Brasão, brasão Excertos de "Le langage secret du blason"
O termo brasão derivado segundo alguns do verbo alemão “blasen” que significa soprar, implica na presença de uma inspiração espiritual.
Antes de ser escrito ou figurado, o brasão é proferido pelo arauto no campo fechado do torneio no meio da assembleia dos pares. Antes de ser uma letra, é um espírito.
É portanto um conhecimento verbal por ouvido, anunciado por sua trombeta, cuja enunciação solene identifica cada protagonista do balé cavaleiresco da liça.
O nome profano se apaga diante do único a ser conhecido e significativo: “o cavaleiro do cisne de prata sobre campo de azul”...
O arauto proclama assim o “hieronome” dos cavaleiros.
Os cavaleiros no torneio estavam presentes por sua denominação heráldica e não eram obrigados a indicar sua identidade “profana”.
Assim se explica melhor a extrema precisão da linguagem heráldica, sua riqueza e ao mesmo tempo seu caráter muito “especializado” compreensível para aqueles somente que a estudaram.
Trata-se com efeito, ao mesmo tempo, de jargão de profissão — aquele das armas — e de linguagem sagrada da confraria dos cavaleiros.
O termo brasão significaria também em antigo francês bela linguagem, elogio, franco-falar; e este último termo de franco-falar, rico de significações, testemunha em todo caso que a heráldica é antes de tudo uma língua, própria para descrever certas realidades na liberdade; permite evocar adequadamente a identidade simbólica.