Séfer Yetziráh; Sepher Ietsirah; Sefer Yetzirah; Sefer Ietsirah, Livro da Formação, Livro da Criação
VIDE
NOCACHE
Qabbalah
Harold Bloom
Elias Lipiner
Excertos do livro de Elias Lipiner, "As letras do Alfabeto na criação do mundo"
De acesso reservado, segundo se crê, aos iniciados, o texto original, em língua hebraica, do velho, enigmático e temido Séfer Yetziráh, ou seja, Livro da Criação ou Livro da Formação (do Universo), se tem prestado a variadas interpretações. Não é tarefa fácil, com efeito, trazer esse amontoado de proposições ao nível da clareza e da evidência. Repleto de armadilhas etimológicas e sintáticas, o estilo do Livro, ainda que de rica e audaz sugestividade, é de pouca lucidez. A sua formulação quase matemática e precisa contrasta com o sentido metaforicamente confuso de suas frases. Aproximando-se à poesia, o texto alude, por vezes, a coisas remotas e indizíveis mediante o emprego de expressões dificilmente penetráveis. Estas parecem conter confidências metafísicas murmuradas a meia-voz, a excitar, a um tempo, o irresistível interesse do leitor e a sua grave desconfiança.
Bem por isso a tradução do Livro, adiante apresentada, foi feita com extrema fidelidade, sem fugir, inclusive, às oscilações de significação que lhe viciam com frequência o estilo. Isto, a fim de oferecer a cada leitor o ensejo de sua livre interpretação. A exemplo da música — representativa de linguagem despojada de sentido objetivo e convencional, atribuindo-lhe cada ouvinte, a seu ver, um valor subjetivo próprio e, por vezes, surpreendente. Ou a exemplo, mesmo, do texto poético, a que cada um — poetá e leitor — atribui um valor decorrente de sua própria imaginação. Em relação ao Livro, tais alternativas semânticas só poderiam ser proporcionadas por uma tradução fiel, de estilo algebricamente simplificado e generalizado, destituída intencionalmente de notas limitativas de sentido no rodapé, e suscetível, como o texto original, de tantas interpretações quantas fossem necessárias. De acreditar-se mesmo que, uma vez proporcionadas tais alternativas, e dada a oportunidade por elas oferecidas ao leitor de apropriar a si — aos seus critérios e aos seus sentimentos — as revelações porventura contidas no vetusto e estranho texto, dissipar-se-ão os temores sempre provocados pela obra em razão do seu estilo obscuro, lacônico e enigmático.
A época do Livro bem como a identificação de seu autor não se podem estabelecer com segurança. Continuam envolvidas nas mais densas trevas. Os exegetas tradicionalistas emprestam-lhe antiguidade pré-bíblica atribuindo a sua autoria ao patriarca Abraão, que teria sido o primeiro a contemplar e a desvendar os mistérios cósmicos. Outros atribuem-na a Rabi Akiba ou a Rabi Elisha ben Avuyah, dois sábios do período pós-bíblico, tornados conhecidos, o primeiro, por sua paixão pelas letras do alfabeto e, o segundo, por suas tendências gnósticas, sendo estas como aquelas elementos essenciais na composição da velha obra. Os autores mais modernos, entretanto, proclamam o anonimato definitivo da obra, remontando-lhe a origem aos primeiros séculos da era comum. Colocam-na neste ou naquele trecho de tempo, conforme as influências gnósticas, neoplatônicas ou neopitagóricas por ela supostamente sofridas, e para sincronizá-la com os períodos em que tais influências seriam cronologicamente mais prováveis. Uns e outros, porém, tradicionalistas e modernistas, confessaram-se perplexos com as estranhas afirmações contidas no Livro. O texto revela um autor preocupado em busca dos muitos caminhos para alcançar e conhecer a realidade a fim de tornar mais transparente, para o leitor, o mistério do Cosmos; um autor que é físico e metafísico simultaneamente, porque ele não só registra os rudimentos dos fenômenos físicos da natureza, mas indaga também a sua razão de ser. O tema central da obra é a busca de solução para o problema das relações entre Deus, que é infinito, e a sua criação finita, entre o espiritual e o material, ou seja, para o problema "como derivaram coisas finitas de uma força infinita" — na expressão de Rabi Abraham ben David, no introito ao comentário do Séfer, que lhe é atribuído nas edições impressas.
Preocupado com a origem e a estrutura dos corpos naturais, o autor anônimo foi buscar o modelo espiritual primitivo de tudo quanto existe às trinta e duas sendas ocultas da Sabedoria que seriam, segundo ele, os canais intermediários entre o Criador e a criação. Esta, destacada da Eternidade e confinada nos angustiosos limites do espaço, do tempo e do corpo humano, pode ter sugerido ao autor do Livro a imagem de uma evolução cósmica tríplice. Com efeito, como adiante se verá, o autor opera em três planos diferentes e interligados, por ele classificados de Holam (Espaço ou Universo), Shanáh (Tempo) e Néfesh (Corpo humano ou Vida inteligente) procurando estabelecer as relações metafísicas existentes entre as coisas situadas nesses diversos planos ou aos mesmos pertinentes, sempre considerando o mecanismo psicofisiológico da linguagem humana.
René Guénon
Impõe-se um paralelo com o papel que desempenham as letras na doutrina cosmogônica do Sepher Ietsirah. A "ciência das letras" tem, aliás, uma importância quase igual na cabala hebraica e no esoterismo islâmico. É preciso também notar que o "Livro do Mundo" é, ao mesmo tempo, a "Mensagem Divina" (Er-Risâlatul-ilâhiyah), arquétipo de todos os livros sagrados; as escrituras sagradas nada mais são que sua tradução em linguagem humana. Isso é afirmado de forma expressa com relação ao Veda e ao Alcorão; a ideia do "Eterno Evangelho" mostra também que a mesma concepção não era inteiramente estranha ao cristianismo ou que, pelo menos, nem sempre o foi.
C. del Tilo
Excertos de LA PUERTA
Las opiniones más diversas han sido emitidas respecto al origen y patria espiritual de este escrito, que no cuenta más que con algunas páginas.
Gershom Scholem sugiere que fue compuesto en el siglo II o III en Palestina.
En su libro el Sefer ha Guematría, Rabi Judá el piadoso, escribe: "Ben Sira queria estudiar el Sefer Ietsirah. La voz celeste se hizo oír: jNo puedes hacerlo solo! Ben Sira fue a buscar a su padre Jeremias. Lo estudiaron juntos. Después de tres anos crearon a un hombre y sobre su frente estaba escrita la palabra EMET (verdad), lo mismo que sobre la frente de Adán. Este Ser les dijo: El Santo Bendito Se a creó a Adán, pero cuando quiso volverle mortal, borro una letra de la palabra EMET y quedó la palabra MET (muerte)". (La letra borrada es la letra alef).