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id da página: 13618 Shabistari – Jardim das Rosas do Mistério – Que sou eu?

Shabistari – Quem Sou

SufismoShabistari – Jardim das Rosas do Mistério

JAMAL, Mahmood. Islamic mystical poetry: Sufi verse from the mystics to Rumi. London: Penguin Books, 2009.

Que sou eu?

Novamente me interrogas, dizendo: ‘Que sou eu?’
Informa-me sobre o que significa ‘eu’.
Quando o Ser Absoluto é mencionado
Os homens usam a palavra ‘eu’ para dizê-lo.
Quando ‘A Verdade’ está posta no que existe
Expressas isso pela palavra ‘eu’.
‘Eu’ e ‘tu’ são os acidentes do Ser.
São como treliças da lâmpada do Ser.
Corpos e espíritos são toda a Uma Luz,
Ora brilhando de espelhos, ora de lâmpadas.
Dizes: ‘A palavra “eu” em toda conexão.’
Realmente falas da alma do ‘eu’.
Mas, como fizeste do intelecto teu guia,
Não conheces teu ‘Eu’ a partir de uma de tuas partes.
Vai, ó mestre, e conhece bem teu ‘Eu’,
Pois a gordura não se assemelha a um tumor vazio.
‘Eu’ e ‘tu’ são superiores a corpo e alma,
Pois ambos, corpo e alma, são partes de ‘mim’.
A palavra ‘eu’ não se limita ao homem,
Para que digas que significa apenas a alma.
Eleva-te acima do tempo e do espaço,
Abandona o mundo e sê tu mesmo um mundo para ti mesmo.
Segredo da Unidade
Aquele homem alcança o segredo da unidade
Que não é detido nos estágios do caminho.
Mas o conhecedor é aquele que conhece o Próprio Ser,
Aquele que testemunha o Ser Absoluto.
Ele não reconhece ser algum senão o Próprio Ser,
E sendo como o seu, joga tudo limpo fora.
Teu ser não é senão espinhos e ervas daninhas,
Lança tudo limpo para longe de ti.
Vai varrer a câmara de teu coração,
Torna-a pronta para ser a morada do Amado.
Quando tu saíres, Ele entrará,
Em ti, vazio de ti mesmo, Ele exibirá Sua beleza.
O homem que é amado por suas ‘obras piedosas’,
A quem as dores da ‘negação’ purificam como um aposento que é varrido,
Ele encontra uma morada em uma ‘estação louvável’,
Ele encontra uma porção no ‘que o olho não viu, nem o ouvido ouviu’.
Mas enquanto a mancha de seu próprio ser permanecer nele,
O conhecimento do conhecedor não assume a forma de experiência.
Até que lances os obstáculos de diante de ti,
A luz não adentra a câmara de teu coração.
Assim como há quatro obstáculos neste mundo,
Também os modos de purificação deles são quatro:
Primeiro, a purificação da imundície da carne;
Segundo, do pecado e dos maus ‘sussurros do tentador’;
O terceiro é a purificação dos maus hábitos,
Que tornam os homens como bestas do campo;
O quarto é a purificação do segredo,
Pois neste ponto as jornadas do peregrino cessam.
Aquele que é limpo com estas purificações,
Verdadeiramente ele é apto para comungar com Deus.
Até que jogues completamente fora a ti mesmo,
Como pode tua oração ser verdadeira oração?
Quando tua essência é pura de toda mancha,
Então é que tuas orações são ‘uma alegria dos olhos’,
Não resta então distinção alguma;
Conhecedor e conhecido são um e o mesmo.

E. H. Whinfield