A identidade essencial entre Swayambhu ("Aquele que subsiste por Si mesmo") e Brahma nascido do Ovo de ouro (Hiranyagarbha) permite compreender este ensinamento do Profeta: "Allah estava em uma nuvem (ghamâm), e acima Dele não havia ar, e abaixo Dele não havia ar; então Ele criou Seu Trono sobre a água". Com efeito, o "Espírito de Deus" (Ruahh Elohim) do Gênesis, que "era levado sobre a face das águas", é Deus, mas Ele se identifica também à "Manifestação divina", o "Trono sobre a água"; e, na cosmogonia hindu, "Aquele que caminha sobre as águas" (Narayana) é não somente o Ser se polarizando em Purusha e Prakriti, - esta representando a "água" (existencial), - mas também o Espírito divino manifestado, Brahma. É dito que Narayana, após ter depositado o Ovo de ouro na água, "renasceu Ele mesmo Brahma (que é o Aspecto "central" e "criador" de Mahat); ora Vishnu (que é o Aspecto "conservador") tem igualmente o nome de Narayana, porque, informal Ele mesmo, Ele se move sobre as águas da manifestação formal. Vishnu Narayana, ou por extensão Mahat (ou Buddhi), é portanto a manifestação direta e primordial do supremo Narayana, como as Águas formais são o reflexo das Águas informais; é o que nunca se deve perder de vista quando se encontram acepções aparentemente divergentes dos termos árabes Arsh, Ruh e Nur. Em outras palavras, El-Arsh, como En-Nur e Er-Ruh, é uma Realidade "essencial" ou "vertical" que, como tal, pode ser considerada independentemente dos graus nos quais ela se afirma; pode-se dizer, por conseguinte, que o Trono em si mesmo, e independentemente dos graus de realidade, é a "parede" que separa o Princípio de sua refração; mas esta "parede" é ao mesmo tempo uma "abertura", pois não somente ela esconde a incomensurabilidade de Allah, mas ela a exprime e a transmite por Er-Ruh. O "Trono" e a "água", em qualquer grau que sejam considerados, são inseparáveis: o Trono não teria, com efeito, nenhuma razão de ser, sem alguma coisa em relação à qual ele suporta a Divindade; e a água não é concebível senão se ela é separada de seu Princípio transcendente por uma descontinuidade principial, sem o que ela seria idêntica a este Princípio.
(2) É, portanto, bem permitido definir Er-Ruh como a afirmação da Unidade em todos os graus da Existência universal, o que é igualmente verdade para En-Nur, embora sob um aspecto um pouco diferente; Er-Ruh é o mais frequentemente figurado como um "centro", um "raio", uma "descida", uma "presença" ou "imanência", enquanto que o caráter de En-Nur poderia ser traduzido por uma expressão tal como "Substância divina", com todas as reservas que uma tal forma de falar impõe; quanto a El-Arsh, ele tem mais um aspecto de "totalidade" e de "integração"; ele é a "circunferência" da qual Er-Ruh será o "centro" e En-Nur a "matéria".
(3) Um último ponto que merece ser ressaltado é o seguinte: segundo o hadith, o Cristo é chamado Ruhullah; é dito também, no que diz respeito aqui à única natureza humana do Cristo, que "Jesus (Seyidna Isa) é igual, diante de Allah, a Adão; Ele o criou de terra, depois Ele lhe disse: "Sê!" E ele foi" (surat el-maidah, 52). - Jesus, como Adão, não tinha com efeito pai humano: um como o outro é Ruhullah; e isto permite compreender melhor o sentido da adoração de Adão pelos Anjos (Corão, surat el-baqarah, 32) que, eles, são seres "periféricos" - embora "luminosos" - e que por este fato são subordinados a Er-Ruh, no qual é preciso compreender também suas "funções", os quatro Arcanjos. Poder-se-ia simbolizar Er-Ruh pelo número 1, os Anjos pelo número 2 e Adão pelo número 3; ora, o número 2 está mais perto da Unidade que o número 3, mas este reflete a unidade de uma maneira integral e adequada e não "fragmentária" como o número 2; e assim os Anjos, embora superiores a Adão por sua substância que é Nur, "Luz", não são no entanto feitos, à imagem, senão de "Aspectos" de Deus, neste sentido que cada Anjo não reflete senão um único destes "Aspectos" ou "Nomes" e ignora os outros, enquanto que Adão, embora inferior aos Anjos por sua substância que é "terra endurecida" (tin lazib), é diretamente feito à imagem de Deus e reflete Deus em Sua Unidade integral. Os Anjos se situam na "proximidade" do Trono, já que eles são feitos de sua substância "luminosa"; mas eles ficam na periferia deste, o centro sendo ocupado por Er-Ruh; ora Seyidna Adam, em sua existência terrestre, está afastado do Trono, mas se situa no raio central deste, no desfecho do eixo vertical que é o "lugar" da Revelação profética.