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id da página: 747 Études Traditionnelles – Renatus – Varinha Mágica - Radiestesia

Radiestesia

Études Traditionnelles Ano 41 N. 194 (1936)

  • A Varinha Divinatória, Rabdomancia e a Ilusão da Radiestesia
    • A época atual, caracterizada como a "período mais negro do Kali-yuga" segundo a expressão de René Guénon, manifesta-se no Ocidente pela contradição nas crenças, visto que a contradição é precisamente o aniquilamento no domínio da lógica.
    • Orgulhosa de suas descobertas na ordem material e desdenhosa do espiritual, a época atual compraz-se em afirmar que "só considera como verdadeiro o que é demonstrado com certeza", sem se aperceber de que a certeza só pode repousar no sólido alicerce da Tradição extra-humana.
    • A ciência moderna, que é sem base e sem propósito, é simbolizada por um fio que parte do nada e não leva a lugar nenhum.
    • Não é de se admirar os fluxos contraditórios que agitam os contemporâneos, por vezes atormentando certos espíritos incapazes de perceber a contradição, mesmo formal, de seu pensamento.
    • Fragmentos da Tradição retornam como escuma, à superfície da "caldeira borbulhante" onde os feiticeiros modernos cozinham ervas de diversas origens sem conhecer suas virtudes.
    • O interesse, nas ciências tradicionais, restringe-se às aplicações estritamente práticas e, dentre elas, apenas às mais baixas e, em sentido estrito, às mais vis.
    • Isto explica a moda do espiritismo, da teosofia, das práticas de magia negra e, mais recentemente, da varinha de condão.
    • O uso da varinha pertence à antiga e grande família das práticas divinatórias, cujo histórico pode ser encontrado na "História da Adivinhação na Antiguidade" de Bouché-Leclercq (Paris, 1879-1882), e uma crítica mais acessível em "A Adivinhação" de J. Maxwell (Paris, 1927).
    • A rabdomancia, tal como era praticada na Idade Média, foi modernamente rebatizada de "radiestesia".
    • O termo "radiestesia" é típico porque acoplou a uma hipótese questionável (a sensibilidade a "radiações") um nome grego destinado a torná-la respeitável aos olhos dos contemporâneos ingênuos.
    • A radiestesia moderna utiliza dois instrumentos: a varinha em forma de forquilha e, cada vez mais, o pêndulo.
    • Os instrumentos variam em formas, materiais e dimensões segundo os operadores, sendo que a matéria da varinha ou do pêndulo é indiferente ou deixada à fantasia de cada operador.
    • Os instrumentos divinatórios são supostamente destinados a detectar no terreno água (imóvel ou em movimento), cavidades, riquezas minerais naturais (metais, petróleo) e tesouros (metálicos ou não), sendo que vestígios detectáveis supostamente permanecem mesmo quando as substâncias desapareceram.
    • Mais recentemente, os radiestesistas modernos alegam poder usar a varinha e o pêndulo para a análise de amostras minerais (e determinar o agrupamento real de íons), a detecção e a contagem de microrganismos na água, a verificação do sexo dos ovos e a previsão do tempo.
    • Em um estágio mais avançado, trata-se do diagnóstico de doenças microbianas ou não e, por meio da apresentação de remédios, da indicação de um tratamento.
    • Alega-se que o deslocamento do operador é desnecessário, bastando um mapa orientado, uma planta ou uma fotografia do doente.
    • Este panorama mostra a progressão das pretensões dos radiestesistas ao longo do tempo e o deslizamento de métodos que, no início, poderiam parecer científicos, para práticas que se enquadram na pura adivinhação e, por vezes, até na magia negra.
    • O lado divinatório se torna cada vez mais evidente, o que é demonstrado pela literatura radiestésica sob as formas mais inesperadas e frequentemente mais burlescas, nas quais um teólogo facilmente reconheceria a "marca" comum dos fenômenos.
    • Um dos praticantes recomenda "fazer uma convenção com o pêndulo" para que o instrumento revele docilmente a profundidade do depósito em metros, decímetros ou pés ingleses, "conforme a convenção feita", ou, nos termos do autor, "conforme os termos do pacto".
    • Pode-se perguntar ao pêndulo "qual adubo é necessário para determinada terra para tal cultura", e o pêndulo responderá à vontade em porcentagem ou em quilogramas por hectare.
    • Um radiestesista pode determinar o número de corços em uma caçada, ou "o peso do javali gigante do Museu de Antuérpia" enquanto o operador está em Saintonge.
    • As explicações dos radiestesistas para seus resultados exigem volumes para serem completas, pois os radiestesistas modernos nunca estão em falta de teorias.
    • Estas teorias são particularmente estimuladas pelas descobertas da ciência moderna, tendo dois geólogos, R. Humery e R. Soyer, se divertido em colecionar as teorias.
    • As explicações consistem apenas em ondas, radiações, raios e corpúsculos, como "raio fundamental", "fluido de intenção", "raio mental", "radições do professor Wimmer" e "forças cilíndricas de Madame Chantereine".
    • O desarranjo nas teorias não passa despercebido pelos próprios radiestesistas, que confessam, como Armand Viré, que "a unidade de doutrina está longe de regnar".
    • Paralelamente, os aparelhos se tornam mais complexos, com cada um buscando ligar seu nome a um novo dispositivo, como o "stréborcam", o estenômetro de Joire, as telas de Killner, os solenooides do farmacêutico Lesourd, o antropofluxo de Muller, o neurotonômetro do Doutor Leprince, o aparelho Teretchenko, o aparelho Phély, o radio-biômetro, o radiocampímetro e o aspironda de Mermet.
    • Surgem "Escolas de Radiestesia" em todos os lugares, inclusive por correspondência, sendo que as cartomantes adicionam ao borra de café a arte erudita da "Radiestesia científica".
    • O movimento da varinha ou do pêndulo seria causado por movimentos musculares imperceptíveis e muitas vezes inconscientes do operador, o que parece ter sido demonstrado pelas pesquisas de Chevreul em 1854.
    • O verdadeiro nome da Radiestesia é Rabdomancia, ou, em português, prática da varinha divinatória.
    • A maioria dos ocidentais modernos ignora que estas ciências tradicionais dependem de disciplinas precisas, que por sua vez se deduzem de conhecimentos doutrinais de uma ordem completamente diferente.
    • Os radiestesistas modernos são comparados a ajudantes de laboratório que teriam apanhado o mecanismo de algumas experiências de mestres e tentam reproduzi-las para obter lucro, devendo ser lembrada a fábula do aprendiz de feiticeiro.
    • Dos milhares de neófitos que a radiestesia recruta a cada mês, alguns, para seu infortúnio, obterão resultados cada vez mais emocionantes e pouco a pouco se deixarão levar a se tornarem o joguete dessas "influências errantes", cuja nocividade os orientais sinalizam desde os primeiros passos.
    • Os malefícios que as práticas divinatórias, e a fortiori a prática da magia, podem provocar nos aprendizes de feiticeiro são conhecidos, sendo a história das mesas girantes um testemunho disso.
    • A Igreja Católica, que percebeu muito bem o perigo do espiritismo para a doutrina e para a saúde física e moral dos fiéis, o proibiu formalmente, e as autoridades eclesiásticas já se preocuparam com a rabdomancia moderna.
    • Aconselha-se prudência a todos aqueles que não podem receber instruções práticas de um guia avisado e, a fortiori, a todos aqueles que não possuem instrução doutrinal suficiente.