo, sua substância, e que essa negatividade é positivamente experimentada como vazio.
  • A Negação e a Origem das Significações

    • A consciência negativa não traz um novo modo de desvelar o real, mas a tomada de consciência do vazio das aparências sem essências.
    • As significações (essências, valores) são vistas como projeções gratuitas e contingentes da liberdade do sujeito, que se encontra "além" das esferas "racional" ou "vital".
    • A consciência negativa é, portanto, uma força destrutiva de valores, não criadora, pois ela desvela o aspecto negativo e limitador de toda aparente positividade ontológica.
  • A Subjetividade Negativa e o Mundo Moderno

    • A quantificação e a mecanização da vida moderna criam um mundo desessencializado, um "reino da quantidade" que favorece o surgimento da consciência negativa.
    • A natureza, assim como as obras humanas, aparece como uma massa amorfa, destituída de sentido, sobre a qual o homem projeta, de forma artificial, suas "formas".
    • O homem moderno, ao se integrar em estruturas coletivas cada vez mais abstratas, se desindividualiza e experimenta a desintegração causada pelo dinamismo do vazio.
  • A Consciência Negativa e o Outro

    • Nas estruturas panteísticas, o Outro é integrado em uma totalidade, e sua singularidade é negada. Na consciência negativa, a alteridade radical do Outro é finalmente visada e experimentada.
    • A consciência negativa não se identifica com o Outro porque ele é visto como igualmente vazio e destituído de conteúdo substancial.
    • O Outro aparece como uma alteridade total que é a imagem invertida da própria negatividade do sujeito.
    • Esta experiência leva a uma "comunhão negativa" ou solidão em comum, onde as consciências se unem pela sua negação mútua de significado, e pela sua presença comum em um mundo absurdo.
  • Síntese dos Paradoxos da Subjetividade Negativa

    • Separação radical e confusão total: A subjetividade negativa se sente radicalmente separada do Outro (pela ausência de valores comuns), mas também radicalmente confundida com ele (pela ausência de um conteúdo que os diferencie).
    • Interioridade e exterioridade: A subjetividade negativa é uma pura interioridade (movimento espiritual), mas também uma extrema exterioridade (não tem conteúdo próprio e se dirige a um mundo exterior).
    • Individuificação como despersonalização: A singularidade da consciência negativa, ao se identificar com a pura negatividade, leva à despersonalização mais radical, uma solidão anônima e solitária.