SHAYEGAN, Daryush. Les Relations de l’hindouisme et du soufisme: d’après le “Majma 'al-bahrayn” de Dârâ Shokûh. Paris: Éditions de la Différence, 1979.
A Descrição dos Atributos de Deus (sifat)
- Para os sufis, Allah-o Altíssimo tem dois Atributos: a Beleza (jamal) e a Majestade (jalal), contendo a criação inteira.
- Para os indianos, há três Atributos, chamados coletivamente tergon (tri-guna): sat (sattva), raj (rajas), e tam (tamas).
- O sattva significa existenciação (ijad), e os sufis consideram o atributo de subsistência como inerente à Beleza.
- Estes três Atributos, por estarem contidos uns nos outros, são chamados pelos gnósticos indianos (foqaraye hind) ter-murat (trimurti - trindade): Brahma (Barhma), Vishnu (Beshon), e Mahesvara (Mahish ou Shiva-Rudra).
- Estes três correspondem, na linguagem dos sufis, a: Gabriel (Brahma, anjo da existenciação), Michael (Vishnu, anjo da subsistência), e Seraphiel (Mahesvara, anjo da aniquilação).
- Os elementos água, fogo, e ar também estão em relação com esses arcanjos: a água com Gabriel, o fogo com Michael, e o ar com Seraphiel.
- Brahma, que é como a saliva da língua, tornou-se a epifania do Verbo divino, e a palavra nasceu dele.
- Vishnu, que é como o fogo dos olhos, tornou-se a fonte de onde luz, clareza e visibilidade se difundem.
- Mahesvara, que é o ar das duas narinas, é de onde procederam os dois sopros da Trombeta de ressurreição, ou seja, as duas respirações (expiração e inspiração), cuja interrupção causa a morte.
- O triguna é idêntico aos três Atributos de Deus: existenciação, subsistência e aniquilação.
- As epifanias desses três Atributos (Brahma, Vishnu, Mahesvara) manifestam suas qualidades em todos os seres, que nascem, vivem/subsistem por um período, e depois perecem.
- O sakt (sakti), a potência dos três Atributos, é chamado ter divi (tri-devi).
- Enquanto do tri-murti procederam Brahma, Vishnu e Mahesvara, do tri-devi nasceram os três seres: Sarasvati (Sarasti), Parvati (Parbati), e Lakshmi (Lachkmi).
- Sarasvati pertence ao sattvaguna e a Brahma; Parvati ao ramoguna e a Mahesvara; e Lakshmi ao rajoguna e a Vishnu.
A Descrição do Espírito (ruh)
- O Espírito é de duas espécies: o espírito (ruh) e o Pai dos Espíritos (abol arwah), denominados atman e paramatman pelos místicos indianos.
- Quando a Ipseidade pura (dhat-e baht) se determina e se limita, ela é chamada espírito (ruh ou atman) no plano sutil, devido à sua separação da matéria, e sarir (s'arira) quando desce ao plano grosseiro e material.
- A Essência determinada pela pré-eternidade (azal) é o espírito supremo, que se situa com a Essência dotada de todos os atributos no nível da unidade absoluta (ahadiyat).
- A Essência que contém todos os espíritos é denominada paramatman e abol-arwah.
- A relação da água com a onda é como aquela que liga o corpo ao espírito, e o s'arira ao atman.
- A totalidade das ondas, pela sua universalidade, assemelha-se ao abol-arwah e ao paramatman, enquanto a água como tal simboliza a presença do ser, ou do sudh (s'udha) e da cetan (cetana).
A Descrição dos Sopros Vitais (bad)
- O sopro vital que circula no corpo humano se localiza em cinco lugares, designados por cinco nomes: pran (prana), apan (apana), saman (samana), udan (udana), e wayan (vyana).
- Prana: desce das narinas até a ponta dos pés, e a respiração é sua propriedade específica.
- Apana: circula das nádegas até os órgãos genitais, circunda o umbigo e é a causa da vida.
- Samana: circula no interior do peito e do umbigo.
- Udana: circula desde a garganta até o topo do cérebro.
- Vyana: preenche tudo, o aparente e o oculto.