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id da página: 10105 TAO CONFÚCIO

Tchoung-young

TAOCONFÚCIO — TCHOUNG-YOUNG


Traduzido da versão francesa de A. Rémusat

O verdadeiro nome desse filósofo era Youan-hian, mas ele é pouco conhecido, exceto pelo apelido que tinha na escola de Confúcio. Ele era neto desse célebre filósofo e é contado entre seus principais discípulos. Confúcio, casado aos dezenove anos com a filha de um magistrado do reino de Soung, teve no ano seguinte um filho que recebeu os nomes de Liet e Pe-iu. Este viveu cinquenta anos e morreu antes de seu pai, que lhe sobreviveu por três anos. Ele teve um filho cedo, que na infância recebeu o nome de Khi e mais tarde foi apelidado de Tseu-sse. Há divergências sobre o local de nascimento dessa criança: alguns dizem que ele nasceu no reino de Lou (agora a província de Chan-toung), pátria de seu avô; outros o fazem nascer no reino de Soung (parte da atual província de Ho-nan).

Desde sua mais tenra infância, ele mostrou muita curiosidade e aptidão para a instrução. Ele demonstrava espanto ao ver objetos que as pessoas comuns costumam olhar com indiferença. "De onde vem", dizia ele, "essa diversidade que se observa entre os quadrúpedes? Por que todos os pássaros não se parecem? Por que os astros não permanecem sempre no mesmo lugar?". Confúcio, que se dedicava sobretudo a fazer a filosofia descer à terra, facilmente conseguiu reprimir o que essa curiosidade infantil parecia ter de excessivo e irregular e conseguiu dirigi-la para as verdades morais que eram o único objetivo de seu ensinamento.

Tseu-sse tinha trinta e sete anos quando perdeu seu ilustre avô, e ele mesmo, não julgando ter atingido o grau de instrução que desejava, tornou-se discípulo de Thseng-tseu, que havia herdado parte da reputação de Confúcio, mestre comum deles. Mas, mais tarde, pouco interessado nas honras que alguns outros filósofos da mesma escola haviam buscado, ele se refugiou em um lugar pouco frequentado, se estabeleceu em uma cabana e se vestiu com as roupas mais grosseiras. Tseu-koung, um de seus antigos colegas, que exercia as funções de ministro no reino de Wei, passava pela vila em que Tseu-sse morava, em uma carruagem puxada por quatro cavalos. Ele sentiu alguma confusão ao ver a aparência descuidada com a qual Tseu-sse veio ao seu encontro:

— Estás em apuros? ele perguntou-lhe?

"Eu aprendi", respondeu Tseu-sse, "que o homem privado de riqueza é pobre e que aquele que se dedica ao estudo da virtude sem conseguir praticá-la é o único infeliz. Eu sou pobre, é verdade, mas não estou em apuros."

Tseu-koung se retirou confuso com seu engano, e por toda a sua vida ele lamentou a palavra indiscreta que lhe havia escapado.

Vários belos discursos são atribuídos a Tseu-sse, que ele teve a oportunidade de fazer, sobre temas de filosofia e moral, com príncipes e ministros seus contemporâneos. Mas sua mais bela glória é a composição da célebre obra intitulada Tchoung-young ou O invariável meio. Tseu-sse trata nela, em trinta e três capítulos, do meio, uma espécie de estado moral que ele considera não como o estado habitual, mas como o estado médio ao qual todas as ações humanas devem tender, ao qual todas as paixões devem se reduzir e que é o único compatível com as inspirações do céu, as visões da natureza, a voz da razão, as lições da sabedoria e a prática da virtude. Esta abstração, pela qual certamente se pode reprovar o autor de ter dado muita importância e dedicado muito espaço em seu livro, o levou em vários trechos às sutilezas de uma metafísica árdua e por vezes ininteligível. Parece até que ele foi, em algumas circunstâncias, enganado pela sua própria linguagem e que deu realidade a simples visões da mente. Este defeito que lança escuridão em vários capítulos do Invariável meio não impede que a obra contenha belíssimas definições, percepções profundas e máximas de uma moral muito pura e muito elevada. A doutrina de Confúcio que é ensinada nela, na maioria das vezes por meio da citação das próprias palavras desse filósofo, se aproxima no fundo daquela que foi, na mesma época, ensinada na Grécia por Platão, na medida em que reconhece como objetivo da sabedoria o belo moral e como princípio da virtude o amor à ordem e a conformidade à marcha eterna da natureza submetida às ordens do céu. Encontra-se nela até uma passagem muito singular sobre o advento de um Santo que deve se mostrar superior a todos os outros homens, igual ao céu e à terra e mestre da natureza: esta passagem, que ocupou muito os nossos missionários, está livre de qualquer suspeita de interpolação.

O Tchoung-young é o segundo dos quatro livros morais que são atribuídos a Confúcio; ele mereceria ser o primeiro se o autor tivesse sabido conciliar a profundidade e a clareza em todos os lugares. Não se pode contar o número de autores chineses que o comentaram, seja separadamente, seja em conjunto com os outros três livros. Ele foi igualmente traduzido para o manchu. A versão latina que o padre Intorcetta redigiu foi impressa parte em Kian-tchhang-fou, na província de Kiang-si, parte em Goa, com o texto, e forma um volume da maior raridade. A versão, separada do texto, reapareceu na coleção de Thevenot, nos Analecta vindobonensia, no Confucius Sinarum philosophus. O padre Noel deu outra tradução latina nos Sinensis imperii libri classici sex, e o padre Cibot, uma paráfrase em francês que foi inserida no tomo II dos Memoires des missionnaires de Peking. Mais recentemente, o Tchoung-young foi objeto de um trabalho aprofundado e se deu uma edição crítica no tomo X das Notices et extraits des manuscrits. Esta edição, contendo o primeiro texto chinês completo que foi publicado na Europa, oferece ainda a versão manchu e uma dupla tradução inteiramente nova, em francês e em latim. Esta última é literal e destinada a substituir uma versão interlinear. Foram extraídos alguns exemplares separadamente para o uso dos estudantes.

Desde que ela apareceu, M. de Schilling deu em Petersburgo uma nova edição litografada do texto chinês: devemos conceder-lhe os mesmos elogios que à do Tai-hio.

Tseu-sse ainda participou da redação do Li-ki. Ele morreu aos sessenta e dois anos, vinte e seis anos após Confúcio, portanto por volta de 453 a.C. Um túmulo foi erigido para ele ao sul e em frente ao de seu avô; ele deixou um filho chamado Pe e apelidado de Tseu-chang: é por ele que essa linha de descendência se continuou, a mais antiga e a mais bem atestada que existe no universo, poderíamos dizer a mais ilustre, já que se conecta, através de vinte e três séculos e setenta e quatro gerações, a um dos sábios que mais honraram a humanidade.